segunda-feira, 26 de maio de 2014

#90 Desertos


Oásis distantes, que vislumbro já
em cores tórridas e quentes
viagens intensas daqui para lá
comigo vão todos, mesmo os ausentes

Escolhas, caminhos, percursos
quilómetros que levo de caminhada
mais silêncio menos discursos
em consciência É a minha estrada

Desertos sedentes de água intensa
pés descalços do calor feridos
renovada a fé em velha crença:
fusão com o Uno em tons coloridos 


Medito: logo, sou
cheguei e agora 

e s t o u 



domingo, 25 de maio de 2014

#89 Dois terços hoje não foram votar


Hoje saí um pouco. Era domingo e estava bom tempo.

Muita gente nas esplanadas, malta nas praias. Sei que o Rock in Rio estava cheio.

Dois terços da população, pura e simplesmente ignoraram as eleições europeias. 

Um povo fustigado pela troika, aliás perdão... fustigado sim pela incompetência e pela mentira despudorada de várias gerações de políticos que passaram pelo arco do poder, através dos seus respectivos partidos. 

E também perante a ineficácia dos que nunca lá chegaram, porque não conseguiram mobilizar o eleitorado em torno das suas propostas...

Ou pela fraca qualidade das mesmas, ou dos protagonistas, ou por falta de máquina partidária, ou por estupidez de parte dos eleitores. Que também a há, muitas das vezes.

Há pouco decidi olhar um pouco para a televisão, coisa rara já lá vão uns anos.

Todos os partidos clamam vitória e surgem os rostos do costume, salvo uma ou outra excepção.

O que sei é que hoje meditei. Li. Fiz yoga. Estive com algumas pessoas que gosto, pensei noutras com as quais não estive.

Uma vez mais olhei o mar com calma, observei a natureza e estive em paz.

O meu domingo foi mais rico, porque dediquei tempo à "rosa" que quero que floresça em mim. Uma rosa feita de amor, e de consciência expandida em torno do que cada vez é mais importante:


VIVER, AMAR, SENTIR:


S E R

#88 Razões para não ir votar hoje


Pela primeira vez desde que fiz 18 anos, não exercerei o meu direito de voto. 

Vou abster-me de ir às urnas, sustentando-me na inutilidade desta União Europeia, cujo actual modelo faliu em tudo quanto se propôs.

Permanecem dramáticas assimetrias entre o norte e sul. Permanece uma trágica discrepância entre o que os povos pensam e o que é feito, quer pelos seus governos, quer pelos seus eleitos.

A Europa não é unida. Não há portanto: União Europeia.

Permanece uma tomada de assalto por parte do BCE que empresta a quem quer, como quer, com as taxas de juro que lhe apetece, consoante o credor.

A União Europeia não é portanto uma união, mas a tomada de assalto por parte de uns, a outros, escamoteada muitas das vezes em migalhas emprestadas a preço da escravatura eterna, ou em nome da autorização do saque nacional. 

O que não conseguiu ser imposto pela guerra de sangue, toma agora muitas vezes cor, através da guerra económica.

Nos últimos vinte anos, Portugal andou para trás. 

Qualquer que seja a questão nacional (cultura, educação, saúde, justiça, economia, finanças, credibilidade das instituições, o estado de depressão colectiva): Portugal está muito pior, pese embora a melhoria de muitas das suas infra-estruturas, que agora ficarão vazias, entregues ao abandono, num país que caminha para a desertificação, envelhecido e deprimido.

A noção que temos na sociedade contemporânea de "participação democrática", deriva da possibilidade de os cidadãos poderem influir efectivamente nas decisões que vão afectar as suas vidas.

Todos sabemos que a democracia não se esgota em eleições, ainda que seja precisamente nestas onde todo o cidadão, do mais rico ao mais pobre, utiliza o voto como um instrumento activo, na finalidade de agir sobre a realidade política.

Hoje não vou votar, porque sei que isso seria um acto inútil, ilusório e sem qualquer consequência de fundo. 

E ainda, porque a abstenção consciente, hoje em dia, é a melhor forma de expressar o repúdio por este sistema em que nos encontramos.

Relembro sem dúvida todos quantos lutaram para que eu hoje tenha o direito de voto. Respeito-os e os não esqueço, mas sei bem que o princípio subjacente ao voto é "o suposto poder do qual o mesmo estava investido". Tempos idos, esses.

Noutros actos eleitorais, reavaliarei. Mas confesso-me pouco crente, abrindo talvez uma excepção para as eleições dos protagonistas locais das nossas respectivas terras, que mais facilmente são levados ao escrutínio diário e que mais dificilmente podem fazer o contrário do que prometem. 

