quinta-feira, 22 de maio de 2014

#84 Força de vontade


São quase 02h30 da noite de quarta para quinta, quando escrevo este texto.

Cheguei de um jantar que terminou pelas 23h, precedido de uma reunião. 

Já em casa, ainda arranjei tempo para ler o livro que apresentarei amanhã (já hoje, quinta) de três ex-colegas minhas da Câmara Municipal de Oeiras, que colocaram mãos à obra e editaram um livro. Um orgulho, estas meninas!

Pelas 06h45 (daqui a 4h30 horas) estarei a praticar ashtanga yoga, seguido da prática regular de meditação transcendental.

Depois duche, nova roupa, pequeno almoço e seguir para reunião em Lisboa logo pela manhã, seguida de dia cheio porque: "é preciso ganhar o pão", honestamente.

Ainda passarei nos meus Bombeiros do Dafundo, para saber como estão todos e assinar documentos urgentes se os houver, entre afectos vários a quem dedica a sua vida a salvar outras.

Não me lixem com o argumento de "falta de tempo", para isto e para aquilo... 

Querer é poder! 

Força de vontade? Tenho de sobra. Querem um pouco? É só pedirem.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

#83 Debaixo do nosso nariz


Na busca pela espiritualidade, ou digamos antes, "por sermos melhores pessoas", acontecem coisas engraçadas.

Especialmente porque quando "despertamos", as coincidências tornam-se visíveis, a intuição aumenta exponencialmente e somos invadidos por uma calma que nos desmonta.

Claro está que as respostas vêm ter connosco, uma vez iniciado o caminho.

E algumas surgem desafiadoras, perguntando: "Como é que nunca me viste?"

E de facto é verdade. Andamos adormecidos, trôpegos pelas contas para pagar, pelos horários a cumprir, pelas regras estabelecidas, pela tristeza e amargura ventiladas por todo o lado onde nos viramos.

Parece nunca haver esperança a um modelo alternativo de vida, a uma nova postura, a um novo caminho.

Tanto que parece pré-definido. Inabalável, imutável.

Mas uma vez iniciado o percurso, o sorriso apodera-se ainda mais e na verdade descobrimos que há muito karma para alterar.


Mãos à obra.


terça-feira, 20 de maio de 2014

#82 Recomeçar



O tempo avança e não volta atrás. 

Inúmeras vezes sou invadido por uma nostalgia feroz. Imagens de outrora, recordam-me vivências presas num espaço-tempo, do qual só eu detenho a chave.

Mas também me chegam reflectidas outras imagens neste espelho... imagens "do que poderia ter sido" ou "do que já não será", fruto das opções que vamos tomando ao longo da vida, das pessoas que se vão afastando, dos caminhos que vamos seguindo.

É uma estranha saudade, esta, "do que não vivi". Do que possivelmente: já não viverei.

O futuro faz-se construindo e edificando a cada dia que passa. Os erros que cometemos, especialmente quando os compreendemos, definem-nos através da memória da dor, marcada no nosso corpo espiritual.

Há karma que podemos alterar... outro não. Mas que ao menos estejamos conscientes, para que uma vez alcançado esse estado, quem sabe suprimamos algumas falhas. E cresçamos, um pouco mais.

O perdão tem que surgir, primeiro que tudo a: nós mesmos. De NÓS, para nós... 

Nem sempre é fácil, especialmente quando o EU espiritual ganha ainda a sua consistência neste débil corpo físico, que se atrapalha, escorrega e cai por diversas vezes.

Mas se persistirmos no objectivo, algum dia se fortalecerá e não mais escorregará!

Chegamos ao ponto derradeiro do mergulho em oceanos de dor, é certo... mas sorrindo: porque a cada dia existe a possibilidade de um novo recomeço. De um novo princípio.

E quando olhamos para trás... que viagem, esta!

Com as condições que tínhamos, podíamos fazer melhor? Certamente! ...e não o fizemos... 

Mas... e agora que novamente avaliámos, despertámos milimetricamente mais um nível e já o sabemos?


Resta-nos uma vez mais, tantas vezes quantas necessárias forem:


R E C O M E Ç A R



sábado, 17 de maio de 2014

#81 Teoria dos Relógios Dessincronizados - apontamento


Mas quem é que ainda não passou por isso?

Certa vez há muitos anos atrás, era eu ainda um jovem adolescente, tinha a mania de teorizar sobre muitas coisas, com um velho amigo, um verdadeiro irmão mesmo, que ainda hoje se mantém.

Questionávamos "o tudo e o nada" e à boa maneira sociológica (que acabou por se tornar a nossa área académica de intervenção) escrevíamos volta e meia alguns ensaios, que depois eram discutidos e aperfeiçoados até à exaustão.

Relembro desta vez um, produzido por mim, que era a "Teoria dos relógios dessincronizados", que neste momento revisito, ainda que brevemente.

Dizia eu, por contraposição à tese da existência de apenas uma alma gémea ao longo da vida, que o nosso problema era: a dessincronização.

Pensemos em cada um de nós como um relógio que quando encontra outro com os ponteiros na mesma hora, se apaixona. E depois, ao longo da vida, por este ou por aquele motivo, "o relógio de um, anda a velocidades diferentes do outro".

Ciclos que mudam pela educação, pela vivência, pela experiência, por tudo um pouco. E aí, dá-se a dessincronização.

Por hipótese, a "alma gémea" pode ser aquele(a) desconhecido(a) que connosco se cruza no caminho. 

Pode ser? Bom... pode até já "ter sido" em tempos, mas ter passado(a) despercebido(a) por não nos termos cruzado quando os ponteiros "estavam afinados". Ou poderá ainda "vir a ser", mas de novo: nos não cruzarmos...

Por isso, no fundo, a arte é a de acompanharmos a mudança uns dos outros. A de conseguirmos permanecer em estado de contemplação e de eterna aprendizagem, respeitando a diferença e amando-a, se possível até.

Porque talvez nós mesmos já "tenhamos sido assim" ou ainda "venhamos um dia a ser", com a inevitável mudança que ao longo da vida estamos sujeitos(as).

A vida está recheada de ensinamentos. Estamos de facto aqui para aprender! 

...e quando aprendemos a arte de dominar a passagem do tempo e de consequentemente por magia o "suspender": vivemos o amor incondicional, que não tem fim. 

Porque é: 


ETERNO.


#80 Saudades do que não vivi


Dias de sol que sabem a África. 

Dias que rebuscam paisagens escondidas... algumas vislumbradas já, nesta vida.

O cheiro da terra molhada, os olhos nos olhos, o toque sem medo, o sorriso aberto, o calor que nos invade e preenche totalmente.

A pureza mais genuína, a ignorância original que nos surge sob a forma da inocência desconcertante, que nos mostra que o que sabemos: afinal de pouco nos serve verdadeiramente.

A Natureza firme e avassaladora, o seu poderio esmagador, o pulmão do planeta... mas também o coração.


Saudades... Do tanto que ainda não vivi.