quarta-feira, 30 de abril de 2014

#69 A sorte e o azar


Ter sorte, dá normalmente muito trabalho.

Algumas tribos como por exemplo a shipibo-conibo, dizem que "o azar é um desiquilíbrio energético".

Na verdade até posso concordar, mas para: quem nada faz; para quem não arrisca; para quem não coloca os objectivos altos, com medo; para quem não se levanta rapidamente quando cai; para quem acha que cair é perder em definitivo; para quem acha que um azar nunca vem só; para quem tem uma visão pessimista da vida; para quem não sabe esperar quando tem que ser e arriscar quando deve; para quem não aprende com a experiência.

Para esses, A SORTE NUNCA CHEGARÁ.

Em mim, "o azar sempre foi uma questão de tempo".

Estou sempre à espreita para assim que "ele" saia, lhe dar uma valente paulada, a fim de que se encolha e veja que comigo não se safa.

E também nunca fui dos que "não contam nada a ninguém com medo de dar azar". Desde sempre que naturalmente sou reservado em várias matérias e assim continuo. 

Mas jamais por uma questão de medo. Apenas porque não gosto de falar das coisas antes de acontecerem, porque me centro nelas e na sua concretização. Mas por vezes, partilho com os(as) mais chegados(as), os meus pensamentos.


Boa sorte a todos(as)! Aqui não há lugar a inveja. 

Acreditem que sorrio com as vossas vitórias! Sorriam com as minhas. É tão simples quanto não nos pisarmos, não nos armadilharmos, não nos boicotarmos uns aos outros e ao invés disso, nos ajudarmos mutuamente.


Assim: ganhamos sempre.


TODOS.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

#68 O acordo ortográfico


Vasco Graça Moura partiu. 

Um escritor de mão cheia, um acérrimo opositor ao acordo ortográfico.

E percebo-o bem. Somos dois.

Foi um acordo feito com os pés, nem qualquer nexo, ainda que o seu propósito eu próprio subscrevesse, se por ventura aproximasse os povos lusófonos através da escrita e as regras de alteração fossem perceptíveis e fruto de algumas alterações fonéticas introduzidas ao longo dos tempos.

Continuo a entender África e particularmente o gigante mercado brasileiro como uma oportunidade, ainda que em termos assaz diferentes do período colonialista em que era Portugal o colonizador.

Uma coisa é certa para mim: a comunicação (em vários suportes) é dos temas que mais me interessam desde sempre e a língua portuguesa, é sem dúvida apaixonante.


Escrevamos, falemos livremente, façamo-nos entender!

Ou façam-nos entender a nós, o porquê de até na comunicação nos aprisionarmos. Só se o objectivo valer mesmo a pena. E ainda assim...


domingo, 27 de abril de 2014

#67 Felinos ao piano


Pura atracção. 

Teclas e notas soltas sem lições de técnica, mas discorridas com sentimento, algures entre universos de penumbra e as trevas que tão bem conheço.

Exorcizo vagarosamente os meus monstros, dou-lhes guarida e alimento-os com acordes graves e fortes, ombreados com fadas e anões dos mundos desconexos.

Pouco me importo se outros me ouvem, se gostam ou não. Toco apenas para esses seres que habitam as memórias, que carregam histórias de dor e saudade. 

Cada nota uma mágoa, no deslizar dos dedos o relembrar de todos os medos e depois, deixá-los partir.




#66 Memórias novas, histórias velhas


Praticar o desapego seja do que for, seja de quem for, não é tarefa finda com rapidez ou facilidade.

Mas quando a memória começa a funcionar, retrocedendo para trás do nosso corpo físico mesmo e regressa a tempos imemoriais, necessariamente temos "saudades do que não vivemos". Do que não vivemos, desta vez.

Confuso? 

Para mim, não.


A "existência aparente" é afinal uma farsa. E no "desconhecido" se esconde a "maior das naturalidades", com novas regras e conceitos, ou por ventura perante a ausência deles, enquanto divindades reguladoras às quais prestávamos culto nesse Altar do Efémero.

Amar sem barreiras, sem fronteiras, sem limites.

Amar até ao fim dos tempos e ainda depois deles e viver.
Sim! 


V  I  V  E  R



#65 Coisas que o acaso me contou


Juntei o mar e o céu
uma vista e areia molhada
destapei aos dois o véu
meditando de perna cruzada


Algures entre o norte e o sul
perdido na contemplação
entre várias cores o azul
ou o vermelho coração


São fortes as energias
que graçam neste hemisfério
juntei várias sinergias
por magia  é mistério


Entre palavras e poemas
se decifra este enredo
já não temo os dilemas
que me testam com o medo


Diz-se que a nossa liberdade
acaba onde a outra começa
mas também é bem verdade
o destino que nos aconteça


Respirar profundamente
aceitar-nos por inteiro
Trilhar o nosso caminho
isso é que é ser verdadeiro



E entretanto o sol passeou-se, colorindo com os seus raios as habituais paisagens inóspitas, que habitam dentro de nós.