sábado, 25 de abril de 2020

#3dc Sou livre


25 de Abril.

O primeiro com a liberdade aprisionada. Pessoas confinadas às suas casas, famílias separadas, muitos doentes... alguns mortos. Alguns?

Podia ser eu... podias ser TU... ou alguém nosso. E isso faz toda a diferença na abordagem.

O vírus chegou e trouxe com ele o medo e o pânico. Ao mesmo tempo, recordou-me a mim do quanto era forte. De quem morava em mim, neste corpo físico por ventura débil e frágil. E nele, mora um espírito forte.

Nem sempre nos orgulhamos de tudo quanto fizemos na vida. Nem tão pouco nos dói menos, o que nos fizeram a nós. 

Como preservar a nossa criança interior? Como não deixar que morra? Como? Depois de tantas viagens duras, tantas desilusões. Mil combates, mil perdões. Aos outros... e a nós.

Mas o AMOR... esse que mora nos corações mais puros Esse que compreende que a aprendizagem demora, que a maturidade só vem com o tempo e... e que só se constroem seres fortes, em cima de muita dor.

Fecho os olhos e sou livre! E serei sempre livre, precisamente dessa forma, que simultaneamente é a mais bela e nobre que conheço... de me desafiar a mim mesmo. 

Quando aprendi a meditar, o espaço/tempo/matéria, foram vencidos.

E... nada mais 



voltou 





                     a        s e r            





                      c  o   m   o  







            a  n  t  e  s  .  .  .







QUANDO ME RENDI: FINALMENTE GANHEI. 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

#2dc Dar a água, a quem tem sede


Realizei hoje a 25ª sessão de meditação à distância. 

Depois de anos a fazê-lo presencialmente e a todos quantos me pediram, entendi há quase um mês iniciar este caminho. Naturalmente de uma forma gratuita, porque só assim faz sentido.

Cobrar por outras terapias holísticas, pode fazer todo o sentido pelo trabalho desenvolvido, os seus materiais e inúmeras outras questões. Concordo e subscrevo, nomeadamente para mais a quem disso faz o seu sustento.

Mas... "dar de beber a quem tem sede" cobrando para isso... para mim não dá. Nunca deu, aliás! Foram às centenas, aqueles aos quais ao longo da vida passei conhecimento. Meditar é a ÁGUA. Ainda assim, também eu paguei (e muitas das vezes não foi nada pouco) para saber algumas das técnicas que sei.

O mundo mudou, muda a cada segundo e não há tempo a perder, no que concerne em ajudar os outros. Decerto para muitos continuará igual. Felizmente para muitos outros: não.

Muita gente está em profundo sofrimento. Ansiedade, stress e tantas outras ameaças estão no pico. O fantasma da depressão chegou e instalou-se em muita gente. 

Que cada um dê de si onde puder. 

Cada ser que ensino, aprendo mais um pedaço. Essa é a troca que procuro. 

E ainda tenho os sorrisos de felicidade, as conversas, as histórias e o coração cheio por DAR.


Um dia, quem sabe tenha o que também a mim me falta: 



os abraços... todos os que não pudemos dar agora. Um dia...
___



* se estiveres aí perdido(a) e quiseres aprender, basta mandares-me um mail para armandocsoares@gmail.com

sábado, 28 de março de 2020

#1dc ...E VOLTAMOS AO INÍCIO


Acredito que nem todos estaremos a perceber a dimensão da dádiva que caiu sobre nós.

Digo isso, porque a parte do terror... essa, muitos de nós já a perceberam.

Sim, a verdade é a de que podemos enfim, morrer! (nada de novo)
Mas já o poderíamos, desde que nascemos.

E o que fazer com as nossas vidas? 
Sobreviver através do medo, todos os dias, ou por ventura entender a transitoriedade dos nossos corpos físicos? Certamente, a segunda.

Muitos de nós precisaram deste abanão, para perceberem que tudo quanto fazemos, pode afectar o nosso semelhante. Para perceber que os nossos actos: afectam-nos. Afectam-nos a nós, aos outros e... ao planeta que chamamos de casa.

O Planeta sofre, sofre com o vírus que o ataca não de agora, mas de há muito e que somos: nós. Destruimos ecossistemas. Destruímos espécies inteiras. Poluímos o ar, o mar e as florestas. Subscrevemos a ganância e exageramos. Exageramos, exageramos.

Talvez agora, alguns percebam a responsabilidade de reciclar. De não consumir desmesuradamente. De agir, em espírito de interajuda. De por outro lado, não nos darmos com tanta facilidade. De nos resguardarmos e de olharmos para o nosso interior. De meditarmos! De fazermos exercício, mesmo que em casa. De nos alimentarmos bem, de nos hidratarmos bem, de olharmos bem para o que comemos, que vitaminas ingerimos. De todos percebermos mais um pouco de medicina, do funcionamento dos nossos fracos e débeis corpos. De telefonarmos a quem não o fazíamos há muito. De dar amor, mesmo através de uma chamada. Talvez  de ler, ou de escrever, ou de começares um novo caminho. De admirarmos os profissionais de saúde que salvam vidas, os empregados dos restaurantes que alguns tratam mal, os cantoneiros de limpeza que continuam a recolher o nosso lixo... E de tantos, tantos mais!

Sim, o tempo está a passar. Vertiginosamente! Já estava. Só talvez não tivesses reparado.

Sentir a morte por perto, é sempre uma dádiva. Porque nos permite reinventarmo-nos. Porque nos permite rapidamente redefinirmos as prioridades. E.. de despertarmos o pior... mas também, o melhor em nós.

Escolhe quem queres ser, agora!

Agora, JÁ!

DESPERTA!

Perto deste desafio que te é colocado em frente, nada é mais importante. Nem se o teu governo está a fazer tudo o que poderia, ou as teorias de quem ou como surgiu o vírus.

DESPERTA, apenas! É tempo de escutares o teu coração. De te emocionares. De VIVERES.

DESPERTA, como se disso dependesse a tua própria vida.


Quem sabe... quem sabe... mais à frente, O percebas. 



quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

#232 É urgente meditar!



Nada como começar.

No princípio nem que seja com este rudimentar quadro pequenino e de sem grande organização, respeitando apenas algumas regras básicas aqui enunciadas.

Quanto à técnica, por exemplo usando o maior instrumento de todos que é a nossa própria respiração. Observando o ar que entra e o ar que sai.

Depois com o tempo, cada um percebe o papel da meditação na sua vida.

Pelo meu lado, o conselho é o de que: encontres uma boa técnica, um bom professor e a aprendas com dedicação e seriedade. De seguida é só manter a regularidade e os resultados virão! GARANTIDAMENTE!

Há muitas e boas técnicas. Experimentei várias ao longo da vida e ensinei algumas, mas para quem pretende ir a fundo: o recolhimento é essencial.

A vida é cheia de distrações e por vezes importa, por isso mesmo, que em ambiente de retiro nos recolhamos e demos finalmente a oportunidade "ao sagrado que em nós mora".

TODOS somos capazes de lá chegar. TODOS mesmo!


O medo e a dúvida são só desculpas, meros produtos da mente que importa afastar o quanto antes!




Combate isso! Qualquer dia é excelente para começar.




Boas viagens.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

#231 Pessoa


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                (Enlacemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                Pagã triste e com flores no
regaço.

FERNANDO PESSOA