quarta-feira, 26 de março de 2014

#33 Silêncio


Podes não poder falar
Podes nem conseguir pensar

Mas se o olhar se clarifica

de fora para dentro,
podes estar certo que em cada segundo
e em cada momento,
umas vezes rápido e outras lento

a força intensifica.

A luz clareia
por entre um tempo que medeia


a p e n a s


a realidade mágica
outra dimensão
desta existência

nada trágica,
qual antevisão
ou clarividência

Chegou
Ficou
A mariposa aterrou


Para não mais partir.


segunda-feira, 24 de março de 2014

#32 Um dia de chuva


Desta minha janela vejo pingos que dançam
Folhas que caem soltas, logo pela manhã

Com o lenço na lapela enxugo memórias que me cansam
letras mortas que são já, terra deste meu afã

Em cada pingo vejo um rosto
em cada queda sinto um ano

Procuro um tempo já morto atrás do sol posto
um agora sagrado, que já foi profano

Talvez um arco-íris ainda me espere
quem sabe em tons de azul, verde, ou amarelo

ou a voz que desde sempre ouço, ainda prolifere
e se revele, ao som do violoncelo

Na verdade 


a chuva é tão bela quanto o sol

muda a pesca: 
...muda o anzol.



domingo, 23 de março de 2014

#31 Amar


Não é fácil encontrar uma definição de Amor. Especialmente nos tempos que correm, em que o egoísmo exacerbado e a fome de sermos felizes, atropela tudo e todos.

Muitas das vezes, confundimos a realização dos nossos caprichos com a felicidade plena. E não é verdade.

Não são meros momentos de êxtase, que nos marcam fundo e para sempre. Também eu ao longo da minha caminhada, os tenho não raras vezes procurado e estimulado... mas sei-os efémeros. 

A beleza das mais simples coisas e de ver espelhado no(a) outro(a) um sorriso sincero e verdadeiro, continua para mim a valer mais que tudo.

Amar pois, é desapego. É compaixão, também. Amar não é deter, ou ter posse de algo ou de alguém. Mas sim entender a liberdade como princípio básico para a felicidade.

É certo que quanto mais livres somos, maior é a responsabilidade em estarmos à altura dessa liberdade. Mas liberdade é isso mesmo: L I B E R D A D E.

Dessa redundância não podemos sair, no meio de conceitos arcaicos com os quais somos educados e que persistem muitas das vezes num modelo de sociedade obsoleto que falhou em quase tudo.

Falhou, por premiar a inútil acumulação de dinheiro, ao invés da acumulação e distribuição de amor. Falhou, porque definiu que: TER seria mais valioso do que SER... errou claramente.

Mas se é para SER... que SEJA mesmo.

Procura-se pois um novo caminho, em que só dois seres livres (ou mais) de sexos diferentes (ou do mesmo) podem e devem ser felizes, sinceros, honestos e viver as suas vidas enfim: sorrindo.

Amar é muito isso. Querer a felicidade do outro, sem prescindirmos de ser quem somos. E sorrir. Sorrir muito!

Mas será possível amar verdadeiramente, antes de nos amarmos a nós mesmos?

Há que aprimorar a nossa própria diferença, não a escondermos, mas sim enaltecendo-a e apaixonarmo-nos por "ela" quando a vemos assim igualmente estimulada e estampada no(a) outro(a).

Podem dois seres diferentes (ou mais) serem felizes? Não só podem como julgo que SÓ assim podem.

Porque ninguém é igual a ninguém, pesem embora semelhanças que encontramos e que nos fazem sentir por ventura confortáveis.

A mim, esse desconforto conforta-me. Porquê?

Porque é mais REAL.





sábado, 22 de março de 2014

#30 O Santo Graal


Todos temos os nossos monstros, os nossos esqueletos no armário, os nossos demónios.

A dado momento da caminhada, no meu caso particular, resolvi começar a fazer as pazes com eles. 

Ir percebendo de onde surgiram. Como se instalaram. Como a alguns alimentei e igualmente patrocinei. 

E a partir desse entendimento e de nos perdoarmos a nós próprios (uma árdua tarefa) podemos então iniciar um novo percurso, um novo caminho, que advém: dessa nova forma de caminhar.

Na verdade, de repente estarmos dentro deste nosso corpo físico, sem nos lembrarmos da sabedoria que algum dia foi nossa, das experiências que alguma vez atravessamos... não nos lembrarmos de nada mesmo... é terrível.

Essa amnésia com que nascemos, qual veneno perversamente administrado (quem sabe em algum tempo, por NÓS mesmos), apodera-se e invade esse frágil corpo... até ao dia em que descobrimos que nele habita um espírito forte.

E aí, começamos a lembrar-nos... e aos poucos, uma nova vida recomeça.

Ao início nem acreditamos! Porque não estamos habituados à magia, programados que estamos apenas para celebrar o culto do imediato e a sacrificar todas as esperanças e os nossos mais belos sonhos, ao Altar do Ilusório.

Mergulhemos enfim no oceano do paradoxo e redescobramos bem no fundo dele, a essência perdida, o cálice da vida, o Santo Graal.


É verdade, que mergulhos destes são perigosos.


Mas que melhor prémio para este enorme perigo pode existir, que não o de podermos renascer em vida, ou perecer tentando?





sexta-feira, 21 de março de 2014

#29 La madrecita (parte II)


Isto de "tomar decisões" tem sempre muito que se lhe diga.

1, 2, 3 e: plim!

Lá inicio o processo de preparação, para mais uma grande experiência e uma grande viagem, dentro de pouquíssimo tempo.

As maiores, como sabemos, são sempre aquelas em que temos a oportunidade de mergulhar no nosso interior.

Nem sempre gostamos do que vemos, mas é sempre importante para de seguida nos aperfeiçoarmos.

Forte? Não... Extra-Forte!


Tal como sempre, fica nas nossas mãos. O livre arbítrio é muito isto: RESPONSABILIDADE e DECISÃO.