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segunda-feira, 16 de maio de 2016

#226 Se eu não mudar de número


Entre o preto e o branco
talvez um cinza 
alegre
multicolorido

ou as horas que passam
talvez memórias
desfocadas
que o vento me quis trazer

quem sabe sejam as histórias
que eu vi acontecer
viver


s e n t i r


dizem que o tempo tudo cura
ai se eu não mudar de número

as notícias virão embrulhadas em papel de rebuçado?
queria que viessem
doces
saborosas
sorridentes

para mastigar devagar
sem pressas


TU



quinta-feira, 10 de março de 2016

#220 Sobre a morte, na vida de todos os dias


O sangue corre-nos pelas veias. 

Quente... 

Todos os dias. Mesmo todos?...

Rejubilamos, sorrimos, sofremos, questionamos.

De onde viemos, para onde vamos? Onde estamos, até!

Aos poucos, a gélida inconstância se apodera do nosso ser e numa lágrima nos perdemos mais tempo do que o aceitável. Num sorriso de outrora, encontramos o vazio. No ruído das gargalhadas, descobrimos agora o imediato silêncio.

A fugacidade e a efemeridade da vida, encontram no colo da eternidade (ainda que também ele uma bizarria de quem, como eu, não aceita que o corpo físico seja tudo o que ora existe) uma solução para a indesculpável finitude de quem um dia desaparece, mas jamais  dos corações que um dia tocou.

A morte apresenta-se-nos, na vida de todos os dias. Toca-nos ao de leve, suavemente! Petrifica-nos, electrifica-nos e lembra-nos.

De ocidente para oriente. Um dia isto acaba!

Mas hoje? 


Hoje, não.









P.S. - in memoriam de O.S. e de tantos mais, que agora repousam o sono dos justos, aos quais um dia nos juntaremos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

#216 Carnis Levale



As memórias de um tempo já ido, batem-nos à porta por vezes, qual
purgatório a que estamos condenados a dedicar todas nossas preces, 
no Altar do Ilusório. E não lhe podemos recusar entrada.

A subtileza da circunferência surge assim uma vez mais demonstrada: percorrida em toda a sua área, tudo converge novamente até ao mesmo ponto inicial, que revisito qual movimento perpétuo.

Na caruma do tempo, piso agora gotas de água entrelaçadas. Como as... mãos. 

Chove cá dentro (mas como pode ser possível se faz tanto sol lá fora?). Uma estrela caiu, estatelou-se no chão. Levantou-se depois, mas já perecida, sussurrou-me pétalas em tons de azul e partiu. Para não mais voltar.

Gostava de ter ido com ela e visitar todos os planetas. Dentro e fora do nosso sistema solar. Quem sabe ficar um pouco numa nuvem e finalmente respirar.

Carnis Levale Tempus... é tempo de alguns mascararem a contrição, com sorrisos e purpurinas variadas.

As pessoas sem gente dentro festejam, felizes e contentes, em torno do Altar que o teu dEUS erigiu e em torno desse novo/velho cordeiro de ouro disfarçam, principalmente o que ainda não conhecem.

Não querem ou não conseguem. Não querem, portanto.

Despertar nem sempre é bom. Mas despertar foi preciso.

P r e c i s o de


f i c a r

s a i r



D es pe

r

tar

é


p r e c i s o
-
continuar.


a chuva cai a potes, mas já não a vês.

domingo, 3 de janeiro de 2016

#203 a rosa branca desabrochou




Pessoas
Animais
Plantas
Lugares
Sentimentos
Memórias

E

T A N T A S t a n t a s    T A N T A S t a n t a s

h       i       s      t       ó      r       i       a       s

assaz fortes o suficiente para não serem meras 

e s t ó r i a s



Todos temos os nossos lutos para serem feitos

Hoje em dia já nem sei se é mais fácil fazer o luto de tudo o que parte, ou se é ainda mais difícil fazê-Lo do "imenso tudo", quanto fica em nós, mas que já não é nosso... Ou que nunca foi nosso, não obstante residir para sempre EM nós

S       E       I

m a s    n ã o    d i g o     

a   q   u   i  


Desde que me conheço que estou em luto 

Luto de tudo quanto de mim partiu e de tudo quanto em mim partiu,     

i   g   u   a   l    i   g   u   a   l   i   g   u   a   l

m          e         n         t        e 
   

 revisito o painel das memórias e saboreio as histórias, meio doces, meio amargas

convivo com Pessoas Animais Plantas Lugares Sentimentos Memórias
que já foram e já não são, 
mortas que agora estão

vivas que parecem
aos olhos todos que não as viveram

onde e como o que eu com elas ainda   S O U 

Vejo-as passar
Toco-as
Sorrio-lhes
Mas já se foram embora

E isso
d  ó  i

porque só eu sei

que 
NUNCA

as vou deixar partir 

. . .


a rosa branca desabrochou e dela saiu um odor tão 
perfumado 
mágico
belo

um magnífico

FOGO FÁTUO





domingo, 19 de abril de 2015

#195 Tempus fugit


Essa estranha forma que a saudade tem, é porque a ausência: nela encontrou um meio, de se fazer sentir presente.

