sábado, 8 de março de 2014

#17 "Não confundir a obra-prima do Mestre, com a prima do mestre de obras"


Dediquei grande parte do dia, a analisar as diferenças entre territórios sagrados e profanos. Estão sem dúvida extremamente bem delimitados.

Recordei de algum modo o meu velhinho curso de sociologia e entre outras, a definição de Émile Durkheim, especialmente na parte em que foca o rito como um caminho de carácter intermediário de condução para o território sagrado.

Concluindo, como em tudo na vida: nem tudo o que parece, é. 

Sem dúvida que da discussão nasce a luz e nada como poder dispor da bela e forte pirâmide de sabedoria, por perto. 

Questionar, indagar, ter fome de saber: é sempre o primeiro passo.

Por isso mesmo e especialmente para vós: hoje fico-me por aqui. 


sexta-feira, 7 de março de 2014

#16 A Primavera nasceu em nós


A Primavera chegou em força e com ela, a promessa de dias mais longos e de um céu mais azul. Previa-se a 21 de março, mas atrevida, mostra-se já... adiantando-se.

A cada Primavera, a natureza renova-se e inicia-se um novo ciclo. O sol volta a brilhar e a "esperança" renasce, entre o romantismo da nossa própria condição humana e a nossa ligação à natureza, que é estimulada através do desabrochar das flores.

Recomeçar. Renascer. 

A natureza é sempre sábia. É um bom período para rever objectivos e traçar metas.

É neste equinócio primaveril que se encontram os dias e as noites em equilíbrio perfeito, entre a metade lunar e a metade solar do ciclo.

É o momento em que se pode fazer a ponte ou a abertura para a transição de uma percepção mais fechada, para outra consideravelmente mais ampla. 

É a oportunidade para consolidar o início do caminho para uma visão ainda mais expandida, na qual o nosso mais íntimo fogo secreto se afirma de forma independente, do mero ciclo repetitivo do nosso "pequeno destino".

Passarmos desse "pequeno ciclo" para o "Grande ciclo", implica deixarmos de ser agentes cegos e adormecidos na penumbra do deslumbramento ou da fantasia, para nos auto-transformarmos/redescobrirmos, como agentes conscientes e despertos.

Bem-vindos pois ao fio da navalha. 

Bem-vindos ao Tao, bem-vindos ao:



CAMINHO DO MEIO.



quinta-feira, 6 de março de 2014

#15 Vamos SEMPRE a tempo


Não vale a pena tentar fugir.

É esta a vida que temos, com as condições de partida disponíveis, é certo. Mas o que que dela fazemos, depende em muito de nós.

Planos e objectivos que se vão modelando. Percalços duros de ultrapassar por vezes, a par de outras vitórias doces e saborosas. De tudo há um pouco, nesta vida.

O ciclo repete-se. Caras diferentes, situações diferentes, mas as mesmas lições. Eu pelo menos sinto assim.

Julgo que estamos cá para APRENDER. Somos seres espirituais, experimentando uma condição humana, aprendendo, errando, evoluindo.

A noção de karma, tem sem dúvida um peso importante no que nos vai acontecendo. Mas... se por vezes não podemos mudar as situações, podemos no entanto mudar SEMPRE a maneira como as encaramos.

E isso, constitui um importante legado para o futuro.

Isso: ENSINA. Faz-nos olhar com a devida distância, como se fôssemos observador e participante, nesta história que vivemos, mas onde temos que ter o sangue frio de saber: COMPREENDER.

Porque se a existência física não é eterna, todavia NÓS somos eternos. 

NÓS, seres espirituais de luz. NÓS que sobreviveremos a este corpo, às suas maleitas e ao seu consequente e inevitável envelhecimento.

NÓS, que sobreviveremos aos erros que cometemos. NÓS, que sobreviveremos às falhas que apresentamos, às mentiras que dissemos, aos males que ocasionamos.

Porque NÓS, (no nosso EU mais íntimo e espiritual), ESTAMOS AQUI A EVOLUIR, PARA DEPOIS ASCENDER.

Mas só quando estivermos preparados. Poderá ser na hora da morte. Ou talvez ainda falte mais um conjunto de coisas. 

