sábado, 6 de fevereiro de 2016

#214 A Teoria dos Relógios Dessincronizados



Há uns bons anos atrás, tinha a velha mania de escrever teorias filosóficas e de dissertar sobre o tudo e o nada. 

Bem sei que não tive uma infância e adolescência igual à maioria. Mas prezo precisamente isso.

Fazia-o com um velho amigo, irmão mesmo, que discorria sobre as suas perspectivas de vida e eu sobre as minhas, em franca partilha e debate intelectual entre iguais. Ainda hoje.

Recordo ainda bem uma teoria dele, bastante apreciada por mim e que mais não era que a "Teoria do Equilíbrio", fundamentada em equações e bem pensada.

Uma das que mais gosto me deu escrever, foi a "Teoria dos Relógios Dessincronizados".

Dizia eu, à época (resumidamente), que todos seríamos portadores de um relógio vital. Não pense o leitor que era uma mera apreciação do conceito do nosso tempo de vida e da sua relatividade.

O objecto de estudo era o amor e as relações no quadro de amizade e outros.

Ora esse "relógio", estava programado para eventualmente estar "certo" num determinado tempo.

Ao longo da vida, cruzar-nos-íamos com outros "relógios". Umas vezes estavam certos com o nosso. Outras: não.

Mas mesmo os "certos", iam-se desprogramando com o tempo, lutando contra os incríveis desafios que os impediam de permanecerem certos, sincronizados um com o outro.

Por outro lado, por vezes dois ou mais relógios cruzavam-se. Mas... por horas, minutos ou meros segundos, não estavam sincronizados um com o outro. E por isso: não se reconheciam... (quem sabe noutra vida?)

Curioso fado o nosso, portadores de relógios vitais, que ora somos.

Por um motivo ou por outro, ao longo da vida, regresso vezes sem conta a essa Teoria, que se encadeia precisamente numa outra: a "Teoria dos Iguais, dos Diferentes e dos Diferentes dos Diferentes".

Não vou aqui discorrer sobre ela, mas é sem dúvida um grato orgulho pertencer a estes últimos, por mais dores que isso acarrete. Mas a vida... essa coloca-nos à prova todos os dias.

E recusarmos o caminho fácil de pertencer à classe dos "Mais Inteligentes dos Burros" ou aceitarmos se preciso for e durante um período: ser os "Mais Burros dos Inteligentes"... não é de facto para todos.

Um bom Carnaval, estejam por onde estiverem, aceitem e sejam felizes com as vossas escolhas. Quaisquer que elas sejam, mas delas não se lamentem.

Eu, da minha parte, estou cada vez mais imune à passagem do tempo, cada vez mais ciente do meu papel por "aqui" e mais desprendido.

Desapegarmos-nos do que nos faz "bem" e combatermos a aversão do que nos faz "mal", é o mais importante desafio. Nem cultivar a ansiedade pelo futuro, nem o apego às memórias agradáveis do passado.

Tudo é sempre afinal tão relativo! Cada vez estou mais certo disso.

A dor de hoje, uma vez compreendida e relativizada, contextualizada, compreendida e ultrapassada: é a maturidade de amanhã e a segurança nas decisões.

É só estar atento, ler os sinais, observar.

Observar...

Observar.



Meditemos. 




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

#213 hope


Texturas que se multiplicam, entre o acordar dos sonhos que se escondiam em segredo, por detrás do Altar do Ilusório.

O arrepio na pele e a nitidez da vertigem que agora agarro, para nela descer até às profundezas dos meus circuitos neuronais, passou a ser o desígnio último que pontua a palavra à qual me dediquei. 

Hope - porque o estrangeirismo nem sempre é feio. Esperança - porque a alma lusa está carregada dela, dispondo histórias à minha frente com séculos de vivências. 

Templarismo condicionado ao grau e aos seus mistérios, que artisticamente se desnudam em papel seda e se deixam tocar, suave e docemente, enigmáticos, fascinantes. 

Orgasmo virgem de viagens que ganham corpo, voo que levanta para longe, maquilhado que está de sonhos puros e densos. 

Bebe o cálice até ao fim, de um trago só. Faz-me isso. 

E promete-me, só mais esta vez. 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

#212 renascendo a verdade


A dor do parto equivale à dor da derradeira partida. Ambas nos trazem algo de novo. Um novo início, ou no segundo caso: um novo fim.

