sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

#211 Estar a mais


Há alturas na vida em que ganhamos a clara consciência de "estarmos a mais". 
Podemos "estar a mais" em pessoas. Em lugares. Em situações. Em profissões. Em causas. Podemos até sentir que "estamos a mais" em nós mesmos e então aí, mudar.

É sempre um momento doloroso, o da partida. Seja do que for, tamanho é a apego que ganhamos por tudo quanto nos faz bem. 

Na mesma medida podemos, todavia, ganhar aversão do que nos faz mal e não extrair a devida lição, seja do que for.

É por isso importante meditar, reflectir, ponderar.

Mas e depois? Bom, depois:

AGIR.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

#210 o que não disse de David Bowie



Recebi a notícia com uma lágrima, mas com um ainda maior sorriso. David Bowie partia e deixava um álbum novo, onde até um tema, teledisco e a própria letra há: sobre a sua morte. Fabuloso! Desfolhei a imprensa e descobre-se que Bowie estava doente há muito tempo. Não se sabia, tal como dos avc's que tinha dito. 

Brilhante Bowie! Brilhante! Tudo preparado ao detalhe.

Um ser andrógino. Com tendência para o excesso. Excêntrico. Criativo. Visionário. Mal compreendido muitas das vezes. 

Naturalmente que assim, era difícil não gostar eu de David Bowie.

Mais por vezes do que da própria música, confesso, a minha ligação estava naturalmente criada ao personagem. Mas também ao David Bowie ortónimo, se me é permitida esta analogia com a escrita, escritor que também ele era, É e será. 

Fosse "esse" qual fosse, camaleão que era, o "re-inventor".

Simpatizo com Bowie, como com Pessoa. 

O segundo leio-o, o primeiro ouço-o. A ambos degusto a linguagem, o arrojo, a coragem. Ambos representam a heterogeneidade do ser humano. A sua pluridimensionalidade, em épocas diferentes, visitando artes diferentes.

Desnudaram algumas das camadas que todos temos, exibamo-las ou não. Os nossos lados mais secretos. Os nossos alter-egos, os múltiplos papéis que representamos. 

Assumir a diferença é difícil. Bem o sei, excêntrico que sou considerado em tanta coisa e escondido que permaneço, em tantas outras.

É que ter uma visão diferente da maioria, isolada por vezes até, dificulta a convivência neste mundo habituado a fabricar cópias, qual máquina reprodutora de medíocres, castradora da genialidade que reside em todos e em cada um.

De facto por vezes, é mais fácil estar calado. Sorrir apenas e acenar com a cabeça.

Ficamos todos mais "felizes" e saio com maior facilidade da eventual cena série B, no ambiente nocivo em que me vejo, nessas alturas.

É difícil fugir à contaminação. É difícil manter a coragem de sabermos quem somos, mesmo quando necessariamente nos transvestimos de nós mesmos.

Mas o espelho da alma não mente. Olho, observo-me com calma e reconheço-me.  

Enquanto assim for: há esperança.


#209 O ego e o sorriso


Na foto, um praticante de meditação transcendental em pleno "voo ióguico", detentor que é deste importante siddhis. Quem o sabe não o exibe, daí a escassez de documentação desta matéria.

Ainda bem.

A armadilha do ego coloca-nos constantemente à prova.

Por vezes, julgamos que somos demasiado importantes para outrem. Ou então somos reféns da nossa própria imagem, construída por nós mesmos. 

No fundo, termos ou não cultura; sermos ou não belos por fora; possuirmos ou não dinheiro em quantidade e por aí adiante, não podem nem devem ser a medida de avaliação suprema do que realmente importa.

No momento em que despertamos: só há AMOR. 

Depois, é difícil manter esse estado, sujeitos que somos a todas as pressões externas.

