sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

#197 O PECADO


O PECADO

Rancor. Ego. Raiva. Ódio. Angústia. Mágoa. Dor. Tristeza. Posse. Inveja. 

Ao longo dos anos, tenho reflectido muito sobre estas e muitas outras palavras. Sobre o seu real significado. Sobre as sensações que nos provocam, as lesões que nos causam e o carácter de transitoriedade e impermanência (felizmente) de que afinal de contas, todas se revestem.

Alguns episódios recentes, demonstraram-me uma vez mais que nem tod@s conseguimos ultrapassar com total rapidez alguns destes pecados, destes vícios.

É de facto difícil assumirmos a compreensão de que somos seres espirituais apenas experimentando uma condição física e de que afinal o objectivo último é aprender, crescer, evoluir, experimentar situações, sensações e delas extrair profundos ensinamentos.

Sou feliz por aos 38 anos e ainda bem antes disso, estar plenamente consciente dessa matéria, não obstante alguns erros em que persisto, humano que sou: logo imperfeito.

A chave, continua ser QUERER evoluir. Em se SER inteiro, por contraposição a meras parcialidades. E obviamente perdoar! Perdoar indiscriminadamente. Independentemente da dor que nos for provocada. Aos outr@s que nos ferem e essencialmente a NÓS mesmos. 

Porque nunca há uma única visão parcelar do mesmo acontecimento. Há sim uma vivência, uma observação sempre inquinada, porque invariavelmente carece de imparcialidade. De necessária  equidistância.

E essa equidistância e imparcialidade, pode (ou não) surgir com a passagem do tempo. Com esse tremendo conselheiro e mestre separador da essência do assessório. Da forma, do conteúdo. Do trigo, do joio. 

Sou hoje melhor do que era ontem. Certamente pior do que amanhã. Porque caminho, passo a passo, polindo a pedra bruta e construindo o mais belo templo interior, onde só habitam o amor, a virtude e a compaixão.

É um caminho longo, qui ça sem fim, mas continuo caminhando com o meu melhor sorriso nos lábios.

Mas... uma vez mais, permito-me estar orgulhoso do intenso trabalho que tenho feito. E é precisamente para tod@s vós, que comigo se têm cruzado e que dessa forma para ele têm contribuído, que uma vez mais deixo o meu eterno obrigado.

Pela dor, pelo prazer, pela atenção que me concedem ou mesmo pela indiferença. Até porque nada nos escapa, quando estamos despertos.

Até ao derradeiro despertar: caminhemos e observemos em equanimidade. 

Observemos!



Observemos.




quarta-feira, 1 de julho de 2015

#196 Era uma vez um desenho de Ganesha.


Ganesha (hinduísmo) é considerado o Mestre do intelecto e da sabedoria. Ele é representado como uma divindade amarela ou vermelha, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado num rato, numa alusão ao absurdo. 

Ganesha é o símbolo das soluções lógicas e deve ser interpretado como tal. Simboliza força, coragem, perseverança, inteligência, doçura e lealdade.

Filho de Shiva e Parvati, retrata um episódio onde se prova que nem a morte constitui per si um obstáculo.

O seu corpo é humano, enquanto que a cabeça é de um elefante; ao mesmo tempo, o seu transporte (vahana) é um rato. Desta forma, Ganesha representa uma solução lógica para os problemas que por vezes estão precisamente no paradoxo: é o "Destruidor de Obstáculos”. 
  • A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
  • O facto de ele ter uma única presa (a outra estando partida e a ser usada como caneta) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo; é descrito também que ele retirou a sua outra presa para escrever os Vedas (os primeiros livros sagrados da humanidade), quando estes foram compilados por Vyasadeva, tido como encarnação literária de Deus, responsável pela escrita da literatura sagrada na actual era em que vivemos, retirando o conhecimento da oralidade;
  • As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para reflectir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar ideias. As orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também o é;
  • A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;
  • Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele; também representam os chamados "três modos da natureza material", bondade, paixão e ignorância, que são superados por Ganesha e seu pai, Shiva.
  • A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
  • A posição das suas pernas (uma em descanso no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de "viver no mundo sem ser do mundo”. Ainda assim, nesta imagem encontramos Ganesha sentado no seu trono;
  • Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo subtil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a pura consciência – o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;
  • A mão a segurar uma machadinha, é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha, Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da rectidão;
  • A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote fala-nos que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;
  • A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);
  • A quarta mão segura uma flor de lótus (padma) e ela simboliza o mais alto objectivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.§
Nesta imagem estão incluídos dois tambores, sendo que no tambor esquerdo estão representados os símbolos yin e yang (feminino e masculino) da cultura chinesa.

