terça-feira, 27 de maio de 2014

#91 O aumentar do fosso


Interessante como testemunho na pele, o que apenas sabia na teoria.

Quanto mais a consciência desperta, maior é o fosso entre nós e um sem número de coisas. E de... pessoas.

O que suspeitávamos errado, (outrora vivendo em nós mas apenas intuído), adquire o carácter de certeza avassaladora e consciente. E algumas pessoas por mais bem que nos tenham feito, e qui ça nós a elas: se afastam, por estar cumprida a sua missão ...(a nossa para com elas e a delas para connosco).

A vibração muda. Algumas pessoas partem para longe... E nós igualmente partimos naturalmente, de algumas delas...

A beleza neste fenómeno, é que tudo isto é feito sem grande dor aparente. Pelo menos para quem está desperto.

Assume o papel de acontecimento, que está fadado a acontecer.

No meio disto e à medida que assumo o papel de participante "acordado", mas como sempre "observador", tacteio aqui e ali algumas desilusões.

Mas "apenas se desilude, quem se ilude". E por outro lado, a verdade é que consoante a lente, assim é feita a leitura. A visão diferente: vê de diferente forma.

Que ninguém se afirme como: "sábio de tudo". Como: "detentor da verdade plena"

Esse é um caminho. Doloroso, mas cheio de alegrias também.

E no fundo, não esqueço, não esquecerei ninguém. Todos(as) foram importantes, imprescindíveis para chegar onde cheguei.

Onde chegarei? 


Não sei.



Mas o meu eterno e sentido: OBRIGADO.



segunda-feira, 26 de maio de 2014

#90 Desertos


Oásis distantes, que vislumbro já
em cores tórridas e quentes
viagens intensas daqui para lá
comigo vão todos, mesmo os ausentes

Escolhas, caminhos, percursos
quilómetros que levo de caminhada
mais silêncio menos discursos
em consciência É a minha estrada

Desertos sedentes de água intensa
pés descalços do calor feridos
renovada a fé em velha crença:
fusão com o Uno em tons coloridos 


Medito: logo, sou
cheguei e agora 

e s t o u 



domingo, 25 de maio de 2014

#89 Dois terços hoje não foram votar


Hoje saí um pouco. Era domingo e estava bom tempo.

Muita gente nas esplanadas, malta nas praias. Sei que o Rock in Rio estava cheio.

Dois terços da população, pura e simplesmente ignoraram as eleições europeias. 

Um povo fustigado pela troika, aliás perdão... fustigado sim pela incompetência e pela mentira despudorada de várias gerações de políticos que passaram pelo arco do poder, através dos seus respectivos partidos. 

E também perante a ineficácia dos que nunca lá chegaram, porque não conseguiram mobilizar o eleitorado em torno das suas propostas...

Ou pela fraca qualidade das mesmas, ou dos protagonistas, ou por falta de máquina partidária, ou por estupidez de parte dos eleitores. Que também a há, muitas das vezes.

Há pouco decidi olhar um pouco para a televisão, coisa rara já lá vão uns anos.

Todos os partidos clamam vitória e surgem os rostos do costume, salvo uma ou outra excepção.

O que sei é que hoje meditei. Li. Fiz yoga. Estive com algumas pessoas que gosto, pensei noutras com as quais não estive.

Uma vez mais olhei o mar com calma, observei a natureza e estive em paz.

O meu domingo foi mais rico, porque dediquei tempo à "rosa" que quero que floresça em mim. Uma rosa feita de amor, e de consciência expandida em torno do que cada vez é mais importante:


VIVER, AMAR, SENTIR:


S E R

#88 Razões para não ir votar hoje


Pela primeira vez desde que fiz 18 anos, não exercerei o meu direito de voto. 

Vou abster-me de ir às urnas, sustentando-me na inutilidade desta União Europeia, cujo actual modelo faliu em tudo quanto se propôs.

Permanecem dramáticas assimetrias entre o norte e sul. Permanece uma trágica discrepância entre o que os povos pensam e o que é feito, quer pelos seus governos, quer pelos seus eleitos.

A Europa não é unida. Não há portanto: União Europeia.

