sábado, 6 de setembro de 2014

#141 Danaus Plexippus e os humanos


Era sábado de manhã e (como ainda o faço cada vez mais raramente, nos poucos canais de televisão que ainda me despertam curiosidade), assistia a um pouco de um documentário sobre a vida animal, que sempre ajuda a perceber muito do que somos, também.

De facto, tirando documentários sobre história, vida selvagem, artes e matérias ligadas ao ocultismo, já pouco mais me motiva para ligar a televisão.

Cada vez menos a ligo, passando dias e dias que nem dela quero saber.

Mas dizia eu, assistia comovido (sim, a idade tem destas coisas e a forma intensa como vivemos a nossa vida também) ao desenrolar da vida de um pequenino ser de seu nome DANAUS PLEXIPPUS ou MARIPOSA MONARCA.

São as mais conhecidas "borboletas" da América do Norte, tendo sido introduzidas no século XIX na Nova Zelândia e Austrália, sendo as suas irmãs do Atlântico, residentes nas Ilhas Canárias, Açores e Madeira. 

São conhecidas pela sua resistência e longevidade e pelo padrão laranja e preto facilmente reconhecível. 

Têm uma envergadura de 8,9 a 10,2cm e pesam já adultas cerca de meio grama, sendo uma das maiores. 

No geral, esta espécie vive quatro dias como um ovo, duas semanas lagarta, depois crisálida dez dias enquanto forma a sua dura capa protectora e finalmente entre duas/nove semanas como borboleta.

No entanto... existe uma geração que é apelidada de "Matusalém" e que vive NOVE MESES, migrando para trás e para a frente.

Iniciam a sua alimentação comendo o próprio ovo e depois as plantas de algodão sobre as quais nasceram.

O seu característico padrão alerta os possíveis predadores de que são: venenosamente fatais.

De Agosto a Outubro migram aos milhões para sul e depois para norte, na Primavera.

Esta espécie é um dos poucos insectos que se permite fazer travessias transatlânticas... Estamos a falar de uma migração de 5000km!

As que nascem no final do Verão, princípio do Outono, serão as que irão fazer esta travessia numa única viagem de ida e volta da sua vida.

Algumas chegam ao sudoeste da Grã-Bretanha e Espanha.

As ocidentais viajam do Canadá para a costa da Califórnia nos Estados Unidos, para passar o Inverno em pequenos bosques de eucalipto, ao passo que as do oriente viajam do leste para o centro do México directamente para os bosques de abeto e pinho. 

Todas elas procuram o seu caminho sozinhas. Absolutamente: sozinhas... mas depois da migração feita, encontram-se todas, eventualmente acasalam e hibernam juntas.

Curiosamente, desde as suas ancestrais que encontram sempre o seu caminho. 

Seguem as mesmas rotas nas mais diversas gerações directas e muitas chegam a inexplicavelmente pousar na mesma árvore (de mães e pais para filhas(os), para netas(os) e por aí adiante).

Um ciclo de vida, no mínimo desconcertante para uns. 

Para outros... quem sabe de alguma forma, similar.






quinta-feira, 4 de setembro de 2014

#140 Teoria do Espelho


LEGENDA DA FOTO: Um dos Mestres que tive o privilégio de conhecer e privar de perto, o gato Misha com quem convivi uns bons tempos, aqui observando uma série em que surgia um gato no preciso momento, em determinada situação. Espelhos?


Entre as várias lições que a vida me tem dado, uma delas que guardo e utilizo diariamente é o que poderei de apelidar de: Teoria do Espelho.

Na verdade, quando passamos a estar atentos às chamadas "coincidências", verificamos que o nosso universo diário está carregado delas.

Sensações de deja vu, encontros desejados, intuições que funcionam sem falhas e tantas coisas mais que apelidamos de magia, ou de coisas do ACASO.

Ora acontece por inúmeras vezes (senão em quase todas as situações) que o universo no fundo nos auxilia com o espelho.

No(a) outro(a) vemo-nos se estivermos atentos. Nas atitudes iguais que teríamos na mesma situação, ou no antecipar de consequências que poderíamos ter se seguíssemos o mesmo procedimento, ou no mal/bem que nos aconteceria se tivéssemos feito o mesmo...

Nessa mesma linha, chateamo-nos com os(as) outros(as), mas no fundo a maior parte das vezes chateamo-nos connosco. Porque não gostamos de ver neles/nelas apenas nada mais nada menos do que:
O NOSSO PRÓPRIO REFLEXO...


