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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

#154 Ser-se quem se É


A história da minha vida tem sido mais ao menos assim. 

Raramente passo indiferente nos locais por onde me deixo ficar mais tempo, ainda que actualmente procure mais o anonimato, a paz e a serenidade, que me traz o silêncio que vou de alguma forma procurando a todos os níveis. Nem sempre parece... mas é o que é.

Um caminho demorado, mas cuja meta um dia chegará.

Várias são as pessoas que amo, não obstante serem em menor quantidade aquelas pelas quais me sinto verdadeiramente ligado.

O exercício da liderança, é tarefa sempre solitária... 

Nomeadamente no processo de decisão, ainda que sempre me tenha munido de vários e preciosos conselhos, de todos(as) em quantos(as) reconheço tantas ou mais capacidades que eu, nos mais diversos temas. Obrigado!

Lamento ter quem eventualmente me odeie. Não que isso me retire o sono, mas caramba... eu não odeio ninguém!

Todavia compreendo, que para alguns/algumas cujos corações tenha ferido por qualquer motivo, a dor seja qui ça difícil de suportar.

Por esse alegado motivo: as minhas desculpas. Mas não é motivo para tanto...

No que a mim me toca, todos(as) quantos(as) me feriram, têm há muito o meu profundo agradecimento, pelo crescimento que em mim operaram. Foram verdadeiramente Mestres, cuja passagem em mim hoje reconheço e com a qual julgo ter aprendido mais qualquer coisa.

Quanto à dor... bom, essa há muito que faz parte de mim. 

Acolho-a com o sorriso de quem a reconhece, afinal já tão bem.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

#149 Absurdo é sim, mas só se não viveres


Pois. O tempo passa a correr... 

O dado adquirido de ontem, é a dúvida de hoje. Quem sabe se de novo a certeza do amanhã.

Só sei que: é urgente VIVER.

Aproveitando cada gota de sangue que eventualmente nos jorre pelas veias dentro. Celebrando-a, uma multiplicidade de vezes e vezes, sem conta. 

Isso só é possível não dando tréguas ao medo, combatendo-o entrincheirado e em cada esquina. Surpreendendo-o com tácticas que não espera! Enfim reinventando-nos, a cada dia que passa. 


E com todas as nossas forças. Todas as que tivermos.


domingo, 7 de setembro de 2014

#142 O Acaso nas nossas vidas


Todos os dias o universo me manda recados. Uns subliminarmente, outros: directamente mesmo.

Não posso nunca deixar de sublinhar, que pelo menos em relação a mim, o universo tem um enorme sentido de humor. 

Negro e sarcástico*, muitas das vezes. Já noutras, age levemente e simpaticamente com alguma condescendência.

Mas no fundo, até adoro esta sua maneira tão característica de me ensinar, no fundo condicente com os traços da minha própria personalidade. (Será que adopta a metodologia e a linguagem que melhor se adapta a cada pessoa?)

Nunca posso dizer que não me avisa, que não me mostra, que não me lembra, que não me dá hipótese de modificar, de crescer, de melhorar, de evoluir.

Claro que a maior parte das vezes, erro várias vezes. Mas aprendo sempre mais um bocado, fazendo-se magia. 


Oh se aprendo! Livra... 






*...mas não me tira o meu melhor sorriso. Lamento mas isso não! Aliás... nem me parece que seja esse o objectivo. Bem pelo contrário... :)) 

Mas que é um sacana: É!


sábado, 6 de setembro de 2014

#141 Danaus Plexippus e os humanos


Era sábado de manhã e (como ainda o faço cada vez mais raramente, nos poucos canais de televisão que ainda me despertam curiosidade), assistia a um pouco de um documentário sobre a vida animal, que sempre ajuda a perceber muito do que somos, também.

De facto, tirando documentários sobre história, vida selvagem, artes e matérias ligadas ao ocultismo, já pouco mais me motiva para ligar a televisão.

Cada vez menos a ligo, passando dias e dias que nem dela quero saber.

Mas dizia eu, assistia comovido (sim, a idade tem destas coisas e a forma intensa como vivemos a nossa vida também) ao desenrolar da vida de um pequenino ser de seu nome DANAUS PLEXIPPUS ou MARIPOSA MONARCA.

