terça-feira, 15 de abril de 2014

#48 Check-up espiritual


Sim, escrevo para TI.


Tens tratado da tua saúde espiritual?

"Prescrever diariamente remédios intemporais, enfrascados em palavras e embalados em silêncio, que talvez te despertem como nunca imaginaste"... É o que TE proponho aceitares quem sabe agora, na tua vida. É já chegado também para TI, o momento?

Sim, remédios... para todos os gostos e feitios, com vários cheiros e sabores. Deste tempo e de outras eras... numa mescla de passado e futuro, pelo universo masculino e feminino adentro, perscrutando intensamente, até ao ínfimo canto onde guardas o teu segredo mais bem escondido.

Remédios para as doenças que vamos acumulando, ou para os verdadeiros vírus fabricados por um modelo de sociedade, que nem sempre nos serve...

Curemos a mentira, o medo, o ego, o ciúme, a vergonha... mas também reflictamos sobre o papel que ocupa o dinheiro na nossa existência... observemos ainda sob outro prisma, a religião e a política, desprezíveis quando vividas no fanatismo e com a chancela do poder como fio condutor.

Espiritualidade! É afinal o que mais precisamos... e ainda por cima: é grátis...!

Caminhemos para uma descoberta interior, vivida necessariamente em momentos íntimos de solidão, nessa jornada transformadora sem fim à vista.

Mudemos pois, a perspectiva sobre os mesmos velhos assuntos. Observemos melhor e antes com a derradeira “lente que observa”. Atribuamos-lhe maior precisão... maior detalhe... mais enfoque e pormenor.

Apostemos na intuição, mais do que nos outros sentidos. Confiemos no que sentimos... mais do que naquilo que vemos, ouvimos e tocamos.

Sejamos mais introspectivos. Aprimoremos a diferença em cada um de nós, por contraposição a nos tornarmos meras cópias uns dos outros, porque só assumindo o que somos, nos complementamos... e é enfim feita a: M A G I A .

Boas viagens! Deixa-te conduzir pelo ACASO sem medos e que este te leve onde mais precisares... que te cures a TI mesmo(a) e que também tu prescrevas os teus remédios, um dia.

É o que mais TE desejo, de coração.


Assim seja.

domingo, 13 de abril de 2014

#47 O ciúme


O ciúme mata e corrói.

Que levante o dedo quem nunca os teve... entre amigos, entre irmãos, entre namorados, entre marido e mulher.

Mas mais importante que os ter, é saber controlá-los e progressivamente eliminar esse sentimento mesquinho do nosso vocabulário de vida.

Desde sempre que tenho poucos ou nenhuns ciúmes. E que não pense o leitor que tal é incompatível de ter amado as pessoas com quem estive/estou. Muito pelo contrário.

Ainda assim, quando existem os tais (poucos) a verdade é que os sei gerir bem, sabendo-os passageiros e fruto ainda de algo que tenho de trabalhar em mim: o sentido involuntário de desejar ter a posse de alguém/algo. 

Sei isso sim, que qualquer relação (seja qual for o modelo) que assente na necessidade da posse, está condenada ao fracasso. Mais cedo ou mais tarde.

O que amamos deixamos livre, para que siga o seu natural curso. Está, parte e volta. Se tiver que ser.

Ora, acresce a forma eventualmente de tendência minoritária que tenho de estar na vida, desde sempre, em que defendo que "ninguém é de ninguém", mas sim que numa relação seja de que tipo for, se acorda estar-se junto, partilharmo-nos e eventualmente fazer algumas cedências a bem do todo, mas que nunca comprometam a nossa essência.

Por isso me custa a compreender o ciúme. E acabo por desprezá-lo mesmo.

Bem sei que para muitos, "só sente ciúme quem ama". Mas para mim, "quem ama, educa o ciúme e quem quer amar-se a si mesmo e ao mundo: acaba um dia com o ciúme".

Temos aproximadamente um século de vida, nesta forma física. Para sermos felizes, conhecermos o mundo, partilharmo-nos e depois partir.

Não há tempo para o ciúme. Para a dor que dele advém. Para essa e para outras.

É cair e levantar! E de preferência não nos darmos sequer condições para cair. 

É que:


"Cada dia que passa, há isso sim, cada vez menos tempo para sorrir."




sábado, 12 de abril de 2014

#46 O poder do silêncio


Ultimamente, tenho preferido ainda mais do que habitualmente, permanecer em silêncio.

Tal decorre do facto de meditar regularmente e de observar cada vez mais lucidamente a poluição visual, mental, orgânica e naturalmente sonora: em que estamos envolvidos.