Mas a ver vamos.


sábado, 24 de maio de 2014

#87 Responsabilidade



Ontem fui a um jantar de aniversário, onde reencontrei alguma malta com quem me tenho dado ao longo dos anos, nalguns casos décadas.

Participei e observei, como sempre o faço (vício de sociólogo) as conversas, os olhares, a forma de pensar. Muito conversámos e nos rimos todos!

Tenho-lhes um carinho muito grande, mas na verdade estou cada vez mais longe de um sem número de coisas...

Seríamos para aí uns cinquenta talvez e ainda eu o único a pedir um jantar diferente, porque entendo que há coisas que já não quero.

Alguém que muito estimo me perguntou:
- Então mas só vais comer isso?

E saiu-me:
- Sabes, para teres umas coisas, por vezes tens que abdicar de outras. Essas para mim, são mais importantes.

E essa minha amiga, anuiu com a cabeça e pareceu-me que entendeu.

Algumas opções, estão agora presentes na minha vida com menor regularidade e outras cessaram mesmo, dando entrada galopante a novos hábitos.

Na verdade, o caminho de cada um é sempre sozinho, ainda que tenhamos que estar atentos aos sinais que estão um pouco por todo o lado e muitas vezes em quem connosco se cruza. 


Com todos aprendemos, porque "todos somos mestres uns dos outros" e desengane-se quem pensa que sabe tudo! 

Mas se aumenta a consciência: aumenta a responsabilidade.

Se aumenta a consciência, urge aumentar a compaixão. E igualmente cessar com a arrogância intelectual, com vaidades e afins. Impedir cóleras, raivinhas e angústias desproprositadas.

Cada um está no seu momento e tenta encontrar o ponto de equilíbrio.

Uns estão mais "perto", por ventura outros mais "longe"... 

Mas também "nós" o fomos já e desconhecemos se "lá" voltaremos.

A noção de "nível", é pois muito relativa. Cada um está onde precisa de estar e encontrar-se-à quando tiver que ser.

Não podemos é virar as costas ao que sabemos: uma vez LÁ chegando. É chegar e colocar em prática! Sem pausas.


É pois grande: a responsabilidade do DESPERTAR. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

#86 DOZE horas de meditação por dia?


DOZE HORAS DE MEDITAÇÃO POR DIA? DURANTE DEZ DIAS?

Emoções fortes é o que muitos procuram durante a vida. De alguma forma também eu o tenho feito.

O desconhecido, a mim sempre me atraiu. Desde miúdo. 
Uns fogem, a mim atrai-me.

Sempre li e documentei-me fortemente, antes de todas as viagens interiores ou de transformação, que fiz. 

Só assim sei estar na vida, difícil que foi em criança, conseguir resistir à asma que me tentava levar, com as complicações daí decorrentes.

O tempo passa. Umas coisas começam a fazer mais sentido que outras e a definição de emoções fortes, também ela se altera.

Por ventura, até se complica.

Este ano, tem sido "um ano daqueles". Soma-se o aumento da intuição, a outras características que saúdo.

À medida que avançam os dias, percebo que o tempo que chegou a mim, é de excepção. 

Mas... quantos de vós aguentariam, ou se submeteriam a este calendário? 

04:00    Chamada
04:30-06:30Meditação na sala ou no quarto
06:30-08:00Desjejum e descanso
08:00-09:00Meditação em grupo na sala
09:00-11:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
11:00-12:00Almoço
12:00-13:00Descanso e perguntas individuais com o professor
13:00-14:30Meditação na sala ou no quarto
14:30-15:30Meditação em grupo na sala
15:30-17:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
17:00-18:00Lanche e descanso
18:00-19:00Meditação em grupo na sala
19:00-20:15Palestra do professor na sala
20:15-21:00Meditação em grupo na sala
21:00-21:30Perguntas abertas na sala
21:30Repouso. Apagam-se as luzes


Assim é um Retiro de Vipassana, a técnica cuja história conta que Buda utilizava, quando ascendeu. 

Inscrições limitadas, lista de espera complexas, questionário.

Uma vez lá, as refeições são vegetarianas, não há telemóveis, nem computadores, nem livros, nem música, nem as pessoas falam umas com as outras, nem se olham sequer, até ao último dia em que se comunica.

Chegou a minha confirmação para um do retiros. Ainda faltam uns belos tempos, mas sei que vai ser uma experiência "daquelas".

Talvez um dia vos conte: mais esta escada que vou apanhar.