quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

#198 E que tal um shot de REALIDADE?



Página no facebook. Não uma, mas duas, na sequência da candidatura por mim protagonizada nas eleições autárquicas passadas e do posterior ingresso na lista candidata às eleições legislativas, que culminou com a minha presença como deputado da Assembleia da República, em regime de substituição, uma vez que não fui eleito directamente. 

Experiência assaz curta, na sequência da mudança governativa... Não me deixa saudades. Mas fica aquela dúvida do que teria eu feito em determinadas situações da vida política portuguesa. Que momentos teria protagonizado no parlamento em nome de todos se... mas adiante.

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Presença no linkedin. Mail profissional. Mail pessoal. Mail das duas presidências associativas que po ora detenho. Mail aqui do blogue.

Site armandosoares.pt revitalizado há pouco tempo e que levará nova actualização em breve.

Página no facebook e site da Associação Sem Fins Lucrativos Luchapa e página no facebook e ainda site da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Dafundo.

Ambas por mim presididas em regime de voluntariado até à data e ambas as páginas com novo lançamento em 2016.

E aqui os remediosdoacaso.blogspot.pt que são sem dúvida a "estrada onde mais me desnudo".

Epá. Chega!

Em todos estes fóruns do ciberespaço tenho marcado presença, na medida do possível. Pelo meio, tempo para ler, para escrever, para produzir e ouvir música. Natural tempo dedicado a trabalhar. Tempo para a vida pessoal. Tempo para estudar. Tempo para tratar do corpo físico. Tempo para meditar. Tempo para o voluntariado. Tempo para contemplar a natureza. Tempo para viajar.

Naturalmente que o "tal livro a ser editado", fica para trás. O "disco a ser gravado", fica para trás. A pós graduação em medicinas alternativas na Índia em Calcutá, não é terminada.

Ainda assim: fitoterapia terminada (medicina tradicional chinesa e ocidental). Terapia pelo som (taças  "tibetanas" Peter-Hess e gongos) terminada. Curso de produção musical terminado. Curso de Master Coaching feito, com certificação internacional a caminho. E podia recuar uns bons anos até às milhentas outras formações e ainda a licenciatura e... 

Ora tempos novos, novas atitudes. 

Observar o mundo e ver como o ciberespaço nos ocupa e preenche, ou naturalmente como o virtual substitui de alguma forma o contacto físico: tem sido matéria boa de análise, para um licenciado em sociologia.

A necessidade de feedbacks positivos ou mesmo negativos constantes, acompanhada de estratégias de marketing pessoal, anula-nos enquanto seres sencientes, não obstante a ligeireza como sempre encarei tudo isto. Entre a acumulação de carisma e a excentricidade natural, sempre preferi o culto da segunda. Conheço bem Pierre Bourdieu e o poder simbólico, mas há muito que me limito a ser eu mesmo e a sofrer as consequências (sempre boas) dessa assumpção.

Preciso de me desintoxicar. 

E nesta matéria, só os meus chás medicinais, infusões e plantas, não chegam. Não me chega sequer toda a terapia do som. É mesmo preciso algum SILÊNCIO.

Diminuindo brutalmente o ruído, continuarei, claro, a partilhar convosco os meus remédios por aqui.
Continuarei a aconselhar o viajante desconhecido que connosco se cruza pelo caminho, mas a abraçar ainda mais na realidade, a beijar ainda mais. A sorrir ainda mais, mas já não tanto apenas com o (smile :)  )

E obviamente a resolver os pendentes todos que se acumularam ao logo de quase 40 anos de existência. Depois, mas só depois: quem sabe voltarei.

Vou escrevendo por aqui, sem destino que não o de encher esta prateleira da minha farmácia, de novos remédios. Esta sim é uma das terapias em que acredito. Mas mesmo esta, sem regras, sem regularidade pré estabelecida, limitadora da minha liberdade. Até porque os remédios que aqui coloco: são intemporais.

Feliz 2016!




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

#197 O PECADO


O PECADO

Rancor. Ego. Raiva. Ódio. Angústia. Mágoa. Dor. Tristeza. Posse. Inveja. 

Ao longo dos anos, tenho reflectido muito sobre estas e muitas outras palavras. Sobre o seu real significado. Sobre as sensações que nos provocam, as lesões que nos causam e o carácter de transitoriedade e impermanência (felizmente) de que afinal de contas, todas se revestem.

Alguns episódios recentes, demonstraram-me uma vez mais que nem tod@s conseguimos ultrapassar com total rapidez alguns destes pecados, destes vícios.

É de facto difícil assumirmos a compreensão de que somos seres espirituais apenas experimentando uma condição física e de que afinal o objectivo último é aprender, crescer, evoluir, experimentar situações, sensações e delas extrair profundos ensinamentos.

Sou feliz por aos 38 anos e ainda bem antes disso, estar plenamente consciente dessa matéria, não obstante alguns erros em que persisto, humano que sou: logo imperfeito.

