segunda-feira, 2 de março de 2015

#193 Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam


O tempo é uma falácia
porque quando se ama
temos todo o tempo do mundo

a vida corresponde
apenas a um hiato tempo
que medeia o espaço eterno
a existência
deste corpo frágil

Sempre chegamos aonde nos esperam
seja quando for
seja aonde for

esse sítio



nem que à espera
para nos dar "aquele" abraço

estejamos

apenas




nós






mesmos.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

#192 VITÓRIA À VISTA


Este é o ano, em que decidi recuperar o tempo que não volta atrás, mas que pode ser o tempo que marcará em definitivo os novos tempos que aí virão... confusos(as)?

Nada de complicado. 

Decidi num curto espaço de tempo (um ano para já) estudar como nunca o fiz, afincadamente e com precisão. Mas as matérias que gosto e através das quais poderei ajudar muita gente - (o objectivo habitual, sendo que também a mim acrescentei à lista, desta vez).

Relembro as notas máximas que tive quando me apliquei a sério, em tudo quanto me empenhei.

Relembro a saúde que resgatei a ferros, quando parecia predestinado a morrer sem chegar à idade adulta. Relembro o princípio de raquitismo. A tosse convulsa. As seringas de cortisona. A bronco-pneumonia com derrame pleural e a meia hora de vida que me restava, segundo a equipa médica. Relembro as vacinas estrangeiras, das quais fui cobaia portuguesa. O corpo que supostamente não se desenvolveria (LOL) - toma lá que fiquei em pré-competição na natação só para te contrariar ó destinozinho! :P

E aí... páro para pensar. Contemplo a Fitoterapia (farmacopeia chinesa e indiana), sigo de perto a homeopatia e a naturopatia.

Contemplo a medicina ayurvédica no seu todo. Contemplo a terapia através do som, nomeadamente as taças "tibetanas" (Peter-Hess) e os gongos.

Contemplo a meditação transcendental, a vipassana e outras que ainda irei estudar.

Contemplo outras áreas de interesse. E de repente já não só contemplo... Já mergulhei a fundo! Recordo os tempos em que me inscrevi... já comecei... já avancei... qualquer dia, já terminei! (sim, porque algumas já cá cantam e com distinção).

Ah e tal como é que conseguiste? Tão rápido? Comeste quantos anos de seguida? Como é possível? Nunca tinhas tempo!

E eu direi que: "quem menos tempo tem, é quem arranja sempre tempo.!

Quando quero muito uma coisa, acreditem: sou imparável. E muito rápido a mudar de rumo. Se ACREDITAR.



Disse.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

#191 O CAMINHO PARA CASA


Aos poucos o caminho vai sendo feito, as malas fechadas e a bagagem arrumada. 

Mas qual bagagem? 

Desconfio que não levo nada comigo... a mala que insiste em não querer ser feita, revela a imensidão do vazio, que é presumivelmente mais forte.

Os segundos que o tempo devora avidamente, misturam-se por entre as memórias (aconteceu mesmo?) que teimo em guardar, mas que delicada e suavemente me escorrem, pelas mãos fora. Continuo firme e espero... Mas não acontece: NADA

Contemplo a paisagem que de exótica e imberbe, se revela banal e gasta. Esfrego os olhos para tentar ver de novo o que se esfuma. Cheira a bafio... mas o incenso era tão belo e brilhava tão bem!

As lágrimas de sangue caem a meus pés e resvalam na areia que o sol rapidamente seca, passado segundos... mas que eu ainda contemplo vermelha - fenómeno ocular?

Espero todavia, pacientemente, que surja o sinal esperado. Que as estrelas se revelem, que as nuvens se afastem e que no lugar do temporal, apareça rapidamente o imponente arco-íris de belas cores, que me dá alento e esperança.

Claro que não há dia de chuva que não tenha, ainda assim, o seu sol... Pois também a mim, tem ele enfim, surgido. Umas vezes tímido, outras mais reluzente.


PROFUNDAMENTE GRATO!


Ainda assim... a tempestade forte instalou-se, com todas as suas forças e troveja violentamente.

Há muito que não me metem medo esses vendavais, mas confesso que a força, desta vez impressiona...

Faz-me pensar se somos nós que enfraquecemos, se simplesmente nos esquecemos do quanto somos fortes, ou se afinal o adversário é verdadeiramente mais capaz desta vez... É incrível e assustadoramente forte, como só a força da Natureza o é. 

Compreendo. Os extremos tocam-se... claro que tenho medo.

