segunda-feira, 3 de março de 2014

#12 Lisboa x3


Ir a Lisboa é sempre uma viagem inesquecível, se a fizermos atentos e se pudermos ir sem pressas, desfrutando dos seus mistérios.

É de irmos não uma, nem duas, mas três vezes ou mais. Vale a pena.

Hoje era dia de ir levantar o passaporte, porque há sempre uma nova viagem à espreita. 

Especialmente a que fazemos: no interior de nós.


domingo, 2 de março de 2014

#11 Livros/ OSHO "Perigo: Verdade"


Desconcertante. O habitual em Osho.

O combate habitual contra as certezas e os dogmas instalados, sempre em luta pela instalação da "dúvida interrogadora", para que em nós habite e não mais nos largue.

Uma vez mais, Osho combate essencialmente Deus. Declara-o filosoficamente morto e desde sempre uma criação do homem que nele se projecta.

Citando como sempre Jesus, Buda, Mahavira, Lao-Tsé e tantos outros mestres Sufi e Zen. Mas também Heraclito, Marx e tantos outros.

Como sempre, com muitos pontos de encontro com o que eu próprio penso em muitas matérias, ainda que sempre mais radical - técnica que utilizava desde sempre para "agitar as águas".

Mais um grande livro deste Guru que não queria seguidores, em mais uma das suas grandes conversas/conferências, reproduzidas em inúmeros livros pelos que o acompanharam.

Retenho esta grande frase com a qual me identifico na íntegra, a dado momento na pag.203:

"Quando a mente sabe, chamamos-lhe conhecimento. Quando o coração sabe, chamamos-lhe amor. Quando o ser sabe, chamamos-lhe meditação."


#10 Remédio agridoce


O dia hoje amanheceu assim-assim
cinzento. e s t r a n h o 
não sinto o cheiro a jasmim
nem se vê ao sol o tamanho

pela janela de casa
observo vidas iguais
um pássaro que passa 
e folheio os jornais

um domingo parado
um destino traçado
não sei se vou a algum lado

ou

se medite, se leia
se componha, se trabalhe
se desmanche esta teia
e veja o que me calhe

Talvez espere ou talvez não
que o tempo resolva o dilema
vou ouvir outra canção

terminar este poema.

sábado, 1 de março de 2014

#9 Remédio amargo II


Assobios que vêm do frio
Sussurros apressados,
Memórias de outra era

...o medo, de nós se apodera

Que não se instale
Que não se inale
Que...

Anos que passam, dores se acomodam
Dores que nos
d  e  v  o  r  a  m

Não permitas. hoje não
Faz play a outra canção!
Não importa se não toca
Quero sentir o que provoca

...recordar essas verdades
auscultar sensibilidades

mergulhar no mar de madrugada
sentir de novo a face molhada
olhar o sol, vislumbrar a paz
agarrar de novo



o que a saudade traz.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#8 Jamais te deixes filiar



“Jamais te deixes filiar”, disse um dia Nietszche.

Nos meus já longos 20 anos de PSD, essa frase volta e meia atormenta-me e ecoa-me como reflexão que se impera obrigatória, para mais num livre pensador como eu, considerado mesmo um excêntrico em alguns aspectos, em contraposição com a habitual “carneirada carreirista” com a qual volta e meia tenho convivido.

Conheci vários líderes ao PSD. Ajudei a eleger alguns, mesmo.

Fui a todos os congressos desde essa altura, desempenhei vários cargos nacionais. Era mesmo conselheiro nacional até este último congresso, em que decidi não integrar nenhuma lista candidata e declinar os habituais e “sedutores” convites.