A chave, continua ser QUERER evoluir. Em se SER inteiro, por contraposição a meras parcialidades. E obviamente perdoar! Perdoar indiscriminadamente. Independentemente da dor que nos for provocada. Aos outr@s que nos ferem e essencialmente a NÓS mesmos. 

Porque nunca há uma única visão parcelar do mesmo acontecimento. Há sim uma vivência, uma observação sempre inquinada, porque invariavelmente carece de imparcialidade. De necessária  equidistância.

E essa equidistância e imparcialidade, pode (ou não) surgir com a passagem do tempo. Com esse tremendo conselheiro e mestre separador da essência do assessório. Da forma, do conteúdo. Do trigo, do joio. 

Sou hoje melhor do que era ontem. Certamente pior do que amanhã. Porque caminho, passo a passo, polindo a pedra bruta e construindo o mais belo templo interior, onde só habitam o amor, a virtude e a compaixão.

É um caminho longo, qui ça sem fim, mas continuo caminhando com o meu melhor sorriso nos lábios.

Mas... uma vez mais, permito-me estar orgulhoso do intenso trabalho que tenho feito. E é precisamente para tod@s vós, que comigo se têm cruzado e que dessa forma para ele têm contribuído, que uma vez mais deixo o meu eterno obrigado.

Pela dor, pelo prazer, pela atenção que me concedem ou mesmo pela indiferença. Até porque nada nos escapa, quando estamos despertos.

Até ao derradeiro despertar: caminhemos e observemos em equanimidade. 

Observemos!



Observemos.




quarta-feira, 1 de julho de 2015

#196 Era uma vez um desenho de Ganesha.


Ganesha (hinduísmo) é considerado o Mestre do intelecto e da sabedoria. Ele é representado como uma divindade amarela ou vermelha, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado num rato, numa alusão ao absurdo. 

Ganesha é o símbolo das soluções lógicas e deve ser interpretado como tal. Simboliza força, coragem, perseverança, inteligência, doçura e lealdade.

Filho de Shiva e Parvati, retrata um episódio onde se prova que nem a morte constitui per si um obstáculo.

O seu corpo é humano, enquanto que a cabeça é de um elefante; ao mesmo tempo, o seu transporte (vahana) é um rato. Desta forma, Ganesha representa uma solução lógica para os problemas que por vezes estão precisamente no paradoxo: é o "Destruidor de Obstáculos”. 
  • A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
  • O facto de ele ter uma única presa (a outra estando partida e a ser usada como caneta) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo; é descrito também que ele retirou a sua outra presa para escrever os Vedas (os primeiros livros sagrados da humanidade), quando estes foram compilados por Vyasadeva, tido como encarnação literária de Deus, responsável pela escrita da literatura sagrada na actual era em que vivemos, retirando o conhecimento da oralidade;
  • As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para reflectir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar ideias. As orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também o é;
  • A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;
  • Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele; também representam os chamados "três modos da natureza material", bondade, paixão e ignorância, que são superados por Ganesha e seu pai, Shiva.
  • A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
  • A posição das suas pernas (uma em descanso no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de "viver no mundo sem ser do mundo”. Ainda assim, nesta imagem encontramos Ganesha sentado no seu trono;
  • Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo subtil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a pura consciência – o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;
  • A mão a segurar uma machadinha, é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha, Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da rectidão;
  • A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote fala-nos que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;
  • A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);
  • A quarta mão segura uma flor de lótus (padma) e ela simboliza o mais alto objectivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.§
Nesta imagem estão incluídos dois tambores, sendo que no tambor esquerdo estão representados os símbolos yin e yang (feminino e masculino) da cultura chinesa.

Na mão de Ganesha direita (a palma da mão à nossa esquerda, que vemos virada para nós), está o olho de Hórus (Udyat). Representa a Luz e o Deus Sol. É um dos mais poderosos e importantes amuletos usados desde sempre no Antigo Egipto.

Precisamente o olho esquerdo representa a informação abstrata, controlado pelo lado direito do cérebro, é representado pela lua, e simboliza um lado feminino, com pensamentos e sentimentos, intuição e a capacidade de vislumbrar um lado espiritual. É também esse, o do logotipo da Luchapa.

Em baixo, encontramos novamente a flor de lótus e toda a sua simbologia inerente (por exemplo para os budistas a pureza do corpo e da mente), com Ganesha inscrita numa pirâmide, rodeada de penas ancestrais índias, alusiva a mais esse conhecimento cultural ancestral. No seu colorido de cores primárias, destacamos o verde perto do vermelho, alusivo à pátria e à nacionalidade.

O livro: 

Na página à nossa esquerda, está inscrita a palavra em língua sânscrita para que define uma situação do acaso, denominada, kakataliya. Esta palavra é composta por kaka, que significa corvo, e tala, que significa palmeira. Traduz-se como o exemplo 'do corvo e a palmeira'. No entanto, numa tradução livre, mas que apontasse para a intenção do vocábulo, poderíamos dizer que kakataliya significa: 'coincidência acidental’.