São as mais conhecidas "borboletas" da América do Norte, tendo sido introduzidas no século XIX na Nova Zelândia e Austrália, sendo as suas irmãs do Atlântico, residentes nas Ilhas Canárias, Açores e Madeira. 

São conhecidas pela sua resistência e longevidade e pelo padrão laranja e preto facilmente reconhecível. 

Têm uma envergadura de 8,9 a 10,2cm e pesam já adultas cerca de meio grama, sendo uma das maiores. 

No geral, esta espécie vive quatro dias como um ovo, duas semanas lagarta, depois crisálida dez dias enquanto forma a sua dura capa protectora e finalmente entre duas/nove semanas como borboleta.

No entanto... existe uma geração que é apelidada de "Matusalém" e que vive NOVE MESES, migrando para trás e para a frente.

Iniciam a sua alimentação comendo o próprio ovo e depois as plantas de algodão sobre as quais nasceram.

O seu característico padrão alerta os possíveis predadores de que são: venenosamente fatais.

De Agosto a Outubro migram aos milhões para sul e depois para norte, na Primavera.

Esta espécie é um dos poucos insectos que se permite fazer travessias transatlânticas... Estamos a falar de uma migração de 5000km!

As que nascem no final do Verão, princípio do Outono, serão as que irão fazer esta travessia numa única viagem de ida e volta da sua vida.

Algumas chegam ao sudoeste da Grã-Bretanha e Espanha.

As ocidentais viajam do Canadá para a costa da Califórnia nos Estados Unidos, para passar o Inverno em pequenos bosques de eucalipto, ao passo que as do oriente viajam do leste para o centro do México directamente para os bosques de abeto e pinho. 

Todas elas procuram o seu caminho sozinhas. Absolutamente: sozinhas... mas depois da migração feita, encontram-se todas, eventualmente acasalam e hibernam juntas.

Curiosamente, desde as suas ancestrais que encontram sempre o seu caminho. 

Seguem as mesmas rotas nas mais diversas gerações directas e muitas chegam a inexplicavelmente pousar na mesma árvore (de mães e pais para filhas(os), para netas(os) e por aí adiante).

Um ciclo de vida, no mínimo desconcertante para uns. 

Para outros... quem sabe de alguma forma, similar.






quinta-feira, 3 de julho de 2014

#120 Mudar


Hoje estava na esplanada da minha querida Associação Luchapa, no Palácio do Egipto, em pleno Centro Histórico de Oeiras e eis senão quando um pequeno pássaro de várias e belas cores, cai em voo picado dois metros ao meu lado, estatelando-se no chão.

Tremeu em poucos segundos e... num último suspiro lamentavelmente morreu, para meu espanto e dos que observaram o triste episódio.

Um pequeno ser vivo terminando a sua missão na terra, de uma forma rápida, mas dolorosa certamente e fatal.

Que viagens teria ele feito? De onde vinha? Para onde iria? 

......


Os últimos anos têm sido para mim altamente reveladores do que quero e do que não quero para mim. Erro muitas vezes. Mas pode não errar quem não tenta? Quem não age? Quem não avança na escada da vida?

Mas no que às revelações diz respeito: então os últimos meses nem se fala. Medito: amadureço: ajo.

Mas isto, a propósito de "nunca ser tarde para se começar uma nova vida"! Um novo desafio! Para colocar mãos à obra e começar tudo de novo! Tantas as vezes quantas as que forem necessárias.

Agir é preciso! E nem sempre é fácil.

Mas estarmos vivos é meio caminho andado para sermos felizes. 

Por vezes, a vida não é simples, de facto. Estamos menos alegres, mesmo tristes e amargurados até... mas aceitemo-lo como algo a debelar! A vencer! Obstáculos a ultrapassar.


Todos os dias olho o espelho e penso: e se fosse o teu último dia? O que farias?

...e depois disso: FAÇO. Pouco ou muito. Mas FAÇO.



domingo, 22 de junho de 2014

#112 A física do futuro


"Como a ciência moldará o mundo nos próximos cem anos" - é a tradução em português de um livro que aconselho aos mais despertos.

É seu autor Michio Kaku: físico-teórico, professor, co-criador da "Teoria de Campos de Corda".

Nesta peça fundamental para entendermos o que aí vem, Kaku baseia-se em depoimentos de 300 cientistas dos mais reputados do mundo, incluindo os vários Prémios Nobel.

Aparentemente para quem não goste de física (certamente por não entender o quanto ela nos afecta), este poderia ser um livro maçudo.