Admirados(as)?

Basta estarmos atentos(as) e treinarmos a compaixão que acaba por ser com nós mesmos(as). Porque no fundo, é garantido que em algum momento desta vida (ou de outra) precisamos do cenário que nos é colocado em frente dos nossos olhos para vivermos e resolvermos.

A forma como resolvemos e encaramos a situação, irá certamente trazer consequências. Mas.. não as avaliemos em "boas" ou "más". Aceitemo-las apenas como "consequências". 

Porque serão exactamente na medida do que precisarmos.

Não digo com isto que devamos aceitar tudo enquanto agentes passivos, ou relativizar as situações, ou ainda desistir dos objectivos que colocamos em cada cenário!

Mas o principal objectivo é sempre o mesmo: APRENDERMOS.

É cada vez mais nisso que acredito.

Façamos por ser felizes, incomodando o menor número de pessoas possível e auxiliando o maior número de pessoas possível. 

Tentemos mentir o mínimo possível (caminhando sempre em direcção ao zero em TODA e QUALQUER situação por mais pequena que seja) e sejamos sempre fortes para ajudar aqueles que são mais fracos, aprendendo com eles o tanto que têm sempre para nos ensinar.

Respeitemos todos os seres vivos (animais e plantas) e compreendamos que é nessa aprendizagem da convivência com os que partilham este espaço connosco, que pode nascer um coração mais luminoso e uma mente mais sábia.

Amemos indiscriminadamente, sem pausas. Sem regras. Sem subterfúgios. Sem reservas. Sem medos. Sem tretas.

São premissas fáceis? Claro que não.

Mas esse: 


É O MEU OBJECTIVO. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

#139 A teoria e a prática


Desde sempre que teorizo sobre inúmeras matérias. Esse olhar atento sobre o mundo e sobre as relações humanas, acabou por levar-me até ao curso de sociologia onde li o que me apeteceu e entrei a fundo nos autores com os quais me identificava.

O curso lá vai há uns bons anos e a tal da licenciatura "já cá canta" - sofrível numas cadeiras e com distinção, noutras. De resto, como sempre a imaginei.

Relembro que desde sempre cumprimentei a vida com um sorridente "boom dia!", não obstante inúmeras dores que persistem desde tenra idade, mas que fazem de mim o homem completo e cheio que me sinto hoje. 

Actualmente, persiste o sorridente e sincero "boom dia!", entre avanços e recuos, entre lágrimas e sorrisos mil.

Recordo desde a adolescência, inúmeras alturas em que me pediam conselhos sobre os mais diversos temas, muitos deles sem nunca ter vivido eu sequer situações similares. 

Muitos dos assuntos pediam bom senso, apenas. Outros, o conhecimento de uma vida cheia de experiência que muitas vezes não tinha.

Mas os livros sempre me acompanharam, sempre convivi com as gerações mais antigas que a minha e sempre tive uma imparável sede de conhecimento... 

E assim, aconselhava e verificava depois com agrado, que os modelos teóricos que me inspiravam sobre as mais variadas matérias, misturados com uma boa dose de bom senso e com o que eu sentia ser o correcto, afinal: FUNCIONAVAM!

Era o regozijo de ver a vitória nos olhos dos que me pediam conselhos amorosos, profissionais, sei lá eu que mais...

O tempo entretanto avançava e com ele eu próprio vivia muitas das situações, tornando-me finalmente experiente e conhecedor no terreno de muito do que falava e augurava saber. Muito disso contribuiu para me sentir desde sempre uma: "alma velha"

Anos depois, insisto em alguns modelos de vida, que sinto no meu íntimo serem os mais correctos. Alguns aspectos importantes desses modelos, não os vivo plenamente (ainda). 

Talvez por medo, por receio, por dúvida, por achar que não chegou o tempo, por achar que ainda falta aprimorar mais um detalhe aqui ou ali, até passar para a próxima etapa. Estou a trabalhar nisso, com a natural evolução de pensamento que a vivência do dia a dia me oferece.


Na verdade a vida é o que quisermos! É um balão de ensaio para o próximo nível, como a entendo desde sempre.

É uma aprendizagem face a um objectivo que é o de nos tornarmos mais sábios, mais firmes no nosso propósito, de sermos mais o mais possível seres de luz e domar a tal sombra que reside em nós.

Vou a caminho de uma data de coisas belas, onde cada vez mais o intervalo da teoria e da prática se fundem num só.

Esse tem que ser sem dúvida um dos grandes propósitos da vida.