Antes mesmo do Yoga Vashishtha, o Nyaya Sutra ('Aforismos sobre a Lógica'), um texto do século VI dC atribuído ao sábio Akshapada Gautama,também cita a falácia do corvo na palmeira expondo a seguinte hipótese: um corvo pousa num coqueiro. No mesmo instante, um coco maduro desprende-se da árvore e cai. 

Embora esses dois fatos estejam aparentemente vinculados no tempo e no espaço, não existe uma relação causal entre eles. Às vezes, é isso o que acontece na vida. Porém, a mente, confinada dentro de seus próprios limites lógicos, tende a criar um nexo entre os acontecimentos, inventando um 'portanto' e um 'então...' para satisfazer-se.

Assim, se alguém, por exemplo, reza para que algo aconteça, e isso coincidir com a realização daquele desejo, a pessoa tenderá naturalmente a acreditar que existe uma conexão causal entre a reza e a realização. Desta maneira, a pessoa desenvolve a idéia de que é possível forçar Ishvara (o Ser manifestado na forma da criação) a agir de acordo com seus próprios desejos e vontades. Dessa maneira, aquilo que parece uma sucessão verossímil de acontecimentos conectados, não passa de uma falácia, algo que parece verdadeiro, mas não é…

Essa falácia exposta na filosofia hindu foi igualmente postulada na filosofia grega pelo grande Aristóteles, que afirmou: post hoc, ergo propter hoc

Traduzindo: 'Depois daquilo. Portanto, provocado por aquilo'. Em suma, o que a falácia aristotélica diz é: 'Isto aconteceu depois daquilo. Como aconteceu depois, isto só pode ter sido provocado por aquilo'. O coco caiu da palmeira depois do corvo pousar nela. Consequentemente, o pouso do corvo provocou a queda do coco. 

Essa falácia, que ficou conhecida como post hoc, pode ser resumida da seguinte maneira:

1. A aconteceu antes de B.
2. Portanto, B foi produzido por A.

O corolário deste falso silogismo é que, quando B é algo indesejável, evitar A, certamente irá ajudar-nos a evitar B. A tendência a cair neste tipo de pensamento sofismático é natural, já que o sequenciamento de eventos na linha do tempo nos faz pensar que cada evento deriva e está conectado com o anterior, em todos os casos. 

A lei do karma naturalmente é o princípio de causalidade, em que cada evento se origina no anterior e dá lugar, por sua vez ao seguinte. No entanto, é preciso compreensão para ver onde existe conexão causal entre eventos sucessivos e onde essa associação é apenas um produto da nossa mente. 

Cabe lembrarmos que este tipo de falácia é uma conclusão tirada unicamente sobre o sequenciamento dos eventos percebidos desde a perspectiva de quem interpreta, desconsiderando todos os demais factores não percebidos pela testemunha, mas que possam intervir ativamente na situação.

Finalmente na página direita do livro, encontramos a palavra “ACASO”, neste encontro entre a significação rica e complexa do sânscrito e a ocidentalização nem por isso menos pura, neste caso... do acaso. 

Este desenho no seu todo, representa o paradoxo da causalidade e o da não causalidade das coisas. Uma mescla de culturas e sabedorias: chinesa, hindu, índia e egípcia. 


No topo, encontramos o símbolo Om (que também é a simbólica de Ganesha), que é precisamente a representação corporal do cosmos inteiro (tudo é som, frequência e vibração), carregado por um escorpião que: morde com o seu doce veneno "mortal".

Morte e renascimento.


domingo, 19 de abril de 2015

#195 Tempus fugit


Essa estranha forma que a saudade tem, é porque a ausência: nela encontrou um meio, de se fazer sentir presente.

Tornou-se habitual na minha vida sentir pois: SAUDADES. Volta e meia aqui falo nisso.


Saudades de pessoas. 

Saudades de coisas.

Saudades de situações.

Saudades... mesmo do que nunca viverei... nesse bizarro diálogo entre passado, presente e futuro... Nesse tempo verdadeiramente novo, que a minha saudade tem.

Que SÓ ela, tem. 

Por isso, tomo também a saudade como companhia. Mergulhado em nostalgia que tempero com esperança, pontuada por episódios que ecoam no espaço das minhas memórias.

Tempo - esse mero acordo social, essa irrelevante falácia que nos trava o sonho, que o mata se deixarmos, até. 

Não tenho mais tempo, mas tenho todo o tempo do mundo... porque não mais deixarei: que o tempo mande em mim.

Há muito já, que dei as boas-vindas: à ETERNIDADE.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

#194 Um poema do "meu" Hermann Hesse


Quanto mais envelhecia,
quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava,
tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida.
Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada.
Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada.
Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim.
Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar.
Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.