domingo, 13 de março de 2016

#221 Pózinhos mágicos


Pára e reinventa-te.
Medita. Observa-te.
Respira fundo, mergulha no teu interior sem medo da densidade que nele encontras.

Relaxa, que o tempo tudo leva o que não é para ti. Da mesma forma te trará o que for melhor.

Alguém perde? Não és tu. Bom... todos perdem e não perde ninguém, que tudo se transforma.

Sim! Dói! Claro que sim.
Mas não foste tu que escolheste. Ou também foste. Ou não! Mas isso agora pouco interessa.

Respeita e sai de cena! Sim, eu sei que saber o final do filme antes  dele acontecer, pode ser chato. Mas é mesmo assim, que também sempre  aprendes alguma coisa com isso.

Aliás, também sabes os outros finais do filme e não deixas de os viver por isso. Saboreia, sorri e vive sem olhar para trás. É mais uma experiência acumulada. Já sabes também a consequência disso... Só se desilude quem se ilude! Ai tu que nunca mais aprendes...

Ok. Compreendido, vou tentar outra vez. Mas é um loop contínuo... e  é um pouco secante, como sabes... ok, ok. Já percebi! 

Pó mágico activado em:

...3...




...2...






...1...



PLIM!  


quinta-feira, 10 de março de 2016

#220 Sobre a morte, na vida de todos os dias


O sangue corre-nos pelas veias. 

Quente... 

Todos os dias. Mesmo todos?...

Rejubilamos, sorrimos, sofremos, questionamos.

De onde viemos, para onde vamos? Onde estamos, até!

Aos poucos, a gélida inconstância se apodera do nosso ser e numa lágrima nos perdemos mais tempo do que o aceitável. Num sorriso de outrora, encontramos o vazio. No ruído das gargalhadas, descobrimos agora o imediato silêncio.

A fugacidade e a efemeridade da vida, encontram no colo da eternidade (ainda que também ele uma bizarria de quem, como eu, não aceita que o corpo físico seja tudo o que ora existe) uma solução para a indesculpável finitude de quem um dia desaparece, mas jamais  dos corações que um dia tocou.

A morte apresenta-se-nos, na vida de todos os dias. Toca-nos ao de leve, suavemente! Petrifica-nos, electrifica-nos e lembra-nos.

De ocidente para oriente. Um dia isto acaba!

Mas hoje? 


Hoje, não.









P.S. - in memoriam de O.S. e de tantos mais, que agora repousam o sono dos justos, aos quais um dia nos juntaremos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

#219 O fim da realidade


Na imagem que deu que falar, Mark Zuckerberg - criador do facebook, passeia por uma conferência onde toda a gente está ligada virtualmente a outra realidade, entrando assim despreocupadamente sem dar nas vistas. Interessante a visão de um dos arautos do mundo virtual, como "o único acordado, numa plateia de adormecidos".

Actualmente vivemos mais tempo no Real ou no Virtual?

Quanto tempo perdemos em comunicações, pela internet fora, de olhos colocados no telemóvel, na televisão, vivendo notícias, alimentando-nos de cenários?

Quantas vezes olhamos afinal para o sol, para o céu e para as estrelas? Quantas vezes passeamos apenas no jardim, oferecemos carinho a um animal que connosco se cruza, sorrimos apenas ao estranho que nos olha? Quantas vezes respiramos apenas, sorrimos e celebramos a vida?

Todos quantos permanecerem acordados, ou despertarem da intoxicação desinformativa, terão um dia o prémio pretendido: a constatação da realidade e qui ça aos poucos, mesmo da hiperrealidade. Esta última: de muito mais difícil acesso, apenas disponível em doses curtas para não matar.

A dificuldade quotidiana que nos espera, é a de fugirmos às armadilhas que nos são colocadas minuto a minuto. Instante a instante.

Um jornal. A manchete de uma revista. Um anúncio publicitário. Uma falsa notícia. Uma opinião alicerçada em coros de opiniões compradas. Títulos falsos, de universidades falsas, que legitimam sabedoria também ela inquinada. Ou medos que nos injectam. Rumores. Intrigas. Malhas de interesses. Ou ainda fotografias ou filmes, que isso dos olhos... também eles são afinal facilmente enganados. Talvez a lei. Talvez a noção do certo e do errado. Do bem e do mal. Talvez a noção de país e de fronteiras. Talvez a cor da pele. Talvez a escolha da opção sexual de cada um. Talvez a religião. Talvez o peso do dinheiro na nossa felicidade. Talvez a fatalidade de pagarmos por bens que são gratuitos. Talvez o partido. Talvez a direita por oposição à esquerda. E a esquerda por oposição à direita. Talvez as sondagens ou as estatísticas ou as tendências ou a moda ou o rumo ou o "tem que ser" ou "é inevitável". Talvez os velhos contra os novos. Os ricos contra os pobres ou os do sul contra os do norte. Talvez o futebol. Talvez a paixão volátil por oposição ao amor. Talvez a confortável mentira, por oposição à dor que ensina. 

