sexta-feira, 6 de junho de 2014

#101 É ashtanga mas: não é "tanga" nenhuma


Uma das decisões deste ano, decorrente de mais uma grande viagem que fiz e bastante intensa, foi a de iniciar a prática regular de Yoga.

Alguém em quem muito confio, sussurrou-me ao ouvido que: "a fazer, deveria optar pelo estilo/via ashtanga".

Pensei logo nas aulas de yoga que já tinha assistido ao longo da vida. Engraçadas, mas muito meditativas e direi mesmo "paradas para o meu gosto" - já que para Meditação já me chega a prática regular e exclusiva da Transcendental (pelo menos para já e até ao retiro que farei de Meditação Vipassana).

Mas... esse sussurro dizia que: o ashtanga era bom para mim porque era o mais "puxado"...

Bom, lá fui experimentar. Ao fim de 15m: "suava a bom suar". 

Rapidamente concluí que: ou estava muito em baixo de forma (o que apesar de tudo não creio...) ou então ali se encontrava algo, a que eu não estava definitivamente habituado...

Regressei uma vez e outra. E ainda outra... tudo sob o olhar atento de alguém que sabe bem o que está a fazer e nos ensina com toda a paciência do mundo... (criança que sou ainda, também nesse universo).

É pois um "masoquismo" a que me submeto com prazer, pelos resultados que antevejo e cujos alguns vou inclusivamente já testemunhando.

Dou por mim a levantar-me pelas 06h15 mais coisa menos coisa e a entrar pelas 07h (de segunda a sexta) numa prática, que suspeito, me irá ficar para a vida, pese embora o esforço das eventuais menos horas de sono, ou de ser obrigado a uma melhor gestão dos horários quotidianos. Opções!


A seu tempo, espero conseguir fazer todas as posturas. É um caminho duro e lento... mas sei convictamente, que apesar do ponto em que começo: lá chegarei.


Mas antes ainda, há que aprender a respirar, o que no fundo tem sido o meu maior desafio desde sempre, enquanto asmático crónico que fui (debilidade essa que também tenho vindo a vencer).

Ashtanga, meus amigos e minhas amigas, não é *tanga nenhuma. É assunto bem sério. 

E é do melhor. Experimentem este remédio que não se arrependem.






* para os mais distraídos, "tanga": é um calão variante possível para "treta"; "mentira"; "fraude"; "aldrabice". 

#100 Nova vida


Mais coisa menos coisa, meio ano depois, dá para fazer um balanço (ainda que em alguma parte dos casos, tenha sido apenas uma intensificação e o início da regularidade de práticas que já vinha fazendo). Assim sendo:

Regime alimentar alterado              - check
Meditação diária e regular             - check
Início de prática de yoga              - check
Prática desportiva regular             - check
Diminuição maior de televisão          - check
Aumento exponencial de leitura         - check
Estudo de novas práticas espirituais   - check
Aumento da contemplação                - check
Ajudar ainda mais os(as) outros(as)    - check
Aceitar melhor, compreender, evoluir   - check


Entre outras mudanças e viagens de transformação efectuadas, claro que tudo isto aumentou drasticamente e como previsto: o meu Índice Pessoal de Felicidade.

Melhorou a gestão da dor, da angústia, da desilusão. Aumentou de uma forma inexplicável (ou não) a minha vibração para com o cosmos. Estou finalmente alinhado, pese embora a eterna necessidade de efectuar várias afinações... seres imperfeitos como eu, não são fáceis de limar. Eu sei.


Pelo caminho ficaram algumas pessoas, o que só não lamento, porque a vida é feita de ciclos e tudo dura o tempo que está programado para durar. 

A todos(as) esses(as) desejo o melhor. Sinceramente. Quem sabe nos reencontremos.

Sei que novas pessoas entrarão e ainda outras sairão. Faz parte. Sem dramas.

E assim chego ao meu post número 100, num blogue que me tem dado muito gozo manter e onde sei que muitos de vós (tantos que já mo confessaram) observam em silêncio e tomam estes remédios que vos ofereço.

Se são bons para mim: quem sabe também a vocês vos possam curar.

Alguns dos que me conhecem, aconselharam-me a ser menos espiritual publicamente. Que muitas pessoas poderão não estar preparadas para me conhecer desta forma.

