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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

#231 Pessoa


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                (Enlacemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                Pagã triste e com flores no
regaço.

FERNANDO PESSOA

domingo, 4 de dezembro de 2016

#228 Luz


Mesmo na noite escura
podes reinventar a L U Z

e abrir a porta
que te leva ao Altar dos Sentires

qual ilusão desfeita
ou

utopia celebrada
do quase tudo!

o u 
do quase nada


mistérios do reencontro
possíveis de r e v i s ã o

gramática, texto ou conteúdo

imersos em P A I X Ã O

basta abrires a porta e
entrar!

eventu al mente 

a n   d a r

s    a l t a r

m e r g u l h   a r




V   O   A   R
. . . 




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

#213 hope


Texturas que se multiplicam, entre o acordar dos sonhos que se escondiam em segredo, por detrás do Altar do Ilusório.

O arrepio na pele e a nitidez da vertigem que agora agarro, para nela descer até às profundezas dos meus circuitos neuronais, passou a ser o desígnio último que pontua a palavra à qual me dediquei. 

Hope - porque o estrangeirismo nem sempre é feio. Esperança - porque a alma lusa está carregada dela, dispondo histórias à minha frente com séculos de vivências. 

Templarismo condicionado ao grau e aos seus mistérios, que artisticamente se desnudam em papel seda e se deixam tocar, suave e docemente, enigmáticos, fascinantes. 

Orgasmo virgem de viagens que ganham corpo, voo que levanta para longe, maquilhado que está de sonhos puros e densos. 

Bebe o cálice até ao fim, de um trago só. Faz-me isso. 

E promete-me, só mais esta vez. 


sábado, 2 de janeiro de 2016

#202 Longe




i n u n d a s t e   o   m e u
ancestral 
S I L Ê N C I O
com tuas belas  p a l a v r a s  soltas  

e  s  c  u  t  e  i  -  a  s
sôfrego de alimento


mas soltaste-me 

e


c        a        í 




a princípio, o chão parecia tão delicado e meigo
mas

m     a     g     o     e     i     -     m     e    


tenho   m e  d o
tenho tanto frio


veste-me de novo
de 


T I .

segunda-feira, 2 de março de 2015

#193 Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam


O tempo é uma falácia
porque quando se ama
temos todo o tempo do mundo

a vida corresponde
apenas a um hiato tempo
que medeia o espaço eterno
a existência
deste corpo frágil

Sempre chegamos aonde nos esperam
seja quando for
seja aonde for

esse sítio



nem que à espera
para nos dar "aquele" abraço

estejamos

apenas




nós






mesmos.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

#163 Lisboa que espera


Ali estava à hora combinada
sozinha, perdida, no meio da estrada

Lisboa ansiava
alguém ao longe a espiava

ela? enfim, esperava
exasperava

e...





nada.



domingo, 19 de outubro de 2014

#159 Do sol e da chuva em mim


Ando perdido entre dois tempos
Entre o "eterno" e o "nenhures"
entre o sol, o inverno e

o abraço fraterno vindo de algures


Chovo copiosamente
todo eu sou terra viva 
azul e verde (esperançosamente)
timbre e toque, que me cativa


Alma mater que me inspira
barca dos descobrimentos
resgata esse dEUS que admira
p'la magia adentro, dos elementos


Nesta dimensão, travo caminho
onde tudo se ilumina
dois seres fundidos numa colina

uma multidão, mas... estou sozinho





quarta-feira, 10 de setembro de 2014

#144 Subliminar em noite de superlua



No paradoxo, reside um manancial de informação preste a ser recolhida, tratada, catalogada, sequenciada e por ventura a servir sempre para o processo de decisão.

Nunca há soluções perfeitas, apesar de no final tudo ser geometricamente e antagonicamente perfeito. Simétrico. Complementar.

Num verdadeiro encaixe divino, nesse fato feita à medida dos nossos sentires, qual cosmos pulsante e vivo, que respira umas vezes oxigénio puro e outras monóxido de carbono e todos os venenos mais densos e mortais.

Mas se ingere veneno, é porque vivo se encontra. E é a esse organismo que compete procurar e qui ça encontrar o antídoto escondido, que existe na prateleira mais alta, no fundo do armário mais comprido, no frasco mais sujo, com o rótulo por ventura apagado. Ou sem rótulo, mesmo!

O que interessa é que a solução é sempre apaixonante. É sempre vibrante. Desafiante. Revigorante. E é sempre um (re)nascimento.

Com dor, mas com um enorme sorriso :D ...que é o que fica para memória futura, registando com chave de ouro a intemporalidade e o sabor da vertigem.

Viajar é preciso. E aprender a voar, implica cair.

Espero chegar às nuvens um dia. Até porque estou farto de cair.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

#136 Vozes que vêm de longe


Quais sussurros inesperados
olhos nos olhos, corpos apertados
memórias coloridas de um tempo ido
viagens cósmicas que ainda vivo

de regresso ao som, ao cheiro e ao sabor
a esses caminhos de amor e de dor
onde um novo tempo e um novo espaço
recordam o poder de um simples abraço

nostalgia de um novo mundo
que afinal é este, mas diferente
alterando um simples nanosegundo
resgatando no passado: o futuro presente

Água, sentir e o céu azul
ou ainda noutra qualquer tonalidade
tudo misturado, o norte e o sul
liderados apenas pelo signo da 


v e r d a d e


segunda-feira, 26 de maio de 2014

#90 Desertos


Oásis distantes, que vislumbro já
em cores tórridas e quentes
viagens intensas daqui para lá
comigo vão todos, mesmo os ausentes

Escolhas, caminhos, percursos
quilómetros que levo de caminhada
mais silêncio menos discursos
em consciência É a minha estrada

Desertos sedentes de água intensa
pés descalços do calor feridos
renovada a fé em velha crença:
fusão com o Uno em tons coloridos 


Medito: logo, sou
cheguei e agora 

e s t o u 



sábado, 17 de maio de 2014

#80 Saudades do que não vivi


Dias de sol que sabem a África. 