Com o tempo aprendi a perceber que "só pode partir quem algum dia de facto esteve". Por outro lado, "quem se instala, eventualmente não parte".

Nem é bom nem é mau, calejado que estou já, da vida e do viver. Simplesmente É assim. 

Compreendo hoje que a verdade é sempre objectiva, sempre simples. Deambulamos todavia pela estrada da subjectividade adentro, apenas perante a ausência da verdade absoluta. Exercício retórico, considerações teóricas, manuseamento de matrizes. Tudo distracções da verdade objectiva e absoluta.

A verdade não precisa de artefactos. De explicações. A verdade é clara, visível e impõe-se sempre, porque: é a verdade. 

Por isso talvez seja tão difícil fugir-lhe. Ela persegue, cerca-nos e apanha-nos sempre.

Ainda assim, é tempo de preferir a paz a ter razão. De buscar a serenidade por contraposição à luta, por mais justa e pacífica que por ventura seja.

É tempo de deixar que a verdade se instale... calma, silenciosa, sem avisar.

Que também ela encontre o seu caminho e opere o que entender. Que mostre a Luz, mas também a Sombra. Que deixe sobressair e cheirar o aroma das doces flores perfumadas que anunciam a boa nova, mas também o odor pérfido e putrefacto dos sentires já mortos, que jazem inanimados, procurando descanso na tumba subterrânea das oportunidades perdidas. Ou das esquecidas... Ou das que aguardam ver o novo dia e definham quase sem esperança.  

Mas um novo dia nasce sempre. Nascerá sempre! Com mais ou menos verdade. Qui ça com a renovação da mentira, mas até ela de olhos postos no horizonte e da sua singela oportunidade de transformação, impermanente que é tudo o que: É.

Que se transforme então, qual pequeno ser que aspira a sair do seu casulo e permitir fazer-se magia, qual borboleta que ganhará asas e ascenderá até ao sol que brilha e que desponta do zénite ao nadir.

Que a paixão de Ícaro nos não persiga e nos deixe voar!

Voar... Voar.






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

#211 Estar a mais


Há alturas na vida em que ganhamos a clara consciência de "estarmos a mais". 
Podemos "estar a mais" em pessoas. Em lugares. Em situações. Em profissões. Em causas. Podemos até sentir que "estamos a mais" em nós mesmos e então aí, mudar.

É sempre um momento doloroso, o da partida. Seja do que for, tamanho é a apego que ganhamos por tudo quanto nos faz bem. 

Na mesma medida podemos, todavia, ganhar aversão do que nos faz mal e não extrair a devida lição, seja do que for.

É por isso importante meditar, reflectir, ponderar.

Mas e depois? Bom, depois:

AGIR.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

#210 o que não disse de David Bowie



Recebi a notícia com uma lágrima, mas com um ainda maior sorriso. David Bowie partia e deixava um álbum novo, onde até um tema, teledisco e a própria letra há: sobre a sua morte. Fabuloso! Desfolhei a imprensa e descobre-se que Bowie estava doente há muito tempo. Não se sabia, tal como dos avc's que tinha dito. 

Brilhante Bowie! Brilhante! Tudo preparado ao detalhe.

Um ser andrógino. Com tendência para o excesso. Excêntrico. Criativo. Visionário. Mal compreendido muitas das vezes. 

Naturalmente que assim, era difícil não gostar eu de David Bowie.

Mais por vezes do que da própria música, confesso, a minha ligação estava naturalmente criada ao personagem. Mas também ao David Bowie ortónimo, se me é permitida esta analogia com a escrita, escritor que também ele era, É e será. 

Fosse "esse" qual fosse, camaleão que era, o "re-inventor".

Simpatizo com Bowie, como com Pessoa. 

O segundo leio-o, o primeiro ouço-o. A ambos degusto a linguagem, o arrojo, a coragem. Ambos representam a heterogeneidade do ser humano. A sua pluridimensionalidade, em épocas diferentes, visitando artes diferentes.

Desnudaram algumas das camadas que todos temos, exibamo-las ou não. Os nossos lados mais secretos. Os nossos alter-egos, os múltiplos papéis que representamos. 

Assumir a diferença é difícil. Bem o sei, excêntrico que sou considerado em tanta coisa e escondido que permaneço, em tantas outras.

É que ter uma visão diferente da maioria, isolada por vezes até, dificulta a convivência neste mundo habituado a fabricar cópias, qual máquina reprodutora de medíocres, castradora da genialidade que reside em todos e em cada um.

