quarta-feira, 11 de junho de 2014

#106 Meia dúzia de palavras


Às vezes bastam meia dúzia de palavras certas e ditas no momento exacto, para mudar o sentido de uma vida. Ou um olhar. Ou um abraço bem dado e apertado.

O poder que temos nas mãos, todos os dias, é por isso enorme.

Vivermos, cruzarmo-nos e assim interferirmos nas vidas uns dos outros, é uma dádiva e simultaneamente uma enorme responsabilidade.

Estarmos conscientes e despertos, é por isso altamente imprescindível. A fim de que façamos o menor número de asneiras possível.

terça-feira, 10 de junho de 2014

#105 Músicas profundas


Já aqui tinha falado uma vez de "Agnus Dei" de Samuel Barber.

De facto, o meu apurado ouvido escuta verdadeiramente com atenção e agrada-lhe muito do trance mais psicadélico, do experimentalismo mais profundo, do black metal mais intenso, da fusão jazz mais tecnicista, da world music mais exótica e tantos, tantos outros caminhos aparentemente desconexos.

No fundo, eu próprio sou afinal uma extensão do meu ouvido: uma caixa de surpresas. Ou talvez não.

Simplesmente descubro a beleza onde outros(as) a não encontram. Vislumbro a paz no meio da guerra, encontro sorrisos perdidos no meio de lágrimas soltas, recortes de esperança em desgraças sem fim.

E volta e meia regresso a temas profundos (como o Agnus Dei) que caracterizam "estados" de espírito meus que são constantes e eternos, que revisito volta e meia (aliás, habitam em mim).

A mais íntima dor, pode sempre dar lugar à esperança e após a queda com o toque nas profundezas do abismo, abraçando os nossos fantasmas e demónios mais velhos, podemos de novo escalar a montanha mais alta e colocar a bandeira com o nosso brazão da paz inscrito.

Aqui cito hoje "Misa Criolla" de Ariel Ramirez, nomeadamente "Kyrie", ainda que por exemplo versões como a do tenor José Carreras, ou a do coro da UCLA University conduzida por Rebecca Lord com o tenor Joshua Guerrero e o barítono Ryan Thorn, sejam ainda mais fantásticas e a meu ver mais profundas que o próprio original, cuja capa de 1964 aqui reproduzo. 

Esta missa, onde repetidas vezes é cantado o trecho "Senhor tem piedade de nós (nosotros)" encontra uma intensidade tal e um clímax ímpar. Do mais simples que pode haver... Para mim, tocante.

De facto, entre variadíssimas críticas (fundamentadas) que coloco às mais diversas religiões (nomeadamente às instituições e protagonistas que as dirigem e dirigiram ao longo dos séculos) encontro e admiro obras de arte magníficas, nas suas mais diversas expressões, tendo a fé como fio condutor. 

Aqui fica o link https://www.youtube.com/watch?v=aiossDO5vRc para quem queira conhecer, nomeadamente a versão conduzida por Facundo Ramirez com a respectiva pauta.


#104 Escrever um novo fim


Escrever um novo início é impossível. Mas é sempre possível escrever um novo fim.

A vida traz-nos vivências e embala-nos em sonhos, que as ondas trazem e levam.  

Nem sempre conseguimos no imediato levar por diante as decisões que tomamos. Mas a cada esquina, existe uma nova oportunidade de agarrarmos o futuro com todas as forças.

Na verdade, os momentos e as memórias ficam gravadas, tatuadas que são a quente, no nosso Grande Livro dos Sentires.

Aprender com a experiência é tarefa dura... mas alcançável a uma alma pura.

Conservar esse estado de pureza inicial, ou recuperá-lo: isso sim é um desafio.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

#103 Viciado em livros


Acho que todos quantos gostamos de ler, em algum momento tivemos o sonho de ter um dia uma casa com uma biblioteca gigante só para nós.

Uma biblioteca a sério, com livros de perder de vista, com vários pisos, daqueles de se ter que subir a escada para ir lá acima buscar um título... ahhh...

E depois claro, tempo para os ler!

Recordo os tempos em que frequentava bibliotecas com regularidade. Depois, ganhei eu próprio o meu dinheiro e comecei a comprar mais livros. E depois ainda, a internet surgiu e com ela todo um novo mundo de possibilidades.

Continuo no entanto a gostar dos livros físicos. A manter aquela velha máxima: "um livro, um amigo" e a gostar de os folhear, de lhes sentir a textura, de lhes limpar o pó que acumulam ao longo dos anos.

Nem sempre leio muito... tem vezes! Nalgumas alturas devoro livros. Noutras, paro, penso e faço outras coisas, até porque de facto o tempo não chega para tudo.

Hoje em dia, sinto-me mais próximo de tomar a atitude de dar todos os meus livros, ou de pelo menos continuar a possibilitar que outros os leiam.

Na verdade, adoro poder disponibilizar "esses mundos por onde andei e ando ainda", a outros(as) para que façam essas viagens também.

E quão bom é ter quem comigo os discuta e comente volta e meia. É da discussão que nasce a luz, no confronto com a crítica, na observação de outros pontos de vista, enfim: na partilha.

LER, é um dos grandes remédios de sempre.






* a foto que ilustra este texto, é da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, construída no séc. XVIII, possuindo cerca de 250.000 volumes e sendo uma das mais belas do mundo.

domingo, 8 de junho de 2014

#102 A coisa mais simples


Passamos uma vida inteira a correr atrás de várias coisas.

Tentamos ter o domínio sobre o tempo, sobre as paixões e as emoções. Perseguimos a felicidade e procuramo-la em objectos, em pessoas, em locais, em momentos.

Acumulamos histórias, coleccionamos memórias, mas... é afinal na simplicidade, que está a chave para o sorriso mais genuíno e mais verdadeiro.

E por isso mesmo: ETERNO.