Na mão de Ganesha direita (a palma da mão à nossa esquerda, que vemos virada para nós), está o olho de Hórus (Udyat). Representa a Luz e o Deus Sol. É um dos mais poderosos e importantes amuletos usados desde sempre no Antigo Egipto.

Precisamente o olho esquerdo representa a informação abstrata, controlado pelo lado direito do cérebro, é representado pela lua, e simboliza um lado feminino, com pensamentos e sentimentos, intuição e a capacidade de vislumbrar um lado espiritual. É também esse, o do logotipo da Luchapa.

Em baixo, encontramos novamente a flor de lótus e toda a sua simbologia inerente (por exemplo para os budistas a pureza do corpo e da mente), com Ganesha inscrita numa pirâmide, rodeada de penas ancestrais índias, alusiva a mais esse conhecimento cultural ancestral. No seu colorido de cores primárias, destacamos o verde perto do vermelho, alusivo à pátria e à nacionalidade.

O livro: 

Na página à nossa esquerda, está inscrita a palavra em língua sânscrita para que define uma situação do acaso, denominada, kakataliya. Esta palavra é composta por kaka, que significa corvo, e tala, que significa palmeira. Traduz-se como o exemplo 'do corvo e a palmeira'. No entanto, numa tradução livre, mas que apontasse para a intenção do vocábulo, poderíamos dizer que kakataliya significa: 'coincidência acidental’.

Antes mesmo do Yoga Vashishtha, o Nyaya Sutra ('Aforismos sobre a Lógica'), um texto do século VI dC atribuído ao sábio Akshapada Gautama,também cita a falácia do corvo na palmeira expondo a seguinte hipótese: um corvo pousa num coqueiro. No mesmo instante, um coco maduro desprende-se da árvore e cai. 

Embora esses dois fatos estejam aparentemente vinculados no tempo e no espaço, não existe uma relação causal entre eles. Às vezes, é isso o que acontece na vida. Porém, a mente, confinada dentro de seus próprios limites lógicos, tende a criar um nexo entre os acontecimentos, inventando um 'portanto' e um 'então...' para satisfazer-se.

Assim, se alguém, por exemplo, reza para que algo aconteça, e isso coincidir com a realização daquele desejo, a pessoa tenderá naturalmente a acreditar que existe uma conexão causal entre a reza e a realização. Desta maneira, a pessoa desenvolve a idéia de que é possível forçar Ishvara (o Ser manifestado na forma da criação) a agir de acordo com seus próprios desejos e vontades. Dessa maneira, aquilo que parece uma sucessão verossímil de acontecimentos conectados, não passa de uma falácia, algo que parece verdadeiro, mas não é…

Essa falácia exposta na filosofia hindu foi igualmente postulada na filosofia grega pelo grande Aristóteles, que afirmou: post hoc, ergo propter hoc

Traduzindo: 'Depois daquilo. Portanto, provocado por aquilo'. Em suma, o que a falácia aristotélica diz é: 'Isto aconteceu depois daquilo. Como aconteceu depois, isto só pode ter sido provocado por aquilo'. O coco caiu da palmeira depois do corvo pousar nela. Consequentemente, o pouso do corvo provocou a queda do coco. 