Compreendo todos quantos preferem viver no virtual. Até eu me canso deste "real", tão povoado de ilusões.

Ainda assim, aqui fica para meditar mais um texto reflexivo, ainda que também ele pecando por habitar este mundo virtual, mas com a desculpável bondade de pretender despertar consciências. 

Está triste ou angustiado? Deprimido, entediado ou fatigado? Escolha a sua ilusão e divirta-se!


(eu acho que vou ver o mar um pouco, antes de continuar o meu dia)


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

#218 A vida e a morte


Tudo passa num ápice. TUDO!


No nascimento à infância. Da infância até à adolescência. Da adolescência até à idade adulta. Da idade adulta até à velhice. Da velhice até à morte... a seguir: renascimento?

Nem sempre cumprimos todas essas etapas, mas encontramo-las em tudo. Relacionamentos, vida profissional, as nossas ligações a lugares...

Tudo sempre tão efémero! Tudo sempre em permanente mutação. Tudo sempre tão impermanente.

Hoje, o mote para meditar um pouco mais em tudo isto, (tarefa que no entanto me invade a todo o instante), foi a despedida de alguém muito próximo, do seu irmão de sangue. 

No fundo, também era meu irmão, porque o primeiro é como se o fosse. Logo: É.

A dor da partida é para muitos, difícil de debelar... A ausência permanente que se tenta impôr, as memórias, o futuro que já não acontecerá.

Hoje, no entanto, eu mesmo me sinto cada vez mais preparado e pessoalmente: "tenho sempre as minhas malas feitas".

Costumo dizer que nao há forma de ficarmos "preparados" se não mudarmos a nossa matriz de pensamento, despertando e claro... perdendo muitas pessoas, antes. Parece uma visão masoquista, mas é a que acredito. A experiência ajuda em tudo. Até nisto.

É que às tantas, percebemos que não lhe podemos fugir e a solução é encarar a coisa de frente.

Nascer e morrer. São as únicas duas certezas!

Por isso, no meu caso pessoal, convivo já bem com a morte. Desde tenra idade que me cercava e não levou a melhor. Isso fez-me ter muito gozo na vida. Depois... comecei a "perder" pessoas. Perder entre aspas, porque estão todo vivos.

Aliás, todos os "meus mortos vivem em mim". Sinto-me pois em paz com isso, com a sua partida do mundo físico. Mesmo escandalosamente preparado para que todos, até ao último: partam. Até que também eu parta, um dia.

Porque haverá sempre um novo sol a despontar em qualquer lado... Haverá sempre algo novo para fazer. Um novo corpo, ou apenas luz, ou a derradeira fusão... no mínimo o regresso ao cosmos, a parte que se junta ao todo. Um novo início!  

E até lá?


V  I  V  E  R  !!!


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

#217 Repetição


Há sempre um determinado ponto na vida em que tudo é parcialmente (senão totalmente mesmo), fruto de uma desgastante e qui ça desconcertante: repetição.

Olhamos para trás e desfrutamos, caso estejamos atentos, da(s) a(s) nossa(s) própria(s) sombra(s). Acompanham-nos todos os EU's que outrora fomos, perseguindo-nos, na tentativa de participarem, condicionarem, até de talvez impedirem a manifestação dos novos caminhos.

Umas vezes são bem sucedidos, (péssimo para nós), outras vezes não.

Quem somos "nós" afinal, se estamos em constante mutação? Qual o ponto em que a tal "essência" corre o risco conservador de nos impedir a evolução?

Qual o ponto chave em que o poderoso, mas sempre derrotável medo, se esconde por detrás do desejo de mudança e se mascara de valores e princípios?

Qual o ponto em que o ego assume os comandos da máquina e se auto-alimenta das imagens projectadas de nós mesmos nos outros e necessariamente em nós?

Em que medida o karma, a existir e para quem o subscreve, compromete afinal o livre arbítrio, pervertendo as nossas escolhas, momento a momento?

Paro, observo e deparo-me com o imenso e quase adorável dejá vu, ao qual quase me apego, enquanto doce e carinhosamente o analiso e saboreio pedaço a pedaço.

Porque essa falha no vórtice espaço tempo, em que me permito descansar um pouco, merece sem dúvida a sua calma e serena degustação!

Até porque será a última vez, nesta forma. E isso, é mais do que motivo de celebração, pesem embora todas as inúmeras dores da caminhada...

Invade-me nesses momentos, o estado de gratidão pelo (re)conhecimento. Pela pausa! 

Pelo gigantesco banquete que me é uma vez mais oferecido e que contemplo com todos os mais desconhecidos sentidos, mas igualmente com os olhos da alma atentos e lágrimas contidas. Umas vezes, sim. 

Outras não.

Mas é sempre de saborear...