Todavia, nele não encontramos equações, mas sim perspectivas verdadeiramente transformadoras do que está precisamente AGORA a acontecer na ciência, lançando as bases do futuro próximo.

Desconcertante e revelador do que passa ao lado da esmagadora maioria das pessoas.

Ler ou não: é uma opção. De resto, como a atitude a ter perante a sabedoria que vamos absorvendo, neste e noutros fóruns. 


segunda-feira, 26 de maio de 2014

#90 Desertos


Oásis distantes, que vislumbro já
em cores tórridas e quentes
viagens intensas daqui para lá
comigo vão todos, mesmo os ausentes

Escolhas, caminhos, percursos
quilómetros que levo de caminhada
mais silêncio menos discursos
em consciência É a minha estrada

Desertos sedentes de água intensa
pés descalços do calor feridos
renovada a fé em velha crença:
fusão com o Uno em tons coloridos 


Medito: logo, sou
cheguei e agora 

e s t o u 



quinta-feira, 22 de maio de 2014

#85 Nem eu consigo estar calado hoje


Dever cumprido. 

Foi um dia carregado, que começou pelas 06h20 (o outro terminou pelas 04h mais coisa menos coisa).

Na verdade, na apresentação que me competiu fazer do livro das minhas queridas amigas Ana Almeida, Carla Rocha e Marta Moncacha, "As mulheres não sabem estar caladas": revisitei eu próprio alguns universos interiores.

Dor, solidão, saudade, esperança no futuro, regozijo, ironia, paz, tristeza, introspecção, desprezo, desilusão, alegria, magnanimidade - foram algumas das sensações que experimentei. 

Mais uma grande sessão, com a chancela da Associação Luchapa, no Palácio do Egipto em Oeiras.

No fundo, a verdade é que o tempo nos faz cada vez mais sábios. Mais experientes. Mais equilibrados, mais focados.

E precisamente no foco, reside o que mais interessa: a PAZ INTERIOR.


O resto não interessa para nada. Testemunhei isso hoje, uma vez mais.

Pelas 06h45 estarei novamente a praticar ashtanga yoga, mas agora: ainda vou meditar. Boa noite.



sábado, 26 de abril de 2014

#63 Mística


Mística se te apresentas
mas de imediato te transformas
qual visão que desaparece
e então mítica te tornas

A tacto o jaguar me envolve
intermedeia magias da floresta
na respiração se dissolve
a imagem que ainda me resta

Voa mas aterra, mariposa 
pousa no meu braço
concede-me nova glosa
ou o conforto do teu regaço

Que de novo partas sem destino
para um dia te (re)conhecer
Dentro esperará o menino
que em mim fizeste (re)nascer

quinta-feira, 17 de abril de 2014

#50 Os óculos mágicos


Quase sempre a lente com que vemos as coisas, altera a percepção das mesmas.

Passamos a vida nisto. Entre o: "tirar e colocar os óculos que nos alteram a visão".

Pelo meio, deparamo-nos com conceitos arcaicos de "certo" e de "errado", ultrapassados que vão sendo pelos acontecimentos que vamos vivendo.

O mundo é afinal cheio de zonas cinzentas nos seus mais diversos tons, contrastando com o preto e o branco, que muitos gostariam que preenchesse alguns aspectos das suas vidas...

É que há por vezes histórias que vêm de longe... Mesmo de tempos imemoriais, num diálogo algures entre a intensidade do momento e o calor meigo de um dia primaveril.

Ainda que discutível, a verdade é que já dizia o Bob Marley, esse ícone da música reggae:

"Nada é errado se te faz feliz".

Teremos sempre karma para queimar. Aqui, agora e quem sabe depois. 

Pois então: que valha a pena. 



domingo, 2 de março de 2014

#10 Remédio agridoce


O dia hoje amanheceu assim-assim
cinzento. e s t r a n h o 
não sinto o cheiro a jasmim
nem se vê ao sol o tamanho

pela janela de casa
observo vidas iguais
um pássaro que passa 
e folheio os jornais

um domingo parado
um destino traçado
não sei se vou a algum lado

ou

se medite, se leia
se componha, se trabalhe
se desmanche esta teia
e veja o que me calhe

Talvez espere ou talvez não
que o tempo resolva o dilema
vou ouvir outra canção

terminar este poema.