Essa falácia, que ficou conhecida como post hoc, pode ser resumida da seguinte maneira:

1. A aconteceu antes de B.
2. Portanto, B foi produzido por A.

O corolário deste falso silogismo é que, quando B é algo indesejável, evitar A, certamente irá ajudar-nos a evitar B. A tendência a cair neste tipo de pensamento sofismático é natural, já que o sequenciamento de eventos na linha do tempo nos faz pensar que cada evento deriva e está conectado com o anterior, em todos os casos. 

A lei do karma naturalmente é o princípio de causalidade, em que cada evento se origina no anterior e dá lugar, por sua vez ao seguinte. No entanto, é preciso compreensão para ver onde existe conexão causal entre eventos sucessivos e onde essa associação é apenas um produto da nossa mente. 

Cabe lembrarmos que este tipo de falácia é uma conclusão tirada unicamente sobre o sequenciamento dos eventos percebidos desde a perspectiva de quem interpreta, desconsiderando todos os demais factores não percebidos pela testemunha, mas que possam intervir ativamente na situação.

Finalmente na página direita do livro, encontramos a palavra “ACASO”, neste encontro entre a significação rica e complexa do sânscrito e a ocidentalização nem por isso menos pura, neste caso... do acaso. 

Este desenho no seu todo, representa o paradoxo da causalidade e o da não causalidade das coisas. Uma mescla de culturas e sabedorias: chinesa, hindu, índia e egípcia. 


No topo, encontramos o símbolo Om (que também é a simbólica de Ganesha), que é precisamente a representação corporal do cosmos inteiro (tudo é som, frequência e vibração), carregado por um escorpião que: morde com o seu doce veneno "mortal".

Morte e renascimento.


domingo, 19 de abril de 2015

#195 Tempus fugit


Essa estranha forma que a saudade tem, é porque a ausência: nela encontrou um meio, de se fazer sentir presente.

Tornou-se habitual na minha vida sentir pois: SAUDADES. Volta e meia aqui falo nisso.


Saudades de pessoas. 

Saudades de coisas.

Saudades de situações.

Saudades... mesmo do que nunca viverei... nesse bizarro diálogo entre passado, presente e futuro... Nesse tempo verdadeiramente novo, que a minha saudade tem.

Que SÓ ela, tem. 

Por isso, tomo também a saudade como companhia. Mergulhado em nostalgia que tempero com esperança, pontuada por episódios que ecoam no espaço das minhas memórias.

Tempo - esse mero acordo social, essa irrelevante falácia que nos trava o sonho, que o mata se deixarmos, até. 

Não tenho mais tempo, mas tenho todo o tempo do mundo... porque não mais deixarei: que o tempo mande em mim.

Há muito já, que dei as boas-vindas: à ETERNIDADE.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

#194 Um poema do "meu" Hermann Hesse


Quanto mais envelhecia,
quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava,
tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida.
Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada.
Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada.
Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim.
Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar.
Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.



segunda-feira, 2 de março de 2015

#193 Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam


O tempo é uma falácia
porque quando se ama
temos todo o tempo do mundo

a vida corresponde
apenas a um hiato tempo
que medeia o espaço eterno
a existência
deste corpo frágil

Sempre chegamos aonde nos esperam
seja quando for
seja aonde for

esse sítio



nem que à espera
para nos dar "aquele" abraço

estejamos

apenas




nós






mesmos.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

#192 VITÓRIA À VISTA


Este é o ano, em que decidi recuperar o tempo que não volta atrás, mas que pode ser o tempo que marcará em definitivo os novos tempos que aí virão... confusos(as)?

Nada de complicado. 

Decidi num curto espaço de tempo (um ano para já) estudar como nunca o fiz, afincadamente e com precisão. Mas as matérias que gosto e através das quais poderei ajudar muita gente - (o objectivo habitual, sendo que também a mim acrescentei à lista, desta vez).

Relembro as notas máximas que tive quando me apliquei a sério, em tudo quanto me empenhei.

