segunda-feira, 24 de novembro de 2014

#173 Entretanto...


Às vezes: é mesmo o melhor. 

Alinhado estou eu, que ainda há pouco tempo vim do meu retiro de silêncio.

Uma semana depois, após ter experimentado o mundo que tão bem conheço, espreito cá fora e sabem que mais? 


pois...





nada de novo.



Qualquer dia................................. até porque: 
"Isto aqui fora, está definitivamente cada vez mais estranho."



sábado, 22 de novembro de 2014

#172 A impermanência


Nesta maravilhosa foto, se observa a feitura de uma mandala de areia (quase terminada).

É praticada, na tradição tibetana como um ensinamento. Esta terá demorado cerca de duas a três semanas a ser feita, num projecto rico em cores e detalhes, em minúcia, em perícia, em habilidade.

Nas mandalas de areia, são representadas as relações entre os oceanos, céu, terra, universos, etc, demonstrando a sua interligação, mas simultaneamente a sua independência.

Neste verdadeiro ensinamento sobre a vida sobre o desapego e sobre a transitoriedade, a mandala quando está terminada: é destruída.

Em breves minutos e com gestos precisos, toda a areia é varrida em direcção ao centro, recolhida e deitada ao rio, ou a um lago nas imediações.

Quem não perceber o carácter de impermanência desta vida, nos relacionamentos, nas sensações e em tudo quanto nos rodeia, não percebe nada do que anda cá a fazer...

Mas que essa sabedoria, nunca constitua motivo, para que não construamos as mais belas e magníficas mandalas durante o seu tempo. 

Todavia... que não nos percamos a observá-las, quando é tempo de as varrer e deitar ao rio.

Assim o ditam as leis da natureza. 

Que o façamos com a equanimidade possível, na certeza de que o rio nunca levará com ele as melhores memórias, que guardaremos para sempre nos nossos corações, mas que não nos podem jamais turvar, ou condicionar: o caminho a seguir.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

#171 Vou em frente


À medida que os anos passam e as viagens se multiplicam, constato, que as mais profundas são sem dúvida as que efectuei ao meu interior.

No mais absoluto silêncio, na mais desafiadora solidão.

O fim de Novembro caminha a passos largos e com ele: novo final de ano... Como se o tempo pudesse ser medido pelo calendário. Como se o relógio contasse, para o que quer que fosse, nesta dinâmica dialéctica entre observador e observado, entre o participante que se torna cada vez mais simultaneamente observador. Dos outros... mas essencialmente de si mesmo.

Ir em frente, surge portanto, como o maior dos desafios, estabelecidas que estão as marcas que me definem a personalidade, com os seus prós e contras, para a sociedade em que vivemos. Em que ainda vivo.

Saborear o sabor da vertigem, apresenta-se ainda como o néctar predilecto, mas reservado cada vez mais para ocasiões especiais.

Porque se de um néctar se trata, não pode jamais ser banalizado. Nem sorvido, sofregamente.

Deve ser, isso sim, delicadamente pousado no palato do espírito e voar lentamente, até repousar no âmago da memória, mas sem apegos ou aversões que se querem cada vez: passageiras. 

A sabedoria, que vem necessariamente com o tempo e com as suas vivências adjacentes, traz-nos doces cartas escritas por pena afiada, em papel azul vinte e cinco linhas.

Estrelas que brilham, num céu de imenso azul recheado de reflexos do que fui, silhueta do que ainda há instantes era... sólida e serena imagem do que sou.

O que serei não importa. Celebremos antes: o AGORA. 


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

#170 Planos para 2016


Há locais onde felizes que fomos, teremos ainda assim, sempre que voltar. Uma e outra e outra vez.

O Boom Festival realizado na lua cheia de Agosto, em Portugal, é um deles. Essencialmente pelo que representa. Não tanto pelo passado que lá vivi, nem pelo futuro que eventualmente lá viverei... mas sim, porque lá, penso precisamente nesse tempo presente. Sinto-me em casa.

Tento pois também - agora, que cada vez mais desperto estou: permanecer exactamente nessa dimensão temporal que apenas interessa: o AQUI e o AGORA.

Ainda assim... nos poucos planos de futuro que me permito ter: "lá" voltar, é um deles.

Em oposição ao sufoco diário, lá respiro - por mais artificial e planeado que seja - ar de aparente LIBERDADE.

E se é para ser artificial, então que seja assim... até porque a dimensão real, somos nós que a atribuímos. Se nela inscrevermos a nossa marca e o nosso cunho.

E quanto a isso... faço-o sempre.

SEMPRE.



terça-feira, 18 de novembro de 2014

#169 EQUANIMIDADE


É engraçado como há palavras que entram na nossa vida com força e sentimos que vieram para ficar. Para se instalarem. Para em nós construírem a sua casa e o seu porto seguro.

EQUANIMIDADE, é de todas até hoje, tanto quanto me lembro: a mais forte.

Repetidas vezes a ouvi, como o estado zen desejável e o objectivo a alcançar no percurso, durante este retiro em que acabei de sair.

Ainda agora estou "cá fora", mas confesso, tenho uma saudade imensa do que lá senti. Uma saudade imensa dessa "sensação", qual contra-senso contra tudo quanto lá aprendi.

Afinal, o que lá aprendi foi verdadeiramente a observar as sensações, de uma forma equânime.

Não é tarefa fácil, garanto-vos.

E mais complexa ainda se torna, quando longe de um ambiente verdadeiramente controlado, é preciso manter tudo quanto aprendi e aplicá-lo no meu quotidiano.

Felizmente, algumas das lições vieram bem estudadas e pelo menos apercebo-me quando não estou a ir no caminho pretendido.

Tal e qual como agora, em que perante a memória da equanimidade alcançada enquanto lá estive, me permito sentir algum apego.

Tenho pois agora, que também trabalhar nisso. Pelo menos apercebo-me. 

Um ponto a favor. Melhorou.