quinta-feira, 20 de março de 2014

#27 Subscrevo


#26 A malta vai morrendo e é uma chatice


Não haja dúvidas que "isto da morte" é altamente incomodativo. Com o tempo, as pessoas vão morrendo e é mesmo uma maçada!

Morrem os amigos mais antigos. Morrem os avós. Morrem os pais. Morrem familiares de amigos nossos.

Uns morrem de velhice, outros de acidentes. Uns definham, outros têm uma morte mais rápida.

"- Ah e tal, eu gostava de ter um AVC e morrer assim de repente", dizem uns. (como se alguém soubesse que assim é que é bom e como se já tivesse morrido e voltado para dizer: "- Assim é que é! Oh pessoal, escolham morrer de AVC! ")

Outros afirmam peremptoriamente que: "adoravam morrer em pleno acto de amor". Como se isso fosse simpático para o desgraçado ou desgraçada que cá fica, com um trauma para sempre.

Depois há sempre aquela malta que escolhe matar-se. E fica sempre um enigma por resolver, qual Sherlock Holmes... será que foi porque queria, que dúvidas teria... se deixou bilhete, será que queria mesmo dizer aquilo, ou era uma mensagem subliminar?

Há também as mortes trágicas. Acidente, assassinato, etc. São mortes muito chatas. Para quem morre e para quem fica. Porque assim os que ficam morrem aos poucos - com a dor que preservam e pela imaginação do cenário que conduziu à morte de outrem.

Na verdade, poucos morrem com dignidade, diz-se.

Mas que dignidade pode haver na morte? Morrer com as tarefas cumpridas? Morrer com um sorriso nos lábios? Morrer sem dor física? Morrer de olhos fechados? Morrer sem chatear ninguém?

Depois, surgem as dúvidas sobre a morte... eutanásia, sim ou não? Quando? Em que situações?

Chiça!

Eu por mim, já não me chateio com isto.

A malta morre e eu agarro-me ainda mais à vida. Custa-me cada vez menos interiormente, ver os outros morrer. 

Sofro mais com o sofrimento dos que ficam, a quem tento passar o meu ponto de vista, com alguma calma e discernimento. 

Na verdade, a síntese é que: não temos hipótese!

Duramos no máximo cerca de um século de vida.

Vamo-nos chatear para quê? É ter cuidado com a alimentação, cuidado com o corpo. Mas mesmo assim não estamos livres de ter alguma doença complicada, de vir um maluco e matar-nos. Ou de nos matarmos a nós mesmos num acidente, ou matarmos mesmo alguém (o que é ainda uma chatice maior).

No limite, morremos de velhice. Também nunca percebi aquela do "querermos morrer sem doenças". Para quê pá?

"- Ah e tal que pena... morreu mas era tão saudável!" Chiça!

Se se morre à mesma! Por que não VIVER? E ter "aquele excesso" volta e meia, ainda que planeado e contextualizado no tempo, se nos fizer mais felizes?

Eu não quero morrer saudável! Quero ter histórias para contar. As minhas rugas vão contar todas grandes histórias. As minhas doenças vão-me lembrar os excessos que cometi. As dores de costas as vezes que me aventurei e por aí adiante.

É claro que não faço por estar em mau estado. Não sou parvo de todo.

Tento fazer algum exercício, não tenho vícios (mas sim momentos de excepção), como mais vegetais, fruta e peixe que fritos ou carne (especialmente vermelha). Bebo muita água, bebo chá. Mas quando me apetece: faço tudo ao contrário. Ah pois!

Viver para prolongar a duração do corpo e idolatrá-lo, não é para mim. Faço por estar em boa forma, sem ser escravo da imagem.

Isto, a propósito da morte, veio-me neste Dia do Pai. 

Sim, como é óbvio ele faz já parte da extensa lista dos que já morreram. Mas todos os dias falo dele. Falam-me dele. Vejo fotos quando me apetece, leio coisas, passo por locais e recordo.

E na verdade cada vez me chateio menos com isso. Ele já não volta! E na verdade: também nunca se foi embora... Só não está presente, fisicamente!

Mas como contrapartida, despertou, ainda mais em mim.

Por isso não se apoquentem muito! A malta vai morrendo, mas morrer não é desaparecer.

Morrer não é deixar de existir. É só deixar de aparecer, na forma do costume.

Um dia destes morro também. 

Mas não se livram facilmente da minha existência! Bem vos estrago as contas, que ainda viverei muito mais tempo... nas conversas dos meus amigos, em textos, em fotografias, em filmes, em amor que distribuí e em tantas coisas mais.

Morrer em definitivo? Livra! Isso é que dá medo. 


A mim, nessa não me apanham... Se quiserem, assim, morram vocês!


quarta-feira, 19 de março de 2014

#25 A ponte


Em todos os rios, há um espaço em que pode ser feita uma ponte.

Assim o é também, em todas as dimensões.

Ela existe sempre... e é real. 

Se não a encontrares: constrói tu uma.

segunda-feira, 17 de março de 2014

#24 A arte que a todos corre nas veias


Toco desde sempre. Curiosamente, é das poucas coisas que nunca deixei de fazer.

É como respirar! Todos os dias da minha vida. 

Se não houver oportunidade de o fazer num instrumento orgânico, toco por segundos no tablier do carro em que conduzo, na porta por onde passei, na janela que abri, em mim próprio.

Trauteio melodias e ritmos que não sei de onde vêm, nem de que tempo são. Quem sabe: vindos de outra era, ou de uma outra existência.

Sei tão somente que me são familiares. São quentes, correm-me nas veias e fazem parte de mim. 

Também por isso, 


nunca estou sozinho.




Um conselho? Toquem, pintem, escrevam, esculpam, dancem, fotografem, filmem, representem no teatro... enfim, dediquem parte do vosso tempo a uma arte, seja qual for! 

Ainda que não seja para mostrarem de forma profissional o resultado a ninguém, façam-no! Pelo menos para se conhecerem melhor a vós mesmos. 


Acreditem: resulta.



domingo, 16 de março de 2014

#23 A árvore da vida


Na diferença nos complementamos, por estes degraus que subimos, nesta viagem que é a vida.

Aprendemos e sorrimos. Sofremos com as desilusões. E de novo, enfim, sorrimos.

Crescemos, pois! Porque a sensibilidade que nos assola, toca-nos e sussurra-nos palavras que nos emocionam, quais memórias perdidas dos nossos sentires.

Tocamos paisagens inóspitas, perdidas dentro de nós. E saboreamos como sempre: 



o sabor da vertigem.