De resto, muitas das conversas obtidas com alguns interlocutores, conduzem a discussões estéreis, desprovidas para mim de acréscimo intelectual, ou que gravem sentimentalmente sequer uma marca positiva.

Assim, o grupo de pessoas com os quais me dá verdadeiramente prazer quebrar o silêncio, é também o grupo no qual surgido o silêncio: não nos incomoda.

É por isso o grupo certo. Se é que se pode chamar um grupo, de tão reduzido que é...

A misantropia adquire assim, um carácter mais intrínseco na minha personalidade, cansado que estou das habituais vias de comunicação.

Prefiro cada vez mais a intuição, o sorriso, o abraço, o olhar.


Prefiro a palavra escrita, à palavra dita. Prefiro o livro, à televisão. A natureza, ao centro comercial. O passeio a pé, por contraposição ao passeio de automóvel. O silêncio, até mesmo à música... ainda que essa me continue a cativar, de resto como sempre.

Prefiro a meditação, ao diálogo efectivo. A verdade, à mentira.

E assim, uma nova jornada vai tomando corpo e tatuando-me eternamente. Sem regresso.


Já não era sem tempo.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

#45 Comprimido azul ou vermelho?


A dado momento, num dos filmes contemporâneos de referência para mim, (in "The Matrix") Neo - o personagem principal, é confrontado com uma de duas claras e figuradas escolhas, personificadas na opção por um de dois coloridos comprimidos:

Hipótese 1: "adormecer de novo e esquecer-se de tudo quanto viu e testemunhou";

ou

Hipótese 2: "continuar a testemunhar e cada vez mais fundo, a verdadeira realidade, por mais dura e penosa que seja, com a consequência de eventualmente: agir".

De alguma forma, todos nos vemos ao longo da vida e quotidianamente, confrontados com estas duas escolhas.

A opção é clara desde sempre para mim e à medida que os anos passam, os meus olhos não só vêem como observam; os ouvidos não só ouvem como escutam; a boca não fala tanto mas dialoga ou silencia-se; já não tateio apenas, mas sim sinto as texturas e já não racionalizo tanto, mas sim: intuo.

As viagens interiores têm destas coisas. Marcam-nos para sempre.

Não deixes de iniciar a tua... começa primeiro por aprender a meditar e a fazê-lo regularmente.

Acredita que depois... bom... depois, há ainda mais um universo inteiro de possibilidades.

Um dia falamos melhor sobre isto. Mas... tudo começa com a escolha de qual dos dois remédios queres tomar...

Uma vez tomada a opção e eventualmente escolhido o segundo... não há como voltar atrás.



#44 Tempo errado: tempo certo.



Bem sei que estar antes do tempo, ou estar adiantado é: estar-se no tempo errado.

O que não quer isto dizer, que seja possível adiantar artificialmente quem está atrasado, ou atrasar acentuadamente quem adiantado se encontra.

Pelo meu lado, atrasei propositadamente a comunicação (fim do facebook, menos tempo a ver televisão e afins) mas adiantei a capacidade de pensar e de amadurecer o mundo em que vivemos nos dias de hoje.  

A libertação da poluição comunicacional na qual nos vemos actualmente enredados, permite o alcance de uma dimensão que quase nos havíamos esquecido: a de pensar pela nossa própria cabeça, com o menor grau possível de influência directa ou indirecta.

Perscrutar o nosso interior é preciso! E urgente.

Já nos chegam os processos (des)educacionais pelos quais passamos, o medo latente com que nos inundam as páginas dos jornais, das rádios e das televisões... a depressão profunda em que nos tentam mergulhar.

Já nos chegam os estereótipos que acabamos por desenvolver ao longo da nossa existência, os preconceitos que ora adquiridos custam a libertar, os eternos profetas da desgraça que temos que escutar e o elevado número de desistentes da vida e da felicidade, que pululam pelas ruas e com os quais temos que conviver.

Ser-se objectivo através da suposta subjectividade, incomoda. Bem sei!

Meditar e desenvolver o paradoxo que é a vida e através dele explicar muita coisa, sei que também irrita.

Mas é que é tão bom... quanto mais "errado" se está para a maioria que dorme o agradável sono da letargia, mais certo se está de afinal se estar acordado.

Desejo pois um boom despertar a quem o procura!



...e recomendo a continuação de uma boa noite a todos os restantes. Espero que não vos perturbe muito o barulho das minhas ideias. Sei que os frascos dos remédios vos incomodam... Ignorem-nos! Não são para vocês.