De facto por vezes, é mais fácil estar calado. Sorrir apenas e acenar com a cabeça.

Ficamos todos mais "felizes" e saio com maior facilidade da eventual cena série B, no ambiente nocivo em que me vejo, nessas alturas.

É difícil fugir à contaminação. É difícil manter a coragem de sabermos quem somos, mesmo quando necessariamente nos transvestimos de nós mesmos.

Mas o espelho da alma não mente. Olho, observo-me com calma e reconheço-me.  

Enquanto assim for: há esperança.


#209 O ego e o sorriso


Na foto, um praticante de meditação transcendental em pleno "voo ióguico", detentor que é deste importante siddhis. Quem o sabe não o exibe, daí a escassez de documentação desta matéria.

Ainda bem.

A armadilha do ego coloca-nos constantemente à prova.

Por vezes, julgamos que somos demasiado importantes para outrem. Ou então somos reféns da nossa própria imagem, construída por nós mesmos. 

No fundo, termos ou não cultura; sermos ou não belos por fora; possuirmos ou não dinheiro em quantidade e por aí adiante, não podem nem devem ser a medida de avaliação suprema do que realmente importa.

No momento em que despertamos: só há AMOR. 

Depois, é difícil manter esse estado, sujeitos que somos a todas as pressões externas.

Mas temos a responsabilidade de o resgatar vezes sem conta, a todo o instante. E de lembrar aquele sorriso que um dia ostentamos. Não o sorriso fácil, mas O sorriso! sincero, firme, duradouro, verdadeiro na sua plenitude, constante, eterno.

Não é fácil.

E hoje, dia do teu aniversário, parabéns Maharishi Mahesh Yogi, pelas várias gerações de ocidentais meditantes que conseguiste. 

Jai Guru Dev!



domingo, 10 de janeiro de 2016

#208 As coisas boas, levam o seu tempo


Resultados rápidos! De preferência duradouros.

Que não custem muito. Que sejam fáceis de alcançar. Que sejam grandes vitórias!



NATURALMENTE: (pelo menos para mim) ISSO NÃO EXISTE. 


Estou habituado no que verdadeiramente interessa, a lutar com afinco e dedicadamente.

Claro que isso ao longo dos anos, tem desenhado em mim uma couraça quase indestrutível.

Confesso que me dá muito gozo que a vida seja assim para mim. Farto-me de tudo o que é fácil, desinteresso-me mesmo, a maior parte das vezes.

Gosto do sabor do desafio. Da concretização do "impossível". Gosto que me tentem desmobilizar. Que me digam para não ir. Para não fazer. Que "não vai dar". Que "é errado". Que "parece mal".

Quando estou convicto do caminho, a todos ouço e alicerço a minha convicção. Raramente algo me demove, a menos que fundadamente passe a subscrever uma nova visão.

Claro que por vezes sabe bem olharmos em volta e sentirmos companhia. E atenção que  não é de liderança grupal, tribal, que aqui falo.

Falo sim das minhas decisões interiores, daquelas que essencialmente a mim afectam, moldam e perspectivam o futuro.

Paralelismo seja feito, tal como nas decisões que dizem respeito à liderança de qualquer equipa, sempre apreciei a insubstituível solidão da reflexão interior. Daquela que ponderadamente nos aponta o rumo e mobiliza. 

Com uma força quase sobre-humana.

Digo "quase", porque na verdade todos somos capazes das maiores façanhas. Dos maiores milagres. Dos maiores feitos.

Basta acreditarmos. 

E metermos mão à obra.

Somos todos Mestres uns dos outros, Mestres de nós mesmos e Senhores do nosso destino. Somos responsáveis pelas nossas escolhas, a partir do momento em que decidimos celebrar a vida com toda a garra e com a noção clara de que ela é única, insubstituível, mágica e irredutível!

Que o cansaço e a dedicação de hoje se transformem no "milagre de amanhã"... para os mais desatentos.




sábado, 9 de janeiro de 2016

#207 É possível realizar os sonhos


Na foto, parte da família Luchapa. Nomeadamente dos órgãos sociais. A maior parte ainda está presente.

Há uns bons anos atrás (talvez uns 25 mais coisa menos coisa) imaginei uma Associação de artistas. Chamava-se ARTÉRIA.

Tinha encontros informais, nunca foi registada. Dela faziam parte artistas promissores e trocávamos experiências, celebrávamos a arte, dávamos vida a arquétipos e mudávamos paradigmas. Perspectivávamos o futuro.