Relembro a saúde que resgatei a ferros, quando parecia predestinado a morrer sem chegar à idade adulta. Relembro o princípio de raquitismo. A tosse convulsa. As seringas de cortisona. A bronco-pneumonia com derrame pleural e a meia hora de vida que me restava, segundo a equipa médica. Relembro as vacinas estrangeiras, das quais fui cobaia portuguesa. O corpo que supostamente não se desenvolveria (LOL) - toma lá que fiquei em pré-competição na natação só para te contrariar ó destinozinho! :P

E aí... páro para pensar. Contemplo a Fitoterapia (farmacopeia chinesa e indiana), sigo de perto a homeopatia e a naturopatia.

Contemplo a medicina ayurvédica no seu todo. Contemplo a terapia através do som, nomeadamente as taças "tibetanas" (Peter-Hess) e os gongos.

Contemplo a meditação transcendental, a vipassana e outras que ainda irei estudar.

Contemplo outras áreas de interesse. E de repente já não só contemplo... Já mergulhei a fundo! Recordo os tempos em que me inscrevi... já comecei... já avancei... qualquer dia, já terminei! (sim, porque algumas já cá cantam e com distinção).

Ah e tal como é que conseguiste? Tão rápido? Comeste quantos anos de seguida? Como é possível? Nunca tinhas tempo!

E eu direi que: "quem menos tempo tem, é quem arranja sempre tempo.!

Quando quero muito uma coisa, acreditem: sou imparável. E muito rápido a mudar de rumo. Se ACREDITAR.



Disse.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

#191 O CAMINHO PARA CASA


Aos poucos o caminho vai sendo feito, as malas fechadas e a bagagem arrumada. 

Mas qual bagagem? 

Desconfio que não levo nada comigo... a mala que insiste em não querer ser feita, revela a imensidão do vazio, que é presumivelmente mais forte.

Os segundos que o tempo devora avidamente, misturam-se por entre as memórias (aconteceu mesmo?) que teimo em guardar, mas que delicada e suavemente me escorrem, pelas mãos fora. Continuo firme e espero... Mas não acontece: NADA

Contemplo a paisagem que de exótica e imberbe, se revela banal e gasta. Esfrego os olhos para tentar ver de novo o que se esfuma. Cheira a bafio... mas o incenso era tão belo e brilhava tão bem!

As lágrimas de sangue caem a meus pés e resvalam na areia que o sol rapidamente seca, passado segundos... mas que eu ainda contemplo vermelha - fenómeno ocular?

Espero todavia, pacientemente, que surja o sinal esperado. Que as estrelas se revelem, que as nuvens se afastem e que no lugar do temporal, apareça rapidamente o imponente arco-íris de belas cores, que me dá alento e esperança.

Claro que não há dia de chuva que não tenha, ainda assim, o seu sol... Pois também a mim, tem ele enfim, surgido. Umas vezes tímido, outras mais reluzente.


PROFUNDAMENTE GRATO!


Ainda assim... a tempestade forte instalou-se, com todas as suas forças e troveja violentamente.

Há muito que não me metem medo esses vendavais, mas confesso que a força, desta vez impressiona...

Faz-me pensar se somos nós que enfraquecemos, se simplesmente nos esquecemos do quanto somos fortes, ou se afinal o adversário é verdadeiramente mais capaz desta vez... É incrível e assustadoramente forte, como só a força da Natureza o é. 

Compreendo. Os extremos tocam-se... claro que tenho medo.

Mas no fim, sairei vencedor! Como sempre e porque não há intempérie que não tenha o seu fim, apesar das penosas marcas... sei disso.

E porque a Luz que me acompanha, (de dentro para fora), se reafirmará, rejubilará e resplandecerá... Porque se alimenta de MIM e lhe dou matéria viva de pura alma e múltiplas cores. Porque lhe dou inúmeros sorrisos para que se alimente, boas acções para que se instale e compaixão plena (ainda que nem sempre fácil) para que irradie e se misture no todo.

Tenho pena... mas não sei quem a verá comigo, nesse espectáculo tão maravilhoso de se ver.