Percebo-os. Lá está: pelos vistos nem eles(as) me conheciam. Sempre fui assim. A porta está permanentemente aberta para quem quiser sair e para quem quiser entrar. É esse o meu estilo.

Uma nova vida está à espreita, se quisermos. Mas agarremo-la com ambas as mãos.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

#99 Compromissos de fé


Sempre apreciei a figura da Madre Teresa de Calcutá e não deixa de ser curiosa a forma como sempre exprimiu o seu carinho para com os desamparados, a sua vida asceta e o extraordinário sentido de humor com que brindava muitas das vezes os que com ela se cruzavam.

Disto lembrei-me, a propósito da última mensagem de um amigo meu que normalmente me envia textos de teor cristão, sendo sem dúvida um dos poucos que me lembro nos fóruns onde circulo, de afirmar a sua fé com toda a vivacidade e crença firme, desde tenra idade.

E admiro-o por isso. E gosto bastante dos textos que me manda. Aliás, disso já falei uma vez, ainda que noutro fórum do ciberespaço por onde já não viajo.

Também eu fui educado na fé da Igreja Católica Apostólica Romana, não obstante hoje em dia me afirmar noutro ponto da minha evolução espiritual. Mas relembro muito do que lá aprendi e muito faz ainda sentido. Outras coisas, não. E em definitivo.

Na verdade, em diversas religiões encontramos pelo menos um propósito positivo, ainda que não raras vezes seja deformado pelas suas instituições, pelos seus emissários e representantes.

Mas a verdadeira Fé, não está refém de qualquer credo ou Igreja. É uma prática espiritual individual, íntima e inabalável. Não nos formata, não nos escraviza, mas sim enaltece a diferença que cada um de nós apresenta, enquanto ser único e insubstituível neste mundo.

A verdadeira Fé, não se veste de ouro, nem se cobre de jóias preciosas. Não descrimina, não condena. Não faz a guerra. Não culpabiliza. Não afronta. Não reduz, não segrega, mas sim: acrescenta. 

Encontramos pois em nós, a verdadeira Fé original, quando perscrutamos na nossa essência. Quando amamos. Quando temos compaixão. Quando meditamos. E quando tentamos ser felizes, evitando magoar os outros, mas sim ajudando-os inclusivamente na sua caminhada.

Nessa Fé: acredito. 

E é essa palavra que levo a todos(as) com os(as) quais me cruzo e cruzarei até ao último dia da caminhada (desta).


quarta-feira, 4 de junho de 2014

#98 Saudades


Eu bem medito, bem pratico o desapego, mas 

ainda 
n ã o 
c o n s e g u i

deixar . . . 

de 

ter:  


s a u d a d e s.


S a u d a d e s disto. 

S a u d a d e s daquilo. 


S a u d a d e s do que vivi e não mais repetirei. 


S a u d a d e s do que não vivi e que não viverei. 


S a u d a d e s do que sinto ter vivido, mas que desta vez ainda não vivi e nem sei se voltarei a viver. 


S a u d a d e s de ter s a u d a d e s das vivências que já não fazem sentido. 


S a u d a d e s de fazerem sentido as vivências que ainda atravesso. 

Enfim: 


S   A   U  D  A  D  E  S


terça-feira, 3 de junho de 2014

#97 Processo de pacificação (loading)


O tempo vai andando ("como o Armando, um bocadinho a pé, um bocadinho and...") :D

E na verdade, tudo se vai encaixando. Chegadas, partidas, surpresas e poucas desilusões (vai-se naturalmente crescendo e já me deixei disso).

À medida que as coisas vão fazendo mais sentido, novos rumos (serão mesmo "novos" ou a repetição e afirmação, também nesta era: "dos de sempre"?) vão tomando o seu lugar.

Afirmam-se peremptoriamente, com a força que lhes adivinhava. 

Para acertar, eventualmente um dia, nada como errar muito e claro: VIVER!


"Meditar para melhor agir". 


É chegado esse momento: o de unir os resultados da meditação mais etérea (e exactamente por isso mais real) à acção concreta.

A subjectividade objectiva a tomar o seu papel cimeiro, operando na realidade e voilá: mutatis mutantis.