sábado, 24 de maio de 2014

#87 Responsabilidade



Ontem fui a um jantar de aniversário, onde reencontrei alguma malta com quem me tenho dado ao longo dos anos, nalguns casos décadas.

Participei e observei, como sempre o faço (vício de sociólogo) as conversas, os olhares, a forma de pensar. Muito conversámos e nos rimos todos!

Tenho-lhes um carinho muito grande, mas na verdade estou cada vez mais longe de um sem número de coisas...

Seríamos para aí uns cinquenta talvez e ainda eu o único a pedir um jantar diferente, porque entendo que há coisas que já não quero.

Alguém que muito estimo me perguntou:
- Então mas só vais comer isso?

E saiu-me:
- Sabes, para teres umas coisas, por vezes tens que abdicar de outras. Essas para mim, são mais importantes.

E essa minha amiga, anuiu com a cabeça e pareceu-me que entendeu.

Algumas opções, estão agora presentes na minha vida com menor regularidade e outras cessaram mesmo, dando entrada galopante a novos hábitos.

Na verdade, o caminho de cada um é sempre sozinho, ainda que tenhamos que estar atentos aos sinais que estão um pouco por todo o lado e muitas vezes em quem connosco se cruza. 


Com todos aprendemos, porque "todos somos mestres uns dos outros" e desengane-se quem pensa que sabe tudo! 

Mas se aumenta a consciência: aumenta a responsabilidade.

Se aumenta a consciência, urge aumentar a compaixão. E igualmente cessar com a arrogância intelectual, com vaidades e afins. Impedir cóleras, raivinhas e angústias desproprositadas.

Cada um está no seu momento e tenta encontrar o ponto de equilíbrio.

Uns estão mais "perto", por ventura outros mais "longe"... 

Mas também "nós" o fomos já e desconhecemos se "lá" voltaremos.

A noção de "nível", é pois muito relativa. Cada um está onde precisa de estar e encontrar-se-à quando tiver que ser.

Não podemos é virar as costas ao que sabemos: uma vez LÁ chegando. É chegar e colocar em prática! Sem pausas.


É pois grande: a responsabilidade do DESPERTAR. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

#86 DOZE horas de meditação por dia?


DOZE HORAS DE MEDITAÇÃO POR DIA? DURANTE DEZ DIAS?

Emoções fortes é o que muitos procuram durante a vida. De alguma forma também eu o tenho feito.

O desconhecido, a mim sempre me atraiu. Desde miúdo. 
Uns fogem, a mim atrai-me.

Sempre li e documentei-me fortemente, antes de todas as viagens interiores ou de transformação, que fiz. 

Só assim sei estar na vida, difícil que foi em criança, conseguir resistir à asma que me tentava levar, com as complicações daí decorrentes.

O tempo passa. Umas coisas começam a fazer mais sentido que outras e a definição de emoções fortes, também ela se altera.

Por ventura, até se complica.

Este ano, tem sido "um ano daqueles". Soma-se o aumento da intuição, a outras características que saúdo.

À medida que avançam os dias, percebo que o tempo que chegou a mim, é de excepção. 

Mas... quantos de vós aguentariam, ou se submeteriam a este calendário? 

04:00    Chamada
04:30-06:30Meditação na sala ou no quarto
06:30-08:00Desjejum e descanso
08:00-09:00Meditação em grupo na sala
09:00-11:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
11:00-12:00Almoço
12:00-13:00Descanso e perguntas individuais com o professor
13:00-14:30Meditação na sala ou no quarto
14:30-15:30Meditação em grupo na sala
15:30-17:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
17:00-18:00Lanche e descanso
18:00-19:00Meditação em grupo na sala
19:00-20:15Palestra do professor na sala
20:15-21:00Meditação em grupo na sala
21:00-21:30Perguntas abertas na sala
21:30Repouso. Apagam-se as luzes


Assim é um Retiro de Vipassana, a técnica cuja história conta que Buda utilizava, quando ascendeu. 