Tornou-se habitual na minha vida sentir pois: SAUDADES. Volta e meia aqui falo nisso.


Saudades de pessoas. 

Saudades de coisas.

Saudades de situações.

Saudades... mesmo do que nunca viverei... nesse bizarro diálogo entre passado, presente e futuro... Nesse tempo verdadeiramente novo, que a minha saudade tem.

Que SÓ ela, tem. 

Por isso, tomo também a saudade como companhia. Mergulhado em nostalgia que tempero com esperança, pontuada por episódios que ecoam no espaço das minhas memórias.

Tempo - esse mero acordo social, essa irrelevante falácia que nos trava o sonho, que o mata se deixarmos, até. 

Não tenho mais tempo, mas tenho todo o tempo do mundo... porque não mais deixarei: que o tempo mande em mim.

Há muito já, que dei as boas-vindas: à ETERNIDADE.


segunda-feira, 2 de março de 2015

#193 Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam


O tempo é uma falácia
porque quando se ama
temos todo o tempo do mundo

a vida corresponde
apenas a um hiato tempo
que medeia o espaço eterno
a existência
deste corpo frágil

Sempre chegamos aonde nos esperam
seja quando for
seja aonde for

esse sítio



nem que à espera
para nos dar "aquele" abraço

estejamos

apenas




nós






mesmos.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

#191 O CAMINHO PARA CASA


Aos poucos o caminho vai sendo feito, as malas fechadas e a bagagem arrumada. 

Mas qual bagagem? 

Desconfio que não levo nada comigo... a mala que insiste em não querer ser feita, revela a imensidão do vazio, que é presumivelmente mais forte.

Os segundos que o tempo devora avidamente, misturam-se por entre as memórias (aconteceu mesmo?) que teimo em guardar, mas que delicada e suavemente me escorrem, pelas mãos fora. Continuo firme e espero... Mas não acontece: NADA

Contemplo a paisagem que de exótica e imberbe, se revela banal e gasta. Esfrego os olhos para tentar ver de novo o que se esfuma. Cheira a bafio... mas o incenso era tão belo e brilhava tão bem!

As lágrimas de sangue caem a meus pés e resvalam na areia que o sol rapidamente seca, passado segundos... mas que eu ainda contemplo vermelha - fenómeno ocular?

Espero todavia, pacientemente, que surja o sinal esperado. Que as estrelas se revelem, que as nuvens se afastem e que no lugar do temporal, apareça rapidamente o imponente arco-íris de belas cores, que me dá alento e esperança.

Claro que não há dia de chuva que não tenha, ainda assim, o seu sol... Pois também a mim, tem ele enfim, surgido. Umas vezes tímido, outras mais reluzente.


PROFUNDAMENTE GRATO!


Ainda assim... a tempestade forte instalou-se, com todas as suas forças e troveja violentamente.

Há muito que não me metem medo esses vendavais, mas confesso que a força, desta vez impressiona...

Faz-me pensar se somos nós que enfraquecemos, se simplesmente nos esquecemos do quanto somos fortes, ou se afinal o adversário é verdadeiramente mais capaz desta vez... É incrível e assustadoramente forte, como só a força da Natureza o é. 

Compreendo. Os extremos tocam-se... claro que tenho medo.

Mas no fim, sairei vencedor! Como sempre e porque não há intempérie que não tenha o seu fim, apesar das penosas marcas... sei disso.

E porque a Luz que me acompanha, (de dentro para fora), se reafirmará, rejubilará e resplandecerá... Porque se alimenta de MIM e lhe dou matéria viva de pura alma e múltiplas cores. Porque lhe dou inúmeros sorrisos para que se alimente, boas acções para que se instale e compaixão plena (ainda que nem sempre fácil) para que irradie e se misture no todo.

Tenho pena... mas não sei quem a verá comigo, nesse espectáculo tão maravilhoso de se ver.

Presumo que: 



observará comigo tão ímpar cenário, apenas quem tiver lutado, ficado e sobrevivido. Nem que seja a minha solitária imagem reflectida no espelho, que tenho desde tempos imemoriais: por fiel companhia.




sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

#184 O Beijo que morreu


Perdido, ganhou coragem e levantou-se, determinado. 
Estava decidido a mudar, o até agora: triste fado.

Contemplou e sorriu

de alguma forma seria diferente
o tempo afinal havia passado.


Uma nova vida, é uma nova vida.
Inclinou-se e abraçou,

o horizonte cheio de nada


caiu no vazio
beliscou o zero
e


constatou que o beijo não havia morrido
porque sequer ainda não havia nascido.


É que:

 jamais pode partir: 





quem nunca se atreveu a chegar.