Conheci o PSD de Cavaco Silva que desprezava a máquina e o aparelho. O PSD pouco entusiasta de Fernando Nogueira. O PSD dos “dois terços mais um” de Marcelo e das diatribes com Portas. O PSD de Barroso de olhos postos na Europa. O PSD vanguardista de Santana com uma armadilha feita ao próprio. O PSD de Marques Mendes e os seus falsos moralismos. O PSD conservador de Manuela Ferreira Leite que excluiu Passos Coelho da lista de deputados. O PSD do nortenho Luis Filipe Menezes, que desistiu ao fim de pouco tempo. Enfim, o PSD de Passos Coelho.

Alguns destes líderes, eleitos mesmo com o meu entusiasta apoio. Claro que o balanço só se faz depois.

Em todos, vi serem aprovadas moções por mim apresentadas que depois em nada foram cumpridas. Aliás, durante muitos anos gastei muito do meu tempo, pensando Portugal e o meu concelho, para apresentar propostas em sede própria.

Sempre aprovei o que pensava, por vezes por unanimidade. E depois? E depois: NADA.

Em todos os congressos, li atentamente conteúdos programáticos de encher o olho, mas pouco estruturantes e a definirem um caminho perceptível, cá fora. Mas se até assim é nos programas eleitorais colocados a sufrágio ao povo, de que vale a pena espantar-me?

Ouvia eu atentamente António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato não assumido a Secretário Geral do Partido Socialista, que a par de Pacheco Pereira e Lobo Xavier, dissertavam sobre o congresso do PSD.

Dizia Pacheco Pereira que "não se desfiliava, porque ainda não entendia esgotada a possibilidade da social democracia regressar ainda ao PSD", porque a entendia viva, num país que em vários casos como no Porto, em Sintra, ou em Oeiras, havia optado por caminhos independentes.

Ou seja, no seu ponto de vista, tratavam-se de social democratas convictos, que recusando lógicas internas do seu partido de sempre, optaram por caminhos social democratas estrategicamente apelidados de “independentes”.

António Costa por sua vez, dizia que “a social democracia está viva no Partido Socialista” e de que quem se rever nessa linha ideológica, tem lá o seu espaço.

Eu vou sem dúvida mais longe que qualquer um deles. Porque a democracia está é podre.

As direcções dos partidos, com maior ênfase nos do arco do poder, baralham-se e desmultiplicam-se em afirmações que desdizem logo de seguida.

Conheço muitíssimo bem o PSD. Mas conheço bastante bem o PS, o CDS e o PCP.

Não raras vezes, nestas duas décadas, dialoguei com amigos meus, seus dirigentes locais, distritais e nacionais. As histórias são as mesmas, com outras caras apenas e a cobro de “ideologias diferentes”.

O BE não o consigo levar a sério, pese embora por vezes a generosidade de algumas boas ideias. Todavia, quando penso na possibilidade de algum dia chegar ao poder, assusto-me ainda mais.

Dos outros partidos não falo sequer, distantes que ainda se encontram de se afirmarem na sociedade portuguesa. Com, ou sem razão.

E neste quadro, a frase de Nietzsche ecoa com força: “Jamais te deixes filiar”.

Do associativismo apartidário, cheguei eu ainda miúdo, à filiação posterior num partido. Serei dos poucos que leu a sua história, que interpretou a sua ideologia e que se identificou com ela. Conheci homens e mulheres de elevada craveira ética e intelectual. Outros... bom... outros menos.

Mas de pouco nos servem as palavras se não se transformarem em actos no dia a dia, num discurso de verdade.

Olho à esquerda e à direita de Passos Coelho e já não há homens providenciais. Já não há líderes carismáticos como foram nas suas épocas: Sá Carneiro, Mário Soares, Freitas do Amaral e Álvaro Cunhal.

Vivemos outros tempos, é certo. E se muito do que o PSD de hoje tem feito é estritamente necessário, à luz de erros graves que vêm de governos anteriores, verdade também é, que muito do que este governo tem feito, não tem tido a minha concordância.

E agora, Nietzsche? E tu, Portugal?



* Artigo original de opinião, por mim publicado hoje em:
http://www.oeirasdigital.pt