Os anos passaram e os jovens seguiram o seu caminho.

Há cinco anos atrás conheci a super e única Raquel Costa co-proprietária do Chá da Barra Villa, desafiei-a e assim nascia a Associação Luchapa, sob o olhar atento do grande Mário Domingos e do meu velho cúmplice de caminhada Pedro Roque.

Primeiro registada, e meio ano depois com actividade iniciada a sério, ininterrupta.

Juntaram-se velhos amigos, desconhecidos e a magia tem acontecido.

Cultura e mais cultura, mas também intervenção social, apoio aos desfavorecidos.

Tem valido a pena. Continua e continuará a valer a pena. Hoje temos todos ali uma nova família que distribui sorrisos e abraços, indiscriminadamente.

Às vezes: é só acreditar e meter mãos à obra.


Vale para TUDO na vida.
  


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

#206 passo a passo


O que me interessa a passagem dos anos?

O que interessa o tempo que passou?

O que interessa a dimensão do que não se fez, do que se errou, do que se não construiu, do que partiu ou mesmo do que não aconteceu?

Interessa-me a dimensão do presente. O "aqui", o "agora", o "já"!
Interessa-me o futuro, mas sem lhe dedicar muito do meu tempo. 
Interessa-me o sorriso. Interessam-me os olhares. Interessa-me o amor, o abraço, o toque e o cheiro a felicidade.

Interessa-me o mar, o céu, a textura da terra e a vida que brota no mais ínfimo canto para onde coloco a minha atenção. 

E vejo verde esperança em tudo. Azul mar, azul céu. Laranja sol e ainda em amarelo. Vermelho amor. Castanho terra. O preto do luto que resolvo, passo a passo. E o branco da paz que se instala. 

Amo todas as cores, cheiros e sabores.

Degusto tudo isto, até que enfim acabe e a paleta de cores aumente e possa pintar pixel, sobre pixel em tons de luz múltipla radiante. Sempre colorida, transparente, fervendo história, carregando memória. 

Porque vivi. 



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

#205 Pela estrada do sonho



Pela estrada do sonho adentro, com destino à Felicidade.

Prazo máximo para a primeira etapa: este ano. Quando fazemos o que mais gostamos, não há grande esforço. Uma das magnas lições que a vida me ensinou.

Vamos sempre a tempo.

 Sempre.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

#204 A roda do dharma


A Roda do Dharma ou a Roda da Vida simboliza o ciclo de morte e renascimento, num loop contínuo, do qual apenas nos libertaremos no preciso momento em que atinjamos a iluminação suprema.

Sinto perfeitamente e de uma forma cada vez mais clara, esse ciclo, em particular no que me diz respeito.

Julgo que é muito isso: o "tal" DESPERTAR. 

Umas vezes sinto-o só, outras acompanhado, se bem que a companhia é uma doce ilusão, uma vez que estamos infinitamente sós e por isso mesmo paradoxalmente interligados, conectados, unidos, juntos, neste macrocosmos espiritual.

Encontrar a equanimidade pelas várias etapas percorridas, extrair os ensinamentos devidos e avançar, é tarefa dura.

Até porque há sitios dos quais confortavelmente não queremos sair. E outros que desconfortavelmente nos impelem a não voltar, ou nem ficar o tempo suficiente para APRENDER.

Como reagir então a tudo isto?

Como superar a perda, a dor, a mágoa, o ressentimento?

Como não nos apegarmos ao prazer, ao sorriso, aos afectos?

Lá está. Não é simples. Nada simples!


Mas ao menos já "percebi" isto tudo. Qualquer coisa, estou certo que já avancei. As ferramentas estão encontradas, o caminho entendido, o desfecho imprevisivel.

Espero que ler TE ajude também, a ti, visitante desconhecid@ que comigo te cruzas aqui pelo ciberespaço.