* Vi esta imagem publicada no mural de uma velha amiga e inspirou-me a produzir este pequeno texto, bem diferente da concepção da imagem, que alegadamente aponta para uma nota de humor (que também subscrevo). Mas é isso que é belo nas palavras... podermos revisitá-las e significá-las a nosso bel prazer. Consoante os nossos sentires... ganham vida e não nos pertencem. 

São livres e voam... até caírem no peito de alguém. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

#182 Tatua-me


Preenche-me de cor 

mas


por favor 
corta-me a carne.


Desenha-me o campo

ou 
o céu

ou


o espaço


Cobre-me de um véu
 e acolhe-me


 no 

teu 



e g a ç o. 



sábado, 20 de dezembro de 2014

#181 Ardente


Ardente ÉS, 
recordação distante,
 da cabeça aos pés
a montante e a jusante

me relembras...



Distância impermanente
memórias que perdeste, ausente

congelas o tempo
embrulhas em tons de esperança
saudades do que não vivi.

...e se Acaso me perdi
oxalá me encontres tu e 
jamais me largues.



ou que o porão onde guardas os teus sentires
me albergue já, 


perdido que estou.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

#180 Eu prometo


Demoraram anos e anos

mas aos poucos começo a lembrar-me.


Como poderia ser possível esquecer-te?
Depois de tudo o que já passamos juntos...

...tão marcante foi, que tive que
viver quase quatro décadas sem TI.

Talvez, para agora te redescobrir de novo
e começarmos exactamente no ponto em 
que terminamos a nossa caminhada, juntos.

Espero que me desculpes
ainda não te tratar com o carinho que mereces...


Prometo lembrar-me e fazer esse esforço
para merecer de novo

mais uma última 




VIAGEM.


Vou a caminho e nada me deterá. Acredita.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

#179 O Pai Natal e o miúdo morreram, faz 7 anos


11 de Dezembro de 2007, pelas 07h da manhã, recebia ao telefone a notícia que já esperava e que ansiava, dadas as condições.

Acabava de "partir para outras paragens", o meu Pai Natal. O alívio pelo fim do seu sofrimento, instalava-se em mim, num misto de paz e de saudade.

O Natal naturalmente jamais seria o mesmo. Ainda assim, desde a primeira hora, havia que mudar de página. E assim o tenho feito. Assim o temos feito todos.

Reencontro a alegria perdida nos sorrisos inocentes das crianças (que um dia fui e que de alguma forma continuo ainda a ser), no voluntariado que presto diariamente e indiscriminadamente, nas duas instituições que presido e nos sonhos que realizo. Meus e dos outros, porque a vida continua. Diferente, mas continua.

O Pai Natal morreu há 7 anos, mas o exemplo dele continua vivo no meu dia dia, os seus ensinamentos consolidaram-se em mim e naturalmente: o miúdo de alguma forma morreu, nesse dia também...

A vida é uma jornada imensa, cheia de potencialidades. Todos temos que partir um dia e mal daqueles que não se habituam a mais este patamar a que chegaremos.

A cumprirem-se as regras, o envelhecimento dá-se e leva-nos. Outras vezes, partimos mais cedo. E até lá... vemos partir muitos dos que mais gostávamos.

Sei que já cá estive várias vezes. Isso evidentemente, ajuda a compreender.

Não sei quantas estiveste, Pai... mas espero que para onde tiveres ido: trates bem o miúdo.




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

#176 Ir


Não se ser de parte alguma, sem raízes que não as da dimensão do cosmos, pode trazer problemas.

Por vezes, mais que assumir a sensação de apátrida, sente-se uma amálgama de sensações de uma densidade maior que isso, despovoadas do que os sentidos banais encontram como correspondência. É-se pois, por aproximação, mais uma espécie de: "aplanetário".

IR - apresenta-se, não raras vezes, como a única e derradeira possibilidade. Mas IR para onde?

Feliz ou infelizmente, nada como uma noite a seguir à outra. O problema: ...quando já nem isso resolve.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

#173 Entretanto...


Às vezes: é mesmo o melhor. 

Alinhado estou eu, que ainda há pouco tempo vim do meu retiro de silêncio.

Uma semana depois, após ter experimentado o mundo que tão bem conheço, espreito cá fora e sabem que mais? 


pois...





nada de novo.



Qualquer dia................................. até porque: 
"Isto aqui fora, está definitivamente cada vez mais estranho."



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

#161 O mantra que se impõe


memórias de tempos vividos 
de tempos por viver 
de tempos que já não viverei

olhares trocados, perdidos
no âmago do meu ser
que só eu saberei

percorro imagens que sinto
mesmo quando me minto
mas vislumbro-as tão bem...

só queria ao menos um quinto
de mais tempo, neste recinto
para deixar de ser refém

desconheço o fim da história
mas insisto em guardar na memória!

o testemunho guardado
hermeticamente fechado

mas livre, na imensidão do céu. 


Olho para cima e a todos... vos mando:



SINTAM!
um beijo meu