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domingo, 13 de abril de 2014

#47 O ciúme


O ciúme mata e corrói.

Que levante o dedo quem nunca os teve... entre amigos, entre irmãos, entre namorados, entre marido e mulher.

Mas mais importante que os ter, é saber controlá-los e progressivamente eliminar esse sentimento mesquinho do nosso vocabulário de vida.

Desde sempre que tenho poucos ou nenhuns ciúmes. E que não pense o leitor que tal é incompatível de ter amado as pessoas com quem estive/estou. Muito pelo contrário.

Ainda assim, quando existem os tais (poucos) a verdade é que os sei gerir bem, sabendo-os passageiros e fruto ainda de algo que tenho de trabalhar em mim: o sentido involuntário de desejar ter a posse de alguém/algo. 

Sei isso sim, que qualquer relação (seja qual for o modelo) que assente na necessidade da posse, está condenada ao fracasso. Mais cedo ou mais tarde.

O que amamos deixamos livre, para que siga o seu natural curso. Está, parte e volta. Se tiver que ser.

Ora, acresce a forma eventualmente de tendência minoritária que tenho de estar na vida, desde sempre, em que defendo que "ninguém é de ninguém", mas sim que numa relação seja de que tipo for, se acorda estar-se junto, partilharmo-nos e eventualmente fazer algumas cedências a bem do todo, mas que nunca comprometam a nossa essência.

Por isso me custa a compreender o ciúme. E acabo por desprezá-lo mesmo.

Bem sei que para muitos, "só sente ciúme quem ama". Mas para mim, "quem ama, educa o ciúme e quem quer amar-se a si mesmo e ao mundo: acaba um dia com o ciúme".

Temos aproximadamente um século de vida, nesta forma física. Para sermos felizes, conhecermos o mundo, partilharmo-nos e depois partir.

Não há tempo para o ciúme. Para a dor que dele advém. Para essa e para outras.

É cair e levantar! E de preferência não nos darmos sequer condições para cair. 

É que:


"Cada dia que passa, há isso sim, cada vez menos tempo para sorrir."




segunda-feira, 24 de março de 2014

#32 Um dia de chuva


Desta minha janela vejo pingos que dançam
Folhas que caem soltas, logo pela manhã

Com o lenço na lapela enxugo memórias que me cansam
letras mortas que são já, terra deste meu afã

Em cada pingo vejo um rosto
em cada queda sinto um ano

Procuro um tempo já morto atrás do sol posto
um agora sagrado, que já foi profano

Talvez um arco-íris ainda me espere
quem sabe em tons de azul, verde, ou amarelo

ou a voz que desde sempre ouço, ainda prolifere
e se revele, ao som do violoncelo

Na verdade 


a chuva é tão bela quanto o sol

muda a pesca: 
...muda o anzol.



terça-feira, 4 de março de 2014

#14 Remédio amargo III


É mais fácil ver uma telenovela. Assistir a um jogo de futebol. Ou, comprar uma roupa nova. Ou melhor ainda, um carro novo! Ou... ler uma revista sobre a vida dos outros.

É mais fácil querer ter "aquela" imagem, que é o ideal de beleza. 

Talvez ainda, tirar "aquele" curso, para ter "aquele" título e "aquele" emprego, que os outros dizem ser bom.

É sempre tudo mais fácil. 

O difícil é largar essa tralha toda, mudar a escala de valores e sermos: 




NÓS.



Pessoas há, que de facto nunca morrem. Porque no fundo, passam uma vida inteira: sem nunca terem chegado a nascer.


sábado, 1 de março de 2014

#9 Remédio amargo II


Assobios que vêm do frio
Sussurros apressados,
Memórias de outra era

...o medo, de nós se apodera

Que não se instale
Que não se inale
Que...

Anos que passam, dores se acomodam
Dores que nos
d  e  v  o  r  a  m

Não permitas. hoje não
Faz play a outra canção!
Não importa se não toca
Quero sentir o que provoca

...recordar essas verdades
auscultar sensibilidades

mergulhar no mar de madrugada
sentir de novo a face molhada
olhar o sol, vislumbrar a paz
agarrar de novo



o que a saudade traz.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#7 Remédio amargo I


Ao ver esta fotografia da Associação ProToiro (que é afinal uma Federação que defende as touradas... de rir, não?), lembrei-me.

Não sei se corresponde a números verdadeiros, se é um estudo validado, se foi mesmo um inquérito feito aos portugueses e que reflicta o sentimento nacional.

Se assim é, LAMENTO. Mas, num país onde nem sempre estou de acordo com a maioria, não será de espantar uma vez mais ir contra a corrente.

Liberdade de matar e de torturar, para mim não pode ser a liberdade eticamente promovida! Direitos acarretam deveres e parece-me que já deveríamos, também neste aspecto, ter saído da idade média.

Compreendo, (ainda que cada vez com maior dificuldade, confesso), a morte de animais para alimentação, sempre se efectuada com processos com o mínimo de dor e envolvendo dignidade.

Condeno pois todas as formas de subjugação dos animais, (tirando o auxílio ao homem em tarefas agrícolas), nomeadamente as lutas provocadas e motivadas para apostas e neste caso particular: nas touradas. 

Lembremos até, que animal é afinal o touro. 

Trata-se de um animal que em campo é normalmente pacífico e gregário,como todos os herbívoros.

Sofre alterações de ânimo, (mesmo no campo), se lhe for vedado o acesso a algum local ou se for vencido numa luta com companheiros de manada, em períodos de cio.

Aí, adquire uma especial animosidade e torna-se perigoso, mesmo para os campinos a quem normalmente obedece com docilidade.

Dirão uns, portanto, que os "touros das touradas" são os bravos, por contraponto aos mansos.

Mas... porque investe o touro? Investe naturalmente pela situação de perigo em que se vê afastado do seu habitat, por se encontrar encerrado num recinto fechado, com luz, ruído e gritos do público.

Enfim. Estudei em sociologia, há muitos anos atrás, que um dos traços de estudo do carácter evolutivo de uma sociedade, é sem dúvida a forma como trata os seus animais.

Dirão alguns, que as touradas permitem que os touros continuem a existir, que a criação de gado prospere... direi eu, que se o touro é criado para ser morto num espectáculo, mais valia não nascer.

Parece-me que o essencial está dito.

Já sei que o remédio foi amargo e que nem todos vão gostar dele. Já vos tinha avisado...

Já tomaram? Podem continuar a assobiar para o lado.