Ah e meditar, claro. É esse o caminho, mas depois AGIR.




domingo, 3 de janeiro de 2016

#203 a rosa branca desabrochou




Pessoas
Animais
Plantas
Lugares
Sentimentos
Memórias

E

T A N T A S t a n t a s    T A N T A S t a n t a s

h       i       s      t       ó      r       i       a       s

assaz fortes o suficiente para não serem meras 

e s t ó r i a s



Todos temos os nossos lutos para serem feitos

Hoje em dia já nem sei se é mais fácil fazer o luto de tudo o que parte, ou se é ainda mais difícil fazê-Lo do "imenso tudo", quanto fica em nós, mas que já não é nosso... Ou que nunca foi nosso, não obstante residir para sempre EM nós

S       E       I

m a s    n ã o    d i g o     

a   q   u   i  


Desde que me conheço que estou em luto 

Luto de tudo quanto de mim partiu e de tudo quanto em mim partiu,     

i   g   u   a   l    i   g   u   a   l   i   g   u   a   l

m          e         n         t        e 
   

 revisito o painel das memórias e saboreio as histórias, meio doces, meio amargas

convivo com Pessoas Animais Plantas Lugares Sentimentos Memórias
que já foram e já não são, 
mortas que agora estão

vivas que parecem
aos olhos todos que não as viveram

onde e como o que eu com elas ainda   S O U 

Vejo-as passar
Toco-as
Sorrio-lhes
Mas já se foram embora

E isso
d  ó  i

porque só eu sei

que 
NUNCA

as vou deixar partir 

. . .


a rosa branca desabrochou e dela saiu um odor tão 
perfumado 
mágico
belo

um magnífico

FOGO FÁTUO





sábado, 2 de janeiro de 2016

#202 Longe




i n u n d a s t e   o   m e u
ancestral 
S I L Ê N C I O
com tuas belas  p a l a v r a s  soltas  

e  s  c  u  t  e  i  -  a  s
sôfrego de alimento


mas soltaste-me 

e


c        a        í 




a princípio, o chão parecia tão delicado e meigo
mas

m     a     g     o     e     i     -     m     e    


tenho   m e  d o
tenho tanto frio


veste-me de novo
de 


T I .

#201 Caugh a Long Wind

 
https://vimeo.com/127354921

Caught a Long Wind - FEIST


Little bird, have you got a key
Unlock the lock, inside of me.
Where will you go, keep yourself a float,
Fearing old, run till the wings
Unfolding, caught me a long wind
Where will we go
Keep yourself afloat?
Caught a long wind
A long life wind
I got too know the sky
But it didn't know me
Got too see the light
The light on top of the sea
Be the burn, be the key
And the current tells
What the wave withheld
And light inside
Where the light will lie
Where will you go
Keep yourself afloat?
Caught a long wind
A long life wind
Like a swallow
A night owl
A little chickadee
Sad sparrow
Good morning bird
Good nightengale
I took a deep breath
And caught a long wind


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

#200 Receituário principal


Ora vejamos:

Alimentação de base restrita vegetariana;
Duas horas de meditação por dia;
Uma hora diária (pelo menos) de exercício físico;
Tempo diário para a escrita e composição, com vista à divulgação pública dos resultados;
Tempo diário para a leitura e audição;
Tempo diário para a contemplação da natureza;
Tempo diário para o manuseamento das taças "tibetanas" Peter-Hess e do Gongo "Buda".

A tudo isto se somará o regresso progressivo e intensivo ao ashtanga yoga, à conclusão da pós graduação em "Alternative medicines" na Indian Board Of Alternative Medicines e à conclusão do processo de certificação internacional em Master Coaching.

Pelo menos seis horas de sono diárias, é ainda o que se pretende, não obstante todas as outras actividades, responsabilidades e compromissos. 

Outros remédios ainda em estudo, mas com vista a serem introduzidos progressivamente, uma vez que irão produzir mudanças significativas e de carácter permanente na camada social. Consequências finais imprevisíveis, ainda que parte delas esperadas. 

Espero que o doente sobreviva...

Eis pois a receita (parcial) para a minha cobaia preferida. Vamos ver se ela cumpre e se funciona. Acredito que sim. De qualquer forma, a doença é grave e crónica, pelo que esperam-se resultados demorados, mas quem sabe de carácter duradouro. 

Querido ACASO:


sejas muito bem-vindo a 2016.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

#199 Em casa, de novo


"Eras" TU
...Se é que ainda serás.

Tempus fugit


Na caruma das folhas, encontro o toque da neblina que tenho por companhia nas noites mais frias.


Pode parecer estranho, mas o timbre que doravante escuto, é o da tua doce memória. As histórias não vividas, circunscrevem agora o meu tempo e delimitam de alguma forma o meu caminho.


Os anos passaram e operou em mim uma estranha textura que ora me cobre, ora me desnuda.

Não sei se pare, se chore, se ande. Se me comova, se me ria ou se simplesmente escreva, tendo-te por fiel depositária dos meus sentires que sempre foste, minha querida folha de papel... unida à tua sempre devota: caneta.