Inscrições limitadas, lista de espera complexas, questionário.

Uma vez lá, as refeições são vegetarianas, não há telemóveis, nem computadores, nem livros, nem música, nem as pessoas falam umas com as outras, nem se olham sequer, até ao último dia em que se comunica.

Chegou a minha confirmação para um do retiros. Ainda faltam uns belos tempos, mas sei que vai ser uma experiência "daquelas".

Talvez um dia vos conte: mais esta escada que vou apanhar. 


quinta-feira, 22 de maio de 2014

#85 Nem eu consigo estar calado hoje


Dever cumprido. 

Foi um dia carregado, que começou pelas 06h20 (o outro terminou pelas 04h mais coisa menos coisa).

Na verdade, na apresentação que me competiu fazer do livro das minhas queridas amigas Ana Almeida, Carla Rocha e Marta Moncacha, "As mulheres não sabem estar caladas": revisitei eu próprio alguns universos interiores.

Dor, solidão, saudade, esperança no futuro, regozijo, ironia, paz, tristeza, introspecção, desprezo, desilusão, alegria, magnanimidade - foram algumas das sensações que experimentei. 

Mais uma grande sessão, com a chancela da Associação Luchapa, no Palácio do Egipto em Oeiras.

No fundo, a verdade é que o tempo nos faz cada vez mais sábios. Mais experientes. Mais equilibrados, mais focados.

E precisamente no foco, reside o que mais interessa: a PAZ INTERIOR.


O resto não interessa para nada. Testemunhei isso hoje, uma vez mais.

Pelas 06h45 estarei novamente a praticar ashtanga yoga, mas agora: ainda vou meditar. Boa noite.



#84 Força de vontade


São quase 02h30 da noite de quarta para quinta, quando escrevo este texto.

Cheguei de um jantar que terminou pelas 23h, precedido de uma reunião. 

Já em casa, ainda arranjei tempo para ler o livro que apresentarei amanhã (já hoje, quinta) de três ex-colegas minhas da Câmara Municipal de Oeiras, que colocaram mãos à obra e editaram um livro. Um orgulho, estas meninas!

Pelas 06h45 (daqui a 4h30 horas) estarei a praticar ashtanga yoga, seguido da prática regular de meditação transcendental.

Depois duche, nova roupa, pequeno almoço e seguir para reunião em Lisboa logo pela manhã, seguida de dia cheio porque: "é preciso ganhar o pão", honestamente.

Ainda passarei nos meus Bombeiros do Dafundo, para saber como estão todos e assinar documentos urgentes se os houver, entre afectos vários a quem dedica a sua vida a salvar outras.

Não me lixem com o argumento de "falta de tempo", para isto e para aquilo... 

Querer é poder! 

Força de vontade? Tenho de sobra. Querem um pouco? É só pedirem.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

#83 Debaixo do nosso nariz


Na busca pela espiritualidade, ou digamos antes, "por sermos melhores pessoas", acontecem coisas engraçadas.

Especialmente porque quando "despertamos", as coincidências tornam-se visíveis, a intuição aumenta exponencialmente e somos invadidos por uma calma que nos desmonta.

Claro está que as respostas vêm ter connosco, uma vez iniciado o caminho.

E algumas surgem desafiadoras, perguntando: "Como é que nunca me viste?"

E de facto é verdade. Andamos adormecidos, trôpegos pelas contas para pagar, pelos horários a cumprir, pelas regras estabelecidas, pela tristeza e amargura ventiladas por todo o lado onde nos viramos.

Parece nunca haver esperança a um modelo alternativo de vida, a uma nova postura, a um novo caminho.

Tanto que parece pré-definido. Inabalável, imutável.

Mas uma vez iniciado o percurso, o sorriso apodera-se ainda mais e na verdade descobrimos que há muito karma para alterar.


Mãos à obra.