Mas temos a responsabilidade de o resgatar vezes sem conta, a todo o instante. E de lembrar aquele sorriso que um dia ostentamos. Não o sorriso fácil, mas O sorriso! sincero, firme, duradouro, verdadeiro na sua plenitude, constante, eterno.

Não é fácil.

E hoje, dia do teu aniversário, parabéns Maharishi Mahesh Yogi, pelas várias gerações de ocidentais meditantes que conseguiste. 

Jai Guru Dev!



domingo, 10 de janeiro de 2016

#208 As coisas boas, levam o seu tempo


Resultados rápidos! De preferência duradouros.

Que não custem muito. Que sejam fáceis de alcançar. Que sejam grandes vitórias!



NATURALMENTE: (pelo menos para mim) ISSO NÃO EXISTE. 


Estou habituado no que verdadeiramente interessa, a lutar com afinco e dedicadamente.

Claro que isso ao longo dos anos, tem desenhado em mim uma couraça quase indestrutível.

Confesso que me dá muito gozo que a vida seja assim para mim. Farto-me de tudo o que é fácil, desinteresso-me mesmo, a maior parte das vezes.

Gosto do sabor do desafio. Da concretização do "impossível". Gosto que me tentem desmobilizar. Que me digam para não ir. Para não fazer. Que "não vai dar". Que "é errado". Que "parece mal".

Quando estou convicto do caminho, a todos ouço e alicerço a minha convicção. Raramente algo me demove, a menos que fundadamente passe a subscrever uma nova visão.

Claro que por vezes sabe bem olharmos em volta e sentirmos companhia. E atenção que  não é de liderança grupal, tribal, que aqui falo.

Falo sim das minhas decisões interiores, daquelas que essencialmente a mim afectam, moldam e perspectivam o futuro.

Paralelismo seja feito, tal como nas decisões que dizem respeito à liderança de qualquer equipa, sempre apreciei a insubstituível solidão da reflexão interior. Daquela que ponderadamente nos aponta o rumo e mobiliza. 

Com uma força quase sobre-humana.

Digo "quase", porque na verdade todos somos capazes das maiores façanhas. Dos maiores milagres. Dos maiores feitos.

Basta acreditarmos. 

E metermos mão à obra.

Somos todos Mestres uns dos outros, Mestres de nós mesmos e Senhores do nosso destino. Somos responsáveis pelas nossas escolhas, a partir do momento em que decidimos celebrar a vida com toda a garra e com a noção clara de que ela é única, insubstituível, mágica e irredutível!

Que o cansaço e a dedicação de hoje se transformem no "milagre de amanhã"... para os mais desatentos.




sábado, 9 de janeiro de 2016

#207 É possível realizar os sonhos


Na foto, parte da família Luchapa. Nomeadamente dos órgãos sociais. A maior parte ainda está presente.

Há uns bons anos atrás (talvez uns 25 mais coisa menos coisa) imaginei uma Associação de artistas. Chamava-se ARTÉRIA.

Tinha encontros informais, nunca foi registada. Dela faziam parte artistas promissores e trocávamos experiências, celebrávamos a arte, dávamos vida a arquétipos e mudávamos paradigmas. Perspectivávamos o futuro.

Os anos passaram e os jovens seguiram o seu caminho.

Há cinco anos atrás conheci a super e única Raquel Costa co-proprietária do Chá da Barra Villa, desafiei-a e assim nascia a Associação Luchapa, sob o olhar atento do grande Mário Domingos e do meu velho cúmplice de caminhada Pedro Roque.

Primeiro registada, e meio ano depois com actividade iniciada a sério, ininterrupta.

Juntaram-se velhos amigos, desconhecidos e a magia tem acontecido.

Cultura e mais cultura, mas também intervenção social, apoio aos desfavorecidos.

Tem valido a pena. Continua e continuará a valer a pena. Hoje temos todos ali uma nova família que distribui sorrisos e abraços, indiscriminadamente.

Às vezes: é só acreditar e meter mãos à obra.


Vale para TUDO na vida.