Claro está, que existe um universo de possibilidades e uma multiplicidade de escolhas! Todas elas conduzem a outras encruzilhadas que antecipadamente estudo, analiso e coloco em perspectiva. 

Mas no fim (quando sentir esse momento chegar) uma vez reunidos todos os dados e amadurecido o pensamento: decido sempre.



Estou em mais um desses grandes processos. E no fundo, até me sabe muito bem, porque:


"isso" é que é agarrar a vida com ambas as mãos!



terça-feira, 2 de setembro de 2014

#138 E T E R N I D A D E


A vida e as suas vicissitudes. 

O tempo vai avançando, vamos caminhando e a dado momento perguntamo-nos:

- Para onde vamos e onde estamos, afinal?

Eis pois, nesta simples pergunta, três das maiores provas de que estamos vivos: 
1. Questionarmo-nos filosoficamente sobre o mistério da vida; 
2. Assumirmos o "despertar" e 
3. Sentirmo-NOS.

Há já algum tempo que me sinto vivo. Não falo de me sentir vivo... falo de me sentir VIVO, mesmo!

A vida não me escorre nas mãos, antes saboreio-a! As emoções não são vividas a frio, antes fervilho nas veias!

Tenho pensamentos dicotómicos sobre algumas matérias. Por vezes encontro-me no meio de paradoxos, em encruzilhadas intensas. 

Naturalmente que isso é estar vivo, porque quando experiencio, quando dialogo e aprendo também com todas(os) as(os) Mestres que comigo se cruzam no caminho: o pensamento evolui.

Mas quem é que disse que não reside aí o sabor da vida? Quem é que disse que as regras devem ser iguais para todos? Porque não ousar ser diferente? Porque não ousar criar novos circuitos, novos paradigmas, novas emoções, novas sensações, nova eternidade?

Cansado estou de estereótipos. Não de hoje, mas de sempre. Desde que me conheço. 

Cansado estou de observar o mundo, sob um olhar atento e de verificar as marionetas que se movimentam ao sabor do manipulador... e esse, esconde-se muitas vezes em cada écran de televisão, em cada jornal, em cada revista, em cada cartilha que nos é ventilada por cada corporação com interesses instalados. Em cada organização que não permita a liberdade, que não tolere a diferença e que tente impor a sua verdade.

Sou cada vez mais livre no pensamento, cada vez mais livre na acção. É um caminho incompleto, mas olho para trás e penso no tanto que já se conquistou. No tanto que já se palmilhou, na imensidão do mar e do céu percorridos... e na alegria que sinto, quando penso no que há ainda para percorrer.

Claro que nesse caminho não há só prazer, mas também alguma dor. Mas aquela dor que ensina e que se dilui com o tempo. A lágrima que dá lugar ao sorriso, o rosto que de triste se faz alegre e aí fica.

E se não fica imediatamente, talvez seja acima de tudo ao se sentir "estranho" por poder ser afinal: tão simples... ora, ir contra muito do que bebemos ao longo da vida, causa sempre alguma mossa. Mas é precisamente aí que reside a construção do nosso SER. Ou direi antes, a derradeira (re)descoberta, o delicioso sabor da vertigem, as borboletas no estômago. 

Apelo a quem se queira juntar nessa viagem. 

A quem já está, que aqui fique se sentir. E a quem partir, o meu abraço sentido na certeza de que aguardarei até que regresse.

Mas se por ventura não regressar... é porque no fundo e afinal: AQUI... nunca terá afinal chegado. 

E então... a quem partir, só posso desejar os meus votos de boa viagem e guardar todas as memórias com o meu melhor sorriso.

...quanto a quem decidir ficar a escrever a história:



:))


(TO BE CONTINUED)



sábado, 30 de agosto de 2014

#137 A chave és tu


A vida é sempre um universo de possibilidades... Partir, ficar. Correr, parar. Só andar para trás não é possível.

E ainda bem!

Evoluir é isso mesmo. Caminhar e conviver com as nossas escolhas. Com os nossos erros, mas saboreando também o delicioso sabor das vitórias.

Agarrar a vida com ambas as mãos, é decidir. É optar. 

No fundo, é vencer sempre, se aprendermos algo com as nossas decisões a cada momento e a cada instante.

É conhecermo-nos e convivermos com o de melhor e de pior temos. É aceitar o sol e a sombra que habitam em nós.

É rir e chorar e depois rir de novo. Sim... no fim: rir sempre! :))

O mistério da vida? 


A CHAVE ÉS TU.