Presumo que: 



observará comigo tão ímpar cenário, apenas quem tiver lutado, ficado e sobrevivido. Nem que seja a minha solitária imagem reflectida no espelho, que tenho desde tempos imemoriais: por fiel companhia.




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

#190 A DESILUSÃO




Hoje, inspirado em Augusto Branco e Sarah Westphal, aqui vos deixo um ensaio sobre: "A DESILUSÃO".


As pessoas mentem. É um FACTO! A verdade, é que às vezes sofremos desilusões, muito por causa das mentiras que as pessoas contam e raramente estamos preparados para isso.

Mas é preciso também, saber separar o trigo do joio e entender que há pessoas que mentem deliberadamente, porque querem o teu mal. Mas... também há aquelas que mentem, porque gostariam de te ver melhor, ou de serem melhores para ti.


Algumas pessoas podem achar que a realidade pode ser apresentada melhor se fantasiada um pouco, e aí a mentira é "quase inocente". 

Assemelha-se a um desejo ou a um sonho, e não se deve subjugar o valor destas pessoas por isso. 

Em alguns casos, podemos dizer que a "mentira é como uma casca", que uma vez descoberta, deve apenas ser atirada borda fora. Nas pessoas, obviamente o que vale não é o frasco, mas sim a essência.


Mas... ainda pior que a convicção do "não" e a incerteza do "talvez" é a desilusão de um quase. 

É o "quase" que me incomoda, que me entristece, que me mata e traz tudo que poderia ter sido e não foi. Quem "quase" ganhou ainda joga, quem "quase" passou ainda estuda, quem "quase" morreu está vivo, quem "quase" amou não amou. 

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes: o que nos leva a escolher uma vida morna? Ou melhor ainda: não pergunto, contesto! Refuto! A resposta eu sei de cor, fruto de anos que não vêm só desta vida...

Está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença de tantos "Bom dia", quase que sussurrados timidamente.

É que sobra cobardia e falta a coragem até para se ser feliz! A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.


Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor: sentir o nada. Mas não são. 

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance... para as coisas que não podem ser mudadas, resta-nos somente paciência. Mas não confundir com resignação!

Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória: é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, oportunidade; para os amores impossíveis, tempo. 

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor: não é romance. Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de tentar.

E entre o apego e a aversão, encontra o que te faz sorrir, o que te move e faz quebrar barreiras. O que nesse sentido te apaixona, mas sem te aprisionar num enredo que não te faça bem.

Desconfia do destino e acredita em TI. Gasta mais horas a realizar que a sonhar, mais a fazer do que a planear, mais a viver do que a esperar... porque, embora quem quase morre esteja vivo... quem quase vive: já morreu. Ou qui ça... nem nunca sequer ainda "nasceu".

EU?



EU CÁ: VIVO! Livra!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

#189 A espinha dorsal


Honrarmos o nosso pensamento, nem sempre é simples. É aliás cada vez mais difícil,  para mais nos tempos que correm, em que muitos de nós são escravos do dinheiro.

Resistir pois à tentação de não pensarmos pela nossa cabeça, não é tarefa fácil. Como não é fácil honrar sempre a palavra dada, não é fácil ser sempre honesto, não é fácil ser-se sempre verdadeiro. Em toda e qualquer situação. Sem excepções.

Não é garantidamente fácil, mas um dia "o difícil torna-se natural" e instala-se o óbvio: só esse pode ser o caminho.

Cada dia que passa me apercebo disso e cada vez fico mais feliz por ser quem sou, pelas minhas opções, pelos erros cometidos e a compreensão que deles tenho extraído e pela minha feroz determinação em levar avante aquilo em que acredito.

Mesmo que isso me cause alguns dissabores, continuarei sempre o mesmo nessa matéria. Vamo-nos decepcionando, mas a vida e mesmo assim.

Quanto a mim, continuo! 

Antes morrer de pé, que uma vida inteira de joelhos! - uma frase que me acompanha desde sempre.

Opções.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

#188 ...3º ANIVERSÁRIO DA LUCHAPA!


