terça-feira, 17 de junho de 2014

#110 As pessoas mudam


Só não muda quem não evolui. Quem não lê. Quem não se documenta. Quem não vive. Quem não aprende com a experiência. Quem não amadurece.

Claro está, que não mudamos na essência.

Ao longo da vida tenho aprendido bastante. Muitas das vezes como já aqui falei, aprendo através da dor que cumprimento respeitosamente e saúdo, pelo tanto que me ensina.

Outras vezes, a aprendizagem surge naturalmente, fruto do tempo que passa e nos auxilia a pensar. Pode bastar um mero segundo, para que o clique mágico se dê.

Importante, é não trairmos a nossa consciência. E irmos aprendendo com os erros.

Por vezes parece um caminho longo, mas surgem sempre atalhos e auxílios inesperados.

Isto, a propósito de mim próprio, quando olho para trás. Tanta coisa errada que já fiz. Mas também, tanta coisa certa que tenho feito!

De manhã quando acordo, olho-me ao espelho e continuo a ter muito orgulho no gajo que lá vejo. 

Isso para mim, será sempre a minha estrela do norte, a minha linha orientadora, o meu guia.

Tudo o resto, passa-me ao lado.


sábado, 14 de junho de 2014

#109 Não sou daqui


Há dias em que desperto e percebo que vivo rodeado de pessimismo. Quando saio à rua e ouço as conversas. Quando olho nos olhos das pessoas e lhes adivinho a tristeza. Quando converso e ouço a descrição dos seus problemas e a forma como julgam não os poder vencer.

Por outro lado, eu próprio não quero ter as suas vidas. Quero antes a minha.

Não quero o dinheiro do Cristiano Ronaldo. Não quero a fama do Brad Pitt. Não quero ser mais jovem. Não quero ser mais velho.

Nem sequer queria que a vida me tivesse corrido melhor, porque aprendo todos os dias com a experiência das dores que tive e sorrio, quando penso nas dores que ainda terei e os ensinamentos únicos que delas extrairei. Até porque no encontro com a dimensão da dor, se aprecia melhor a dimensão do prazer, quando a vivemos.

Talvez gostasse de viajar mais. Mas na verdade, esse só seria um lamento de facto, se não me sentisse a viajar quando medito. Se não viajasse tanto quando dialogo com as pessoas com as quais me cruzo, se não viajasse tanto nos olhares que comigo se tocam, se não viajasse para tão longe... quando observo a natureza.

Talvez gostasse de ter mais tempo. Mas na verdade, o tempo que tenho, é o tempo de que preciso! Se tivesse mais, talvez não soubesse o que lhe fazer e não o aproveitasse tão bem, quanto sei que aproveito o tempo que agora tenho.

Não sou daqui... Sou de outra linhagem. De outra gente. Da terra do tudo e do nada.

Mas... nem sempre fui de tão longe daqui... a distância era talvez menor.



Mas agora sou dessa terra de longe. Dessa galáxia intemporal, onde os valores são outros e se vive na diferença, sentindo-a e aprimorando-a. 

Sim, agora sou "desse Longe". E é para lá que vou, a cada passo que dou.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

#108 Dia de sol, em casa


Um radiante dia de sol! Já o haviam prometido os noticiários, o boletim meteorológico e os sinais no céu, eram por demais evidentes.

Imaginei as praias repletas de gente, nomeadamente de todos quantos aproveitam hoje o feriado de Lisboa, ou de Cascais.

Imaginei as filas de espera nos restaurantes à beira mar, o brilhante sol a queimar as peles e a bronzear os não morenos.

Lembrei-me de que sou moreno todo o ano, de que em casa o ar condicionado me sabe tão bem e pensei em todos os livros que não li e das papeladas por arrumar, dispersas um pouco por todo lado. 

Haverão certamente outros dias para dar um mergulho (pelos vistos o sol continua um pouco por todo o fim de semana e certamente ainda outros dias quentes virão).

Resultado: escolhi sorrir, no meio do cheiro dos livros e das minhas anotações, na habitual e excelente companhia, recordando momentos soltos e dispersos em papéis, que contam tantas e tantas histórias... Muitas que guardo para sempre, só eu.

Olhei para a colecção de cd's imensa, que tenho acumulado ao longo dos anos... músicas que não escuto há muito, a par do silêncio, que cada vez mais gosto de escutar.

E também algum descanso, que isto de dormir quotidianamente sempre pouco, obriga por vezes (ainda que raramente) a um momento de excepção.  Tive-o hoje.

No fundo, não é preciso muito para me sentir feliz.


Viver, também é muito isto.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

#107 O Caos é lindo


Alterações climáticas profundas em curso, que nos levarão ao fim.

Bancos em falência um pouco por todo mundo. Redes sociais por todo o ciberespaço, agrupando centenas de milhões de pessoas antes (e agora também) desconhecidas, mas com a ilusão de se conhecerem.

Ao mesmo tempo, nascem e morrem biliões. Automóveis por todo lado circulam, nascem prédios novos todos os dias, as pessoas aderem a novas religiões, outras vibram com o futebol e enchem-se ainda recintos de espectáculos, para serem vistos os artistas favoritos. 

Tantas e tantas mais coisas que acontecem, a cada nanosegundo que passa... sorrisos e lágrimas.

Impávido e sereno a tudo isto: o sol nasce e parte, todos os dias. O mar dança como sempre e o céu deixa cair gotas de chuva, ou mostra-se tímido entre dias de neblina, ou afirmativo e resplandecente como hoje.

Sim, tudo acabará um dia. Mas o caos é lindo, dependendo da perspectiva, da pureza dos olhos que o observam. Uma vez alinhados, só nos podem despertar compaixão pelos que sofrem (alguma por nós mesmos) e a vontade de contemplar esta ordem desordenada, esta orquestra que desafina afinada e gritar bem alto:


É BOM ESTAR VIVO!  



quarta-feira, 11 de junho de 2014

#106 Meia dúzia de palavras


Às vezes bastam meia dúzia de palavras certas e ditas no momento exacto, para mudar o sentido de uma vida. Ou um olhar. Ou um abraço bem dado e apertado.

O poder que temos nas mãos, todos os dias, é por isso enorme.

Vivermos, cruzarmo-nos e assim interferirmos nas vidas uns dos outros, é uma dádiva e simultaneamente uma enorme responsabilidade.

Estarmos conscientes e despertos, é por isso altamente imprescindível. A fim de que façamos o menor número de asneiras possível.