domingo, 12 de outubro de 2014

#156 Coração cheio


Vejo cada vez menos televisão. (* já aqui falei disto, pelo menos uma vez) 

Por vezes, ainda um filme ou outro me cativa. Ou quem sabe um bom documentário, ou ainda por vezes peças dos noticiários sobre avanços científicos, dos tempos em que vivemos. 

Nada mais.

Isto, ao mesmo tempo que me vou preparando para a grande viagem que irei fazer de cinco a dezasseis de Novembro. A viagem até mim mesmo, no curso de meditação vipassana.

Estou expectante em como irei lidar com o silêncio mais profundo, com a solidão, com a não comunicação com o exterior. Com um regime rígido de doze horas de meditação por dia. E que homem voltará, depois?

Hoje de manhã passava os olhos por um filme e assistia a um pequeno discurso de um personagem retratando um homem velho, um ancião, que não resisto a reproduzir, pela beleza e densidade do mesmo:

"Às vezes as coisas que podem não ser verdade, são basicamente aquelas em que um homem tem que acreditar.
Que as pessoas são fundamentalmente boas.
Que a honra, a coragem e a virtude, são tudo.
Que o poder e o dinheiro não são nada.
Que o bem triunfa sempre sobre o mal

e



Que... o verdadeiro amor: nunca morre."



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

#155 Ao correr da pena


Preparo-me para ir para casa e escrevo mais umas linhas, desta vez a partir do meu gabinete nos bombeiros.

O que fará um tipo da minha idade, abraçar causas em regime de total voluntariado, optando por dedicar horas do seu tempo de vida em meio associativo?

Porque é que não prefiro dedicar o meu tempo a ganhar dinheiro e mais dinheiro?

Porque é que não prefiro antes ver televisão, ou sair à noite, ou simplesmente nada fazer?

Porque é que decidi, há tantos anos que a minha vida só teria valor se fosse partilhada com todos(as)?

Porquê?

Porque só sei ser feliz assim, ou visto por outro prisma, talvez porque esta é a única forma que encontrei de minimizar o meu sofrimento.

DAR! DAR! DAR!

Felizmente não sou o único... 

Obrigado a todos e a todas, que orbitam o meu mundo e me relembram todos os dias, que pese embora a tipologia das responsabilidades que carrego sozinho: a tarefa é no entanto de grupo e não de um só ser em particular.

Espero acordar amanhã, mas se acaso não acordasse, partia feliz, de coração cheio e com a certeza de com as condições que tinha nesta vida: fiz tudo quanto podia. Ou pelo menos... uma boa parte!

E essa sensação: não tem igual!

Até já.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

#154 Ser-se quem se É


A história da minha vida tem sido mais ao menos assim. 

Raramente passo indiferente nos locais por onde me deixo ficar mais tempo, ainda que actualmente procure mais o anonimato, a paz e a serenidade, que me traz o silêncio que vou de alguma forma procurando a todos os níveis. Nem sempre parece... mas é o que é.

Um caminho demorado, mas cuja meta um dia chegará.

Várias são as pessoas que amo, não obstante serem em menor quantidade aquelas pelas quais me sinto verdadeiramente ligado.

O exercício da liderança, é tarefa sempre solitária... 

Nomeadamente no processo de decisão, ainda que sempre me tenha munido de vários e preciosos conselhos, de todos(as) em quantos(as) reconheço tantas ou mais capacidades que eu, nos mais diversos temas. Obrigado!

Lamento ter quem eventualmente me odeie. Não que isso me retire o sono, mas caramba... eu não odeio ninguém!

Todavia compreendo, que para alguns/algumas cujos corações tenha ferido por qualquer motivo, a dor seja qui ça difícil de suportar.

Por esse alegado motivo: as minhas desculpas. Mas não é motivo para tanto...

No que a mim me toca, todos(as) quantos(as) me feriram, têm há muito o meu profundo agradecimento, pelo crescimento que em mim operaram. Foram verdadeiramente Mestres, cuja passagem em mim hoje reconheço e com a qual julgo ter aprendido mais qualquer coisa.

Quanto à dor... bom, essa há muito que faz parte de mim. 

Acolho-a com o sorriso de quem a reconhece, afinal já tão bem.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

#153 A propósito dos direitos


Desculpem lá. É que já não há estômago para tanta treta que leio, ouço e assisto por aí.

Fica aqui a minha respectiva declaração de interesses. É sempre útil para quem queira iniciar uma conversa comigo. É simples: basta deixar os estereótipos, preconceitos e as supostas "verdades adquiridas" à porta.

Vícios da sociologia? Se calhar é antes uma das "virtudes" do curso. Também por essa interpretação e capacidade analítica da sociedade em que nos inscrevemos, de uma forma mais arejada, ainda que também necessariamente parcial (bem tento não ser, mas nunca é fácil) valeu a pena tê-lo tirado. 

Quanto a TI? Abre a tua mente.


Grato.

domingo, 5 de outubro de 2014

#152 Espero dos outros, cada vez menos


Revisito na imagem que dá corpo a este meu post de hoje, um dos meus escritores favoritos e sempre recomendáveis: Hermann Hesse.

O tempo vai avançando. 

Sinto isso por exemplo nos meus cabelos, que vão ficando devagarinho e como sempre os sonhei ter, um dia: grisalhos. Mas não só nos meus... nos dos outros, também.

Olho e observo rostos marcados pelo tempo. Aos poucos, muito ao de leve. Preocupo-me mais com a minha alimentação, com a minha saúde.

Livra, que quero ser jovem mais tempo ainda!

Meninas de ontem, são agora mulheres. E algumas das que reconheci um dia como mulheres, são afinal ainda e às vezes: meninas.

Isso não é necessariamente mau. Mas às vezes, é.


Já os rapazes... quase sempre são apenas: rapazes. Poucos reconheço, já como homens... tirando os que já bem vividos, se fizeram entretanto Homens, mesmo.

Aprendi a viver menos a desilusão... O que equivale a iludir-me menos.

Na verdade, espero a maior parte da mudança, de dentro de mim mesmo. Às vezes, percebo que algumas das minhas montanhas, poderão ser já intransponíveis, derivadas da passagem do tempo. Outras vezes, não.

O que sei, é que muita coisa me emociona, bem mais do que alguma vez me emocionou. É delicioso estar vivo, não obstante doer muito... 

Olho com mais calma para o céu. Olho com mais calma para o mar. Olho-TE com mais calma. Olho com mais calma. 

O l h o 

  c  o  m


    m   a   i   s



  
      c     a     l     m     a 



Com mais. 

Tudo tem mais de mim. Sou mais EU, em tudo. Até no 







silêncio