Como o tempo passa... ainda "ontem" quatro figuras se dirigiram ao Tribunal de Cascais e algures numa sala onde funcionava o registo de Associações, registavam uma de seu nome LUCHAPA - Lugares com Chá e Passado. Sem Fins Lucrativos, virada para a cultura e as artes.

Estávamos a meio de 2011. 

Seguiu-se meio ano de planificação do que se pretendia, eleições para os órgãos sociais e eis que a 9 de Janeiro de 2012 nos lançamos em pleno, com a nossa primeira conferência, depois de no dia anterior se ter feito uma experiência com uma actividade dirigida ao público infantil, também ela muito meritória.

Estavam lançadas as sementes, sobre o olhar atento do olho de Hórus, sob o signo da sensibilidade, com ênfase no lado feminino. 

A conferência foi um sucesso. Tratava-se da primeira "Conversa ao Luar", em noite de Lua Cheia, sobre  o tema: "Ritos e rituais do antigo Egipto, até aos dias de hoje".

Nunca mais parámos! 

Seguiram-se cada vez mais actividades, cada vez mais ciclos, cada vez mais aulas, workshops, concertos, exposições... eu sei lá que mais! 

E... da inicial exclusividade dedicada às artes e à cultura: prosseguimos caminho para a intervenção social e comunitária.

Iniciou-se o apoio semanal e ao longo de todo ano, aos sem abrigo. O auxílio a famílias carenciadas... dentro e fora de Oeiras, porque a fome, a sede, o frio e a falta de afecto, não têm: não podem ter barreiras geográficas!

Aumentamos a recolha de bens alimentares, de roupas, de brinquedos para as crianças que os não têm...

Fomos invadidos por uma gigantesca onda de solidariedade que hoje em dia não tem fim... apareceram mais e mais voluntários... e a nós se juntaram!

Dos primeiros quatro a registarem a Associação, um deles (Mário Domingos) lançou o seu primeiro livro de poesia e partiu pouco depois para aquele Oriente que é eterno... para o qual todos iremos um dia.

Esta terça-feira dia 13 de Janeiro, pelas 19h e na belíssima Casa de Chá do Palácio do Egipto, no centro histórico de Oeiras (Chá da Barra Villa) onde temos a nossa "sede filosófica": iremos celebrar o nosso 3º aniversário! 

Hórus, Ísis e Osíris estarão presentes na nossa festa de aniversário. Assim como a trindade hindu de Brahma, Shiva e Visnhu. Ou a trindade cristã de Pai, Filho e Espírito Santo. Ou a cabalística de Kether, Chokmah e Binah. Ou a trindade alquímica de Nigredo, Rubedo e Albedo. Ou a familiar de Pai, Mãe e Filho.

Tudo com a observação dos três planos: material, espiritual e físico.

A Luchapa é e será sempre: UNIVERSAL.


Do programa curto mas preparado com carinho, constará o início do novo ciclo de "Poesia com Chá", que tão afectuosamente o Mário Domingos desejava dar vida e ver voar.

Iremos pois, declamar poemas dele e de Eugénio de Andrade, com música original composta para o efeito, nesta grande festa poética, celebrando a vitória sobre medo de realizar os sonhos.

...e depois a noite continuará, com música ambiente, muitos sorrisos sinceros e muitos abraços de verdade... apareçam! A entrada é livre.


E acreditem:



NADA HÁ NADA MAIS REAL QUE A UTOPIA. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

#187 NÃO TENHAMOS MEDO, JAMAIS.


Este um texto (breve) sobre o livre pensamento e sobre a liberdade de opinião:

1. Condeno veementemente os ataques perpretados em França, a um jornal cujo "crime cometido" é parodiar, brincar e utilizar a sátira e o humor, de uma forma assaz inteligente e versando tudo e todos... e não apenas alguns. Concorde-se sempre ou não com as caricaturas: devem ser livres de o fazer. SEMPRE;
2. Condeno todo e qualquer tipo de violência, em toda e qualquer situação, com excepção de legítima defesa;
3. A política e a religião, lamentavelmente ao longo da história, têm-nos habituado a derivas de fanatismo, cuja base alegadamente ideológica de uns e de outros, serve para alimentar e justificar actos de violência e/ou atrasar/limitar o avanço social. Veja-se o exemplo "cristão" das cruzadas cristãs no passado com as conversões à "fé" pela utilização da força; da inquisição; da queima e proibição de livros; nos atrasos científicos vários, etc, etc. 