E aí, voltamos... que remédio! :)

Não sei se voltarei. A julgar pelos erros cometidos, julgo que sim. A menos... que aprenda entretanto.

Estou a fazer por isso. 

Consideremos isso como "circunstâncias atenuantes", que irei apresentar no momento exacto no objecto da minha defesa, a quem de direito sei que lá estará de certeza, superiormente para me julgar:


EU. 


Admirados? Atenção que falo-vos de "EU", mesmo! Não deste mero "invólucro" através do qual me movimento, quotidianamente.

Continuo pois, a recolher dados processuais para a minha derradeira defesa. Se estivesse no vosso lugar?

Nessa matéria, fazia sem sombra de dúvida: igual.

Boa sorte.



terça-feira, 4 de março de 2014

#14 Remédio amargo III


É mais fácil ver uma telenovela. Assistir a um jogo de futebol. Ou, comprar uma roupa nova. Ou melhor ainda, um carro novo! Ou... ler uma revista sobre a vida dos outros.

É mais fácil querer ter "aquela" imagem, que é o ideal de beleza. 

Talvez ainda, tirar "aquele" curso, para ter "aquele" título e "aquele" emprego, que os outros dizem ser bom.

É sempre tudo mais fácil. 

O difícil é largar essa tralha toda, mudar a escala de valores e sermos: 




NÓS.



Pessoas há, que de facto nunca morrem. Porque no fundo, passam uma vida inteira: sem nunca terem chegado a nascer.


#13 Agir com urgência!


Hoje resolvi parar um pouco nesta frase desafiadora de Rousseau. Ao contrário do que ele gostaria, resolvi meditar nela.

Antes ainda de deixar o meu parecer, relembro ainda outra frase dele: "A meditação em locais retirados, o estudo da natureza e a contemplação do universo, forçam um solitário a procurar a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente".

Se de facto há muitas outras matérias em que concordo com as teses de Rousseau, nomeadamente quando afirma que: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe", na matéria da meditação: situamo-nos em caminhos opostos.

Porque é urgente meditar para melhor agir. E meditar é também agir e onde é precisamente mais importante.

O Homem deve agir de dentro para fora, meu caro Rousseau.

Se a sociedade corrompe o homem, se a educação nos tenta assustadoramente fazer iguais, se a religião é por inúmeras vezes um ópio que adormece o povo com a construção de um falso Deus castigador que aplica um conjunto de normas e regras, é precisamente na meditação que está o segredo da acção concreta.

Precisamente da acção objectiva, por contraposição à dormência subjectiva em que nos encontramos mergulhados.

Quando se medita, descobre-se a chave para a portão celestial. Para o verdadeiro Deus, se assim lhe quisermos chamar.

Quando se medita, agimos no nosso interior. E quando agimos no nosso interior, com essa verdadeira medicina geral, saímos mais fortes e mais determinados para a acção cá fora.

Por isso, meditar é o mais enérgico acto, ainda que operado sem qualquer força ou pressão.

Paradoxal? Certamente. Para quem nunca experimentou.

É agir em silêncio. Agir sem mexer um dedo, sem exprimir uma palavra. Agir de facto a sério, na nossa maior doença e na maior fonte de todos os problemas, que afinal contém também todas as soluções: NÓS!

Com o treino, realizamos cirurgias cada vez mais densas e mais complexas. Vamos à medicina especializada. A cada detalhe, a cada pedaço milimetricamente desajustado, então corrigido. Sempre com o amor incondicional como máximo denominador comum. 

E quanto à solidão, Rousseau... também aí estamos em desacordo. Todos somos profundamente sós. E é precisamente aí que nos complementamos.

Porque só quando temos a perfeita noção de quem somos e percebemos a posição verdadeiramente única que cada um de nós apresenta: é que compreendemos que é precisamente isso que nos faz iguais e complementares. 

O facto de sermos únicos, (cada um de nós), define-nos enquanto conjunto, como um enorme organismo vivo com uma missão enorme a desempenhar.

Tanto que haveria a dizer... mas hoje fico-me por aqui.


Vou mas é meditar, que tenho muito que fazer e não há tempo a perder.