quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

#213 hope


Texturas que se multiplicam, entre o acordar dos sonhos que se escondiam em segredo, por detrás do Altar do Ilusório.

O arrepio na pele e a nitidez da vertigem que agora agarro, para nela descer até às profundezas dos meus circuitos neuronais, passou a ser o desígnio último que pontua a palavra à qual me dediquei. 

Hope - porque o estrangeirismo nem sempre é feio. Esperança - porque a alma lusa está carregada dela, dispondo histórias à minha frente com séculos de vivências. 

Templarismo condicionado ao grau e aos seus mistérios, que artisticamente se desnudam em papel seda e se deixam tocar, suave e docemente, enigmáticos, fascinantes. 

Orgasmo virgem de viagens que ganham corpo, voo que levanta para longe, maquilhado que está de sonhos puros e densos. 

Bebe o cálice até ao fim, de um trago só. Faz-me isso. 

E promete-me, só mais esta vez. 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

#212 renascendo a verdade


A dor do parto equivale à dor da derradeira partida. Ambas nos trazem algo de novo. Um novo início, ou no segundo caso: um novo fim.

Com o tempo aprendi a perceber que "só pode partir quem algum dia de facto esteve". Por outro lado, "quem se instala, eventualmente não parte".

Nem é bom nem é mau, calejado que estou já, da vida e do viver. Simplesmente É assim. 

Compreendo hoje que a verdade é sempre objectiva, sempre simples. Deambulamos todavia pela estrada da subjectividade adentro, apenas perante a ausência da verdade absoluta. Exercício retórico, considerações teóricas, manuseamento de matrizes. Tudo distracções da verdade objectiva e absoluta.

A verdade não precisa de artefactos. De explicações. A verdade é clara, visível e impõe-se sempre, porque: é a verdade. 

Por isso talvez seja tão difícil fugir-lhe. Ela persegue, cerca-nos e apanha-nos sempre.

Ainda assim, é tempo de preferir a paz a ter razão. De buscar a serenidade por contraposição à luta, por mais justa e pacífica que por ventura seja.

É tempo de deixar que a verdade se instale... calma, silenciosa, sem avisar.

Que também ela encontre o seu caminho e opere o que entender. Que mostre a Luz, mas também a Sombra. Que deixe sobressair e cheirar o aroma das doces flores perfumadas que anunciam a boa nova, mas também o odor pérfido e putrefacto dos sentires já mortos, que jazem inanimados, procurando descanso na tumba subterrânea das oportunidades perdidas. Ou das esquecidas... Ou das que aguardam ver o novo dia e definham quase sem esperança.  

Mas um novo dia nasce sempre. Nascerá sempre! Com mais ou menos verdade. Qui ça com a renovação da mentira, mas até ela de olhos postos no horizonte e da sua singela oportunidade de transformação, impermanente que é tudo o que: É.

Que se transforme então, qual pequeno ser que aspira a sair do seu casulo e permitir fazer-se magia, qual borboleta que ganhará asas e ascenderá até ao sol que brilha e que desponta do zénite ao nadir.

Que a paixão de Ícaro nos não persiga e nos deixe voar!

Voar... Voar.






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

#211 Estar a mais


Há alturas na vida em que ganhamos a clara consciência de "estarmos a mais". 
Podemos "estar a mais" em pessoas. Em lugares. Em situações. Em profissões. Em causas. Podemos até sentir que "estamos a mais" em nós mesmos e então aí, mudar.

É sempre um momento doloroso, o da partida. Seja do que for, tamanho é a apego que ganhamos por tudo quanto nos faz bem. 

Na mesma medida podemos, todavia, ganhar aversão do que nos faz mal e não extrair a devida lição, seja do que for.

É por isso importante meditar, reflectir, ponderar.

Mas e depois? Bom, depois:

AGIR.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

#210 o que não disse de David Bowie



Recebi a notícia com uma lágrima, mas com um ainda maior sorriso. David Bowie partia e deixava um álbum novo, onde até um tema, teledisco e a própria letra há: sobre a sua morte. Fabuloso! Desfolhei a imprensa e descobre-se que Bowie estava doente há muito tempo. Não se sabia, tal como dos avc's que tinha dito. 

Brilhante Bowie! Brilhante! Tudo preparado ao detalhe.

Um ser andrógino. Com tendência para o excesso. Excêntrico. Criativo. Visionário. Mal compreendido muitas das vezes. 

Naturalmente que assim, era difícil não gostar eu de David Bowie.

Mais por vezes do que da própria música, confesso, a minha ligação estava naturalmente criada ao personagem. Mas também ao David Bowie ortónimo, se me é permitida esta analogia com a escrita, escritor que também ele era, É e será. 

Fosse "esse" qual fosse, camaleão que era, o "re-inventor".

Simpatizo com Bowie, como com Pessoa. 

O segundo leio-o, o primeiro ouço-o. A ambos degusto a linguagem, o arrojo, a coragem. Ambos representam a heterogeneidade do ser humano. A sua pluridimensionalidade, em épocas diferentes, visitando artes diferentes.

Desnudaram algumas das camadas que todos temos, exibamo-las ou não. Os nossos lados mais secretos. Os nossos alter-egos, os múltiplos papéis que representamos. 

Assumir a diferença é difícil. Bem o sei, excêntrico que sou considerado em tanta coisa e escondido que permaneço, em tantas outras.

É que ter uma visão diferente da maioria, isolada por vezes até, dificulta a convivência neste mundo habituado a fabricar cópias, qual máquina reprodutora de medíocres, castradora da genialidade que reside em todos e em cada um.

De facto por vezes, é mais fácil estar calado. Sorrir apenas e acenar com a cabeça.

Ficamos todos mais "felizes" e saio com maior facilidade da eventual cena série B, no ambiente nocivo em que me vejo, nessas alturas.

É difícil fugir à contaminação. É difícil manter a coragem de sabermos quem somos, mesmo quando necessariamente nos transvestimos de nós mesmos.

Mas o espelho da alma não mente. Olho, observo-me com calma e reconheço-me.  

Enquanto assim for: há esperança.


#209 O ego e o sorriso


Na foto, um praticante de meditação transcendental em pleno "voo ióguico", detentor que é deste importante siddhis. Quem o sabe não o exibe, daí a escassez de documentação desta matéria.

Ainda bem.

A armadilha do ego coloca-nos constantemente à prova.

Por vezes, julgamos que somos demasiado importantes para outrem. Ou então somos reféns da nossa própria imagem, construída por nós mesmos. 

No fundo, termos ou não cultura; sermos ou não belos por fora; possuirmos ou não dinheiro em quantidade e por aí adiante, não podem nem devem ser a medida de avaliação suprema do que realmente importa.

No momento em que despertamos: só há AMOR. 

Depois, é difícil manter esse estado, sujeitos que somos a todas as pressões externas.

Mas temos a responsabilidade de o resgatar vezes sem conta, a todo o instante. E de lembrar aquele sorriso que um dia ostentamos. Não o sorriso fácil, mas O sorriso! sincero, firme, duradouro, verdadeiro na sua plenitude, constante, eterno.

Não é fácil.

E hoje, dia do teu aniversário, parabéns Maharishi Mahesh Yogi, pelas várias gerações de ocidentais meditantes que conseguiste. 

Jai Guru Dev!