Permanece uma tomada de assalto por parte do BCE que empresta a quem quer, como quer, com as taxas de juro que lhe apetece, consoante o credor.

A União Europeia não é portanto uma união, mas a tomada de assalto por parte de uns, a outros, escamoteada muitas das vezes em migalhas emprestadas a preço da escravatura eterna, ou em nome da autorização do saque nacional. 

O que não conseguiu ser imposto pela guerra de sangue, toma agora muitas vezes cor, através da guerra económica.

Nos últimos vinte anos, Portugal andou para trás. 

Qualquer que seja a questão nacional (cultura, educação, saúde, justiça, economia, finanças, credibilidade das instituições, o estado de depressão colectiva): Portugal está muito pior, pese embora a melhoria de muitas das suas infra-estruturas, que agora ficarão vazias, entregues ao abandono, num país que caminha para a desertificação, envelhecido e deprimido.

A noção que temos na sociedade contemporânea de "participação democrática", deriva da possibilidade de os cidadãos poderem influir efectivamente nas decisões que vão afectar as suas vidas.

Todos sabemos que a democracia não se esgota em eleições, ainda que seja precisamente nestas onde todo o cidadão, do mais rico ao mais pobre, utiliza o voto como um instrumento activo, na finalidade de agir sobre a realidade política.

Hoje não vou votar, porque sei que isso seria um acto inútil, ilusório e sem qualquer consequência de fundo. 

E ainda, porque a abstenção consciente, hoje em dia, é a melhor forma de expressar o repúdio por este sistema em que nos encontramos.

Relembro sem dúvida todos quantos lutaram para que eu hoje tenha o direito de voto. Respeito-os e os não esqueço, mas sei bem que o princípio subjacente ao voto é "o suposto poder do qual o mesmo estava investido". Tempos idos, esses.

Noutros actos eleitorais, reavaliarei. Mas confesso-me pouco crente, abrindo talvez uma excepção para as eleições dos protagonistas locais das nossas respectivas terras, que mais facilmente são levados ao escrutínio diário e que mais dificilmente podem fazer o contrário do que prometem. 

Mas a ver vamos.


sábado, 24 de maio de 2014

#87 Responsabilidade



Ontem fui a um jantar de aniversário, onde reencontrei alguma malta com quem me tenho dado ao longo dos anos, nalguns casos décadas.

Participei e observei, como sempre o faço (vício de sociólogo) as conversas, os olhares, a forma de pensar. Muito conversámos e nos rimos todos!

Tenho-lhes um carinho muito grande, mas na verdade estou cada vez mais longe de um sem número de coisas...

Seríamos para aí uns cinquenta talvez e ainda eu o único a pedir um jantar diferente, porque entendo que há coisas que já não quero.

Alguém que muito estimo me perguntou:
- Então mas só vais comer isso?

E saiu-me:
- Sabes, para teres umas coisas, por vezes tens que abdicar de outras. Essas para mim, são mais importantes.

E essa minha amiga, anuiu com a cabeça e pareceu-me que entendeu.

Algumas opções, estão agora presentes na minha vida com menor regularidade e outras cessaram mesmo, dando entrada galopante a novos hábitos.

Na verdade, o caminho de cada um é sempre sozinho, ainda que tenhamos que estar atentos aos sinais que estão um pouco por todo o lado e muitas vezes em quem connosco se cruza. 


Com todos aprendemos, porque "todos somos mestres uns dos outros" e desengane-se quem pensa que sabe tudo! 

Mas se aumenta a consciência: aumenta a responsabilidade.

Se aumenta a consciência, urge aumentar a compaixão. E igualmente cessar com a arrogância intelectual, com vaidades e afins. Impedir cóleras, raivinhas e angústias desproprositadas.

Cada um está no seu momento e tenta encontrar o ponto de equilíbrio.

Uns estão mais "perto", por ventura outros mais "longe"... 

Mas também "nós" o fomos já e desconhecemos se "lá" voltaremos.

A noção de "nível", é pois muito relativa. Cada um está onde precisa de estar e encontrar-se-à quando tiver que ser.

Não podemos é virar as costas ao que sabemos: uma vez LÁ chegando. É chegar e colocar em prática! Sem pausas.


É pois grande: a responsabilidade do DESPERTAR.