Mas no fim, sairei vencedor! Como sempre e porque não há intempérie que não tenha o seu fim, apesar das penosas marcas... sei disso.

E porque a Luz que me acompanha, (de dentro para fora), se reafirmará, rejubilará e resplandecerá... Porque se alimenta de MIM e lhe dou matéria viva de pura alma e múltiplas cores. Porque lhe dou inúmeros sorrisos para que se alimente, boas acções para que se instale e compaixão plena (ainda que nem sempre fácil) para que irradie e se misture no todo.

Tenho pena... mas não sei quem a verá comigo, nesse espectáculo tão maravilhoso de se ver.

Presumo que: 



observará comigo tão ímpar cenário, apenas quem tiver lutado, ficado e sobrevivido. Nem que seja a minha solitária imagem reflectida no espelho, que tenho desde tempos imemoriais: por fiel companhia.




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

#190 A DESILUSÃO




Hoje, inspirado em Augusto Branco e Sarah Westphal, aqui vos deixo um ensaio sobre: "A DESILUSÃO".


As pessoas mentem. É um FACTO! A verdade, é que às vezes sofremos desilusões, muito por causa das mentiras que as pessoas contam e raramente estamos preparados para isso.

Mas é preciso também, saber separar o trigo do joio e entender que há pessoas que mentem deliberadamente, porque querem o teu mal. Mas... também há aquelas que mentem, porque gostariam de te ver melhor, ou de serem melhores para ti.


Algumas pessoas podem achar que a realidade pode ser apresentada melhor se fantasiada um pouco, e aí a mentira é "quase inocente". 

Assemelha-se a um desejo ou a um sonho, e não se deve subjugar o valor destas pessoas por isso. 

Em alguns casos, podemos dizer que a "mentira é como uma casca", que uma vez descoberta, deve apenas ser atirada borda fora. Nas pessoas, obviamente o que vale não é o frasco, mas sim a essência.


Mas... ainda pior que a convicção do "não" e a incerteza do "talvez" é a desilusão de um quase. 

É o "quase" que me incomoda, que me entristece, que me mata e traz tudo que poderia ter sido e não foi. Quem "quase" ganhou ainda joga, quem "quase" passou ainda estuda, quem "quase" morreu está vivo, quem "quase" amou não amou. 

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes: o que nos leva a escolher uma vida morna? Ou melhor ainda: não pergunto, contesto! Refuto! A resposta eu sei de cor, fruto de anos que não vêm só desta vida...

Está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença de tantos "Bom dia", quase que sussurrados timidamente.

É que sobra cobardia e falta a coragem até para se ser feliz! A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.


Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor: sentir o nada. Mas não são. 

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance... para as coisas que não podem ser mudadas, resta-nos somente paciência. Mas não confundir com resignação!

Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória: é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, oportunidade; para os amores impossíveis, tempo. 

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor: não é romance. Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de tentar.

E entre o apego e a aversão, encontra o que te faz sorrir, o que te move e faz quebrar barreiras. O que nesse sentido te apaixona, mas sem te aprisionar num enredo que não te faça bem.

Desconfia do destino e acredita em TI. Gasta mais horas a realizar que a sonhar, mais a fazer do que a planear, mais a viver do que a esperar... porque, embora quem quase morre esteja vivo... quem quase vive: já morreu. Ou qui ça... nem nunca sequer ainda "nasceu".

EU?



EU CÁ: VIVO! Livra!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

#189 A espinha dorsal


Honrarmos o nosso pensamento, nem sempre é simples. É aliás cada vez mais difícil,  para mais nos tempos que correm, em que muitos de nós são escravos do dinheiro.

Resistir pois à tentação de não pensarmos pela nossa cabeça, não é tarefa fácil. Como não é fácil honrar sempre a palavra dada, não é fácil ser sempre honesto, não é fácil ser-se sempre verdadeiro. Em toda e qualquer situação. Sem excepções.

Não é garantidamente fácil, mas um dia "o difícil torna-se natural" e instala-se o óbvio: só esse pode ser o caminho.

Cada dia que passa me apercebo disso e cada vez fico mais feliz por ser quem sou, pelas minhas opções, pelos erros cometidos e a compreensão que deles tenho extraído e pela minha feroz determinação em levar avante aquilo em que acredito.

Mesmo que isso me cause alguns dissabores, continuarei sempre o mesmo nessa matéria. Vamo-nos decepcionando, mas a vida e mesmo assim.

Quanto a mim, continuo! 

Antes morrer de pé, que uma vida inteira de joelhos! - uma frase que me acompanha desde sempre.

Opções.