sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

#184 O Beijo que morreu


Perdido, ganhou coragem e levantou-se, determinado. 
Estava decidido a mudar, o até agora: triste fado.

Contemplou e sorriu

de alguma forma seria diferente
o tempo afinal havia passado.


Uma nova vida, é uma nova vida.
Inclinou-se e abraçou,

o horizonte cheio de nada


caiu no vazio
beliscou o zero
e


constatou que o beijo não havia morrido
porque sequer ainda não havia nascido.


É que:

 jamais pode partir: 





quem nunca se atreveu a chegar.






* Vi esta imagem publicada no mural de uma velha amiga e inspirou-me a produzir este pequeno texto, bem diferente da concepção da imagem, que alegadamente aponta para uma nota de humor (que também subscrevo). Mas é isso que é belo nas palavras... podermos revisitá-las e significá-las a nosso bel prazer. Consoante os nossos sentires... ganham vida e não nos pertencem. 

São livres e voam... até caírem no peito de alguém. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

#183 O Templo


Passamos a vida inteira a fugir de nós. De nós mesmos. Até que enfim, nos lembramos... 

Pelo meio: avanços e recuos. Eternas partidas e derradeiras chegadas. Dores, lágrimas mil... Mas também alguns sorrisos, que valem bem por todas as lágrimas enxugadas.

No capítulo das partidas, têm sido anos duros. Muito duros, até. Este ano continua a sua senda costumeira, premiando-me com a dor habitual. (nada de novo, afinal)

Pelo menos, compreendo melhor os fenómenos do apego e da aversão. E liberto-me agora, com maior desenvoltura e rapidez dessas armadilhas.

Volta e meia, a vida surpreende-me e traz algo de novo, mas na realidade sinto que estou numa espécie de loop contínuo. Certamente também por culpa minha. Porque... me esqueci. 


E  s   q    u     e   c i -  m   e     .   .    .


Estou por isso, cada vez mais de regresso ao Templo. Com maior frequência e regularidade.

Regresso a esse Templo, que fui construíndo interiormente, pedra sobre pedra, ao longo dos anos. Por vezes encontro-o abalado, mas jamais destruído.

Talvez também por isso, haja ainda lugares onde nunca fui, mas que reconheço e sei de cor como são... Isso, não obstante quase lhes tocar e sentir o cheiro. 

Na verdade, aos poucos a viagem vai sendo feita e as malas vão sendo fechadas. E.. não há como voltar atrás.



Boas Festas.




quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

#182 Tatua-me


Preenche-me de cor 

mas


por favor 
corta-me a carne.


Desenha-me o campo

ou 
o céu

ou


o espaço


Cobre-me de um véu
 e acolhe-me


 no 

teu 



e g a ç o. 



sábado, 20 de dezembro de 2014

#181 Ardente


Ardente ÉS, 
recordação distante,
 da cabeça aos pés
a montante e a jusante

me relembras...



Distância impermanente
memórias que perdeste, ausente

congelas o tempo
embrulhas em tons de esperança
saudades do que não vivi.

...e se Acaso me perdi
oxalá me encontres tu e 
jamais me largues.



ou que o porão onde guardas os teus sentires
me albergue já, 


perdido que estou.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

#180 Eu prometo


Demoraram anos e anos

mas aos poucos começo a lembrar-me.


Como poderia ser possível esquecer-te?
Depois de tudo o que já passamos juntos...

...tão marcante foi, que tive que
viver quase quatro décadas sem TI.

Talvez, para agora te redescobrir de novo
e começarmos exactamente no ponto em 
que terminamos a nossa caminhada, juntos.

Espero que me desculpes
ainda não te tratar com o carinho que mereces...


Prometo lembrar-me e fazer esse esforço
para merecer de novo

mais uma última 




VIAGEM.


Vou a caminho e nada me deterá. Acredita.