sexta-feira, 18 de julho de 2014

#128 Amar a solidão


Paro e penso nas vezes em que tive medo de ficar sozinho, ao longo da vida.

Tirando os tempos de criança em que pedia bastante atenção, (especialmente no meu caso que debilmente precisava de especiais cuidados de saúde) julgo que enfrentei bem essa barreira com o cair do pano.

Sempre gostei de ler. De escrever. De meditar. De passear sem ninguém. De ouvir ou tocar música sozinho. Aliás, a esse propósito, o piano tem sido uma recente feliz descoberta.

Mas, estaremos realmente sós quando estamos sem a companhia de ninguém? NÃO!

Se descobrirmos a enorme alegria que é privarmos com nós mesmos e de nos reinventarmos, quando iniciamos finalmente o caminho da redescoberta interior: nada mais nos amedronta.

No fundo, estamos e estaremos sempre sozinhos. Mas acompanhados de todas as histórias, de todas as memórias, de todos os corações que nos tocaram e que tocamos, também nós ao longo da nossa existência.

Sei que o amor mais puro e verdadeiro, acompanhar-me-à sempre! Amo e celebro pois a vida: todos os dias. 

O momento do fim chegará, mas até aí o meu sorriso interior rejubilará de felicidade por mais essa derradeira viagem, que espero ainda demore... mas que não me mete medo. Duma nova etapa se tratará, apenas.

É pois bom estar vivo! Celebremos todos os dias essa dádiva, independentemente da nossa condição e aproveitemos ao máximo todas as oportunidades de aprendizagem, entre lágrimas e risos, entre despedidas e reencontros.

Até já.




quarta-feira, 16 de julho de 2014

#127 Pela noite dentro


Sempre fui um ser noctívago. Claro que simultaneamente viver de dia, causa um certo transtorno.

Solução encontrada há uns belos anos, aliada a um sistema biológico que felizmente veio comigo desde a nascença? Fácil: dormir menos e no meu caso meditar, uma vez que aí recupero ainda e em menor tempo as forças físicas, psíquicas e naturalmente espirituais, que me energizam positivamente para mais uma jornada, seja ela qual for.

Digamos que é uma espécie de "stand by" planeado, que faz com que o botão do "on" ligado novamente, tenha ainda mais força.

Mas dizia eu, na noite reencontro vezes sem conta o prazer da escrita livre e sem preconceitos; da música nota a nota, compasso a compasso; da contemplação do silêncio lá fora, interrompido pelos carros que passam ou pelos animais nocturnos; no gosto pela meditação ou pela reflexão mais apurada de um sem número de assuntos.

Assim, me transfiguro ou me resgato e habito também na noite como um novo ser, na manifestação mais pura dos meus alteregos, na assumpção plena da multifacetação, na vivência da pluridimensionalidade, sob todas as formas.

Penso no Agosto que aí vem. E com ele: novo regresso ao meu mundo encantado.




* texto escrito pelas 02h47. E tanto que sinto a caminho, antes de me deitar. Gosto disto assim, até porque não sei ser de outra forma. Quem diz que a solidão é necessariamente má? Provoco-a vezes sem conta, tamanha é alegria e a paz que me dá.

terça-feira, 15 de julho de 2014

#126 As escolhas


Nem sempre fui muito bom a fazer escolhas na vida. Por diversas vezes fiz, como todas as pessoas, escolhas que se vieram a verificar erradas.

De lá para cá, multiplicam-se as boas escolhas. 

Estou longe de ser sábio, mas estou ainda assim: mais perto.

Até porque: não conheço outro caminho.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

#125 Viver para sempre


Há dias em que penso, que de alguma forma já alcancei a imortalidade.

Nas amizades que fiz, nos amores que tive, nas situações que vivi, nas paisagens que observei, nos abraços e beijos que dei, em suma: nas viagens que tenho efectuado.

Não sei quanto mais tempo "isto vai durar"... Mas a verdade, é que tem sido uma viagem maravilhosa, cheia de aprendizagem. Uma vida rica em vivências, em sorrisos e lágrimas! Como pelo menos eu, a queria.

A todos(as) quantos(as) têm feito dela tão rica, o meu obrigado! 

E a todos(as) quantos(as) tenho magoado de alguma forma... aqui fica o meu pedido de desculpas, na certeza de que esse era o meu papel nas vossas vidas, não obstante não o ter procurado.

Hoje sou uma pessoa melhor, longe da perfeição. Mas melhor, sem dúvida porque compreendo muito do que me passava ao lado e está tudo mais lúcido agora.

Também e muito por essa Luz: a minha eterna e profunda gratidão. 


quinta-feira, 10 de julho de 2014

#124 O Plano B


Estou a caminho de mais um aniversário, que ocorrerá daqui a umas semanitas.

Recuo mentalmente uns anos e penso nos planos que já fiz e refiz.

Ia ser bombeiro! Ou talvez político? Hum... músico de sucesso? Queria ter um pé de meia jeitoso aos 30 - naquela linha yuppie do 1º milhão.

Era suposto já ter conhecido todo o mundo e viajado então vezes sem conta, quotidianamente.

E mais tantas e tantas coisas. 

Faço o balanço. Dias e noites perdidas a lutar por este ou por aquele objectivo. Lágrimas soltas em batalhas perdidas, nas quais aprendi bastante, essencialmente na adolescência. Mas também vários momentos de vitória saborosa.

Recordo amizades perdidas, algumas resgatadas e ainda outras novas conquistadas. Como no amor.

Loucuras e momentos vividos no limite, ao longo dos anos, dos quais guardo segredo partilhado com quem comigo os viveu. 

De facto, os vários Planos A, não têm sido muito bem sucedidos... mas se querem que vos digo:


PARA A MINHA VIDA, AMO MESMO É O PLANO B.