Outras religiões a coberto da fé (chame-se o livro sagrado "Tora", "Bíblia", "Corão", ou outros) demonstraram também até que ponto são capazes de ir, para tentarem impôr a sua "verdade".

Todos, julgo eu, temos presente o eterno conflito entre a China e a população pacífica do Tibete - uma vez mais, a religião no epicentro...

No caso do alegado "Estado Islâmico", (que alguns tentam desesperadamente impôr, uma vez mais pelo uso da força, pelos assassínios, pela política do medo), temos novamente uma deriva fanática religiosa que se julga detentora da verdade.

TODAS as religiões ou partidos políticos que tentem impôr a sua "verdade" através de qualquer forma de violência física, estrutural, ou mental, são condenáveis à luz da mais elementar Liberdade.

Não quer isto dizer que as leituras de uns, sejam as leituras de outros. Que "ter-se fé neste ou naquele Deus ou em nenhum, seja errado".

O que não podemos, é impôr a nossa verdade a ninguém, nem atentar contra a liberdade individual de cada um.

...Mas como se "combate" gente que não tem medo de morrer? Sinceramente, sinto que estamos numa espiral de violência que não irá nunca acabar bem... mas o que sei, é que a liberdade não tem preço. 

Jamais terei medo em ser livre, pague ou não esse preço com a vida, sendo que para defender a liberdade de todos (mesmo os que de mim discordem, poderem livremente de mim discordar) irei sempre até ao fim.

__

* Ia falar do Gustavo Santos (sabem quem é?) e do que ele escreveu sobre o atentado em França... Mas como nem sempre discordo com ele (no meio de uma infinitude de pensamentos e verborreias pseudo-intelectuais, às vezes até acerta) neste caso quero acreditar que quis só ir contra a corrente e ganhar mais exposição pública. Claro que se pensa como diz (é livre), eu sou livre de achar que ele é estúpido.

Mais uma nota que saúdo: foi a de saber que a Maçonaria em França (Grande Oriente) está activa no combate pela defesa dos ideais que proclama também como seus, desde a sua fundação (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) ao contrário de tantas "pseudo-maçonarias" que conheço e "pseudo-maçons" de meia tigela, que nada mais querem que não fazer negócios e contactos para as suas vidinhas. 

Não é essa a Maçonaria de homens e mulheres livres e justas, que acredito ainda existir; tal como não é o Islão que acredito apesar de tudo existir, quando vejo estes ataques bárbaros; ou a Igreja Católica de Roma, renovada, quando folheio os livros de história no passado; ou mesmo alguns partidos políticos que acredito que não sejam o espelho dos seus líderes e de muitos dos seus dirigentes. Podia continuar por aqui adiante! Sem parar.

É nos momentos mais difíceis que se demonstra a força e a pureza das instituições, que naturalmente são sempre o espelho das atitudes dos seus membros. Por isso é difícil acreditar-se no que quer que seja, contaminadas que estão todas as instituições e generalizada que está a apatia de muita gente de bem, que as compõe.

A esse propósito, naturalmente o Papa Francisco muito tem feito pela renovação da imagem da Igreja Católica, parecendo apontar no bom caminho, com excepção grave de não ter recebido o Dalai Lama em audiência. Isso foi um péssimo sinal de não convergência religiosa, numa corrente que tanto tenho em comum, como é o budismo.

Quanto à França, à Liberdade e ao medo que nos querem impôr através da força: NÃO NOS VENCERÁ! NÃO ME VENCERÁ!

Antes morrer de pé, que uma vida inteira de joelhos!
A bem da humanidade,

Até já.