quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

#182 Tatua-me


Preenche-me de cor 

mas


por favor 
corta-me a carne.


Desenha-me o campo

ou 
o céu

ou


o espaço


Cobre-me de um véu
 e acolhe-me


 no 

teu 



e g a ç o. 



sábado, 20 de dezembro de 2014

#181 Ardente


Ardente ÉS, 
recordação distante,
 da cabeça aos pés
a montante e a jusante

me relembras...



Distância impermanente
memórias que perdeste, ausente

congelas o tempo
embrulhas em tons de esperança
saudades do que não vivi.

...e se Acaso me perdi
oxalá me encontres tu e 
jamais me largues.



ou que o porão onde guardas os teus sentires
me albergue já, 


perdido que estou.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

#180 Eu prometo


Demoraram anos e anos

mas aos poucos começo a lembrar-me.


Como poderia ser possível esquecer-te?
Depois de tudo o que já passamos juntos...

...tão marcante foi, que tive que
viver quase quatro décadas sem TI.

Talvez, para agora te redescobrir de novo
e começarmos exactamente no ponto em 
que terminamos a nossa caminhada, juntos.

Espero que me desculpes
ainda não te tratar com o carinho que mereces...


Prometo lembrar-me e fazer esse esforço
para merecer de novo

mais uma última 




VIAGEM.


Vou a caminho e nada me deterá. Acredita.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

#179 O Pai Natal e o miúdo morreram, faz 7 anos


11 de Dezembro de 2007, pelas 07h da manhã, recebia ao telefone a notícia que já esperava e que ansiava, dadas as condições.

Acabava de "partir para outras paragens", o meu Pai Natal. O alívio pelo fim do seu sofrimento, instalava-se em mim, num misto de paz e de saudade.

O Natal naturalmente jamais seria o mesmo. Ainda assim, desde a primeira hora, havia que mudar de página. E assim o tenho feito. Assim o temos feito todos.

Reencontro a alegria perdida nos sorrisos inocentes das crianças (que um dia fui e que de alguma forma continuo ainda a ser), no voluntariado que presto diariamente e indiscriminadamente, nas duas instituições que presido e nos sonhos que realizo. Meus e dos outros, porque a vida continua. Diferente, mas continua.

O Pai Natal morreu há 7 anos, mas o exemplo dele continua vivo no meu dia dia, os seus ensinamentos consolidaram-se em mim e naturalmente: o miúdo de alguma forma morreu, nesse dia também...

A vida é uma jornada imensa, cheia de potencialidades. Todos temos que partir um dia e mal daqueles que não se habituam a mais este patamar a que chegaremos.

A cumprirem-se as regras, o envelhecimento dá-se e leva-nos. Outras vezes, partimos mais cedo. E até lá... vemos partir muitos dos que mais gostávamos.

Sei que já cá estive várias vezes. Isso evidentemente, ajuda a compreender.

Não sei quantas estiveste, Pai... mas espero que para onde tiveres ido: trates bem o miúdo.




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

#178 O impossível atrai-me e vou.



Amo o que é difícil. 
Gosto do desafio mais complexo, 
do desconhecido mais atrevido, 
do impossível mais extremo.

Para mim nunca é tarde para uma nova viagem, 
para dar a volta de 180º, de novo, 
que outrem considere tardia e 
manifestamente desmobilizadora.

Entre o mais conservador sabor da segurança, 
conforto e certeza,
prefiro a dúvida, o frio no estômago e 
o sabor da vertigem 

VIVER, é pois realizar a utopia
todos os dias e dia nenhum.

É sonhar e lutar
por novas concretizações.
É avançar quando os outros fogem
É cair e levantar de novo 


É chorar e sorrir e chorar e sorrir
e


continuar