Nessa dança eterna, intensa, mágica até! eternizo mais um tempo que doravante me correrá nas veias e de mim de novo fará, o que de mim alguém esquecerá.


Essência versus impermanência.


Equanimidade, versus   a n s i e d a d e.


Bem-vinda de novo, minha querida e terna que desde sempre me acompanhas:




S    O    L    I    D    Ã    O




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

#198 E que tal um shot de REALIDADE?



Página no facebook. Não uma, mas duas, na sequência da candidatura por mim protagonizada nas eleições autárquicas passadas e do posterior ingresso na lista candidata às eleições legislativas, que culminou com a minha presença como deputado da Assembleia da República, em regime de substituição, uma vez que não fui eleito directamente. 

Experiência assaz curta, na sequência da mudança governativa... Não me deixa saudades. Mas fica aquela dúvida do que teria eu feito em determinadas situações da vida política portuguesa. Que momentos teria protagonizado no parlamento em nome de todos se... mas adiante.

Tenho presença no twitter
Google +.
Instagram
Whats'upp
Presença no linkedin. Mail profissional. Mail pessoal. Mail das duas presidências associativas que po ora detenho. Mail aqui do blogue.

Site armandosoares.pt revitalizado há pouco tempo e que levará nova actualização em breve.

Página no facebook e site da Associação Sem Fins Lucrativos Luchapa e página no facebook e ainda site da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Dafundo.

Ambas por mim presididas em regime de voluntariado até à data e ambas as páginas com novo lançamento em 2016.

E aqui os remediosdoacaso.blogspot.pt que são sem dúvida a "estrada onde mais me desnudo".

Epá. Chega!

Em todos estes fóruns do ciberespaço tenho marcado presença, na medida do possível. Pelo meio, tempo para ler, para escrever, para produzir e ouvir música. Natural tempo dedicado a trabalhar. Tempo para a vida pessoal. Tempo para estudar. Tempo para tratar do corpo físico. Tempo para meditar. Tempo para o voluntariado. Tempo para contemplar a natureza. Tempo para viajar.

Naturalmente que o "tal livro a ser editado", fica para trás. O "disco a ser gravado", fica para trás. A pós graduação em medicinas alternativas na Índia em Calcutá, não é terminada.

Ainda assim: fitoterapia terminada (medicina tradicional chinesa e ocidental). Terapia pelo som (taças  "tibetanas" Peter-Hess e gongos) terminada. Curso de produção musical terminado. Curso de Master Coaching feito, com certificação internacional a caminho. E podia recuar uns bons anos até às milhentas outras formações e ainda a licenciatura e... 

Ora tempos novos, novas atitudes. 

Observar o mundo e ver como o ciberespaço nos ocupa e preenche, ou naturalmente como o virtual substitui de alguma forma o contacto físico: tem sido matéria boa de análise, para um licenciado em sociologia.

A necessidade de feedbacks positivos ou mesmo negativos constantes, acompanhada de estratégias de marketing pessoal, anula-nos enquanto seres sencientes, não obstante a ligeireza como sempre encarei tudo isto. Entre a acumulação de carisma e a excentricidade natural, sempre preferi o culto da segunda. Conheço bem Pierre Bourdieu e o poder simbólico, mas há muito que me limito a ser eu mesmo e a sofrer as consequências (sempre boas) dessa assumpção.

Preciso de me desintoxicar. 

E nesta matéria, só os meus chás medicinais, infusões e plantas, não chegam. Não me chega sequer toda a terapia do som. É mesmo preciso algum SILÊNCIO.

Diminuindo brutalmente o ruído, continuarei, claro, a partilhar convosco os meus remédios por aqui.
Continuarei a aconselhar o viajante desconhecido que connosco se cruza pelo caminho, mas a abraçar ainda mais na realidade, a beijar ainda mais. A sorrir ainda mais, mas já não tanto apenas com o (smile :)  )

E obviamente a resolver os pendentes todos que se acumularam ao logo de quase 40 anos de existência. Depois, mas só depois: quem sabe voltarei.

Vou escrevendo por aqui, sem destino que não o de encher esta prateleira da minha farmácia, de novos remédios. Esta sim é uma das terapias em que acredito. Mas mesmo esta, sem regras, sem regularidade pré estabelecida, limitadora da minha liberdade. Até porque os remédios que aqui coloco: são intemporais.

Feliz 2016!