Dias que rebuscam paisagens escondidas... algumas vislumbradas já, nesta vida.

O cheiro da terra molhada, os olhos nos olhos, o toque sem medo, o sorriso aberto, o calor que nos invade e preenche totalmente.

A pureza mais genuína, a ignorância original que nos surge sob a forma da inocência desconcertante, que nos mostra que o que sabemos: afinal de pouco nos serve verdadeiramente.

A Natureza firme e avassaladora, o seu poderio esmagador, o pulmão do planeta... mas também o coração.


Saudades... Do tanto que ainda não vivi.


  

segunda-feira, 5 de maio de 2014

#73 Reunião de família


Olhares de seres que nos miram
preenchidos e especiais
camadas e máscaras que tiram
estranhos são: para os demais

Místicos e exóticos
coloridos e reluzentes
puros igualmente eróticos
seres assim... assaz diferentes

Caminhos simples ou complexos
na magia da caminhada
difusos e desconexos
até encontrarem a sua estrada

Uns estão vivos outros mortos
uns respiram outros já não
mas todos livres todos soltos
agindo e pensando com o coração


Uma família dispersa
encontrada está na multidão
mais medita que conversa

muitos! mas na   



s o l i d ã o 

#72 Deusas sem rosto


Deusas sem rosto
na minha estrada fora
sorriso e desgosto
de um tempo sem demora

uma nova vida
novo beijo, novo abraço
outra semana perdida
escondida do meu espaço

estão gravadas memórias
que ficam e teimam em partir
presentes são as histórias
o futuro ainda há-de vir

pudesse eu sorrir
de tudo um pouco e ainda mais
caminhar alerta e servir
pétalas soltas aos demais

se páro, escuto e ainda vejo
perco-me na minha intuição
é impulso outras desejo
é cabeça ou coração

um ano, dois... trinta 
trinta e   quase sete
uma corrida e outra finta
disco, cd ou cassete

andar, caminhar
errar, repetir
ousar, arriscar
em síntese: 


s e n t i r.



domingo, 27 de abril de 2014

#65 Coisas que o acaso me contou


Juntei o mar e o céu
uma vista e areia molhada
destapei aos dois o véu
meditando de perna cruzada


Algures entre o norte e o sul
perdido na contemplação
entre várias cores o azul
ou o vermelho coração


São fortes as energias
que graçam neste hemisfério
juntei várias sinergias
por magia  é mistério


Entre palavras e poemas
se decifra este enredo
já não temo os dilemas
que me testam com o medo


Diz-se que a nossa liberdade
acaba onde a outra começa
mas também é bem verdade
o destino que nos aconteça


Respirar profundamente
aceitar-nos por inteiro
Trilhar o nosso caminho
isso é que é ser verdadeiro



E entretanto o sol passeou-se, colorindo com os seus raios as habituais paisagens inóspitas, que habitam dentro de nós.



sábado, 26 de abril de 2014

#63 Mística


Mística se te apresentas
mas de imediato te transformas
qual visão que desaparece
e então mítica te tornas

A tacto o jaguar me envolve
intermedeia magias da floresta
na respiração se dissolve
a imagem que ainda me resta

Voa mas aterra, mariposa 
pousa no meu braço
concede-me nova glosa
ou o conforto do teu regaço

Que de novo partas sem destino
para um dia te (re)conhecer
Dentro esperará o menino
que em mim fizeste (re)nascer

#62 Oferecer-te o pôr do sol


Um dia quis oferecer-te o nascer do sol. Era por ventura pequeno, tímido e apertado, para TI...

Mas parecia tão belo e tão imenso... sem nunca conseguir ser tão intenso, quanto tanto em meu coração vi.

Na verdade, não estava o sol a apresentar-se pequeno. 

Era eu ainda na infância, a nascer sem ser adulto... afinal, ainda criança.

No entanto o sol raiou impávido e sereno... galgou as nuvens... preenchido e pleno. 

Em bicos de pés, tentei alcançá-lo... mas se pequeno era para TI: todavia grande se agigantava, para mim!

Esperei pelo fim do dia, talvez quando baixasse... de cócoras me baixei, sem que no entanto o apanhasse.

Nem o "nascer" lhe apanhei, nem a "pôr-se" o cativei.


Resta-me quem sabe, tentar um novo amanhã.



#61 O baile de máscaras


Dançam as caras no baile de máscaras
perdidas e cambaleantes
esquecidas, homenageiam os farsantes

Dançam as caras no baile de máscaras
despedaçam corações, partem sonhos e ilusões

Imagens de criança, por entre a dança comedida 
reprimida, enclausurada... como a vida

Passeiam ligeiras e destacam pedaços de carne
envelhecida, doente e putrefacta

uma obra de arte, desafiadora e abstrata
senil, digna de 

i n t e r n a m e n t o


mas única, ímpar, símbolo do 
m o v i m e n t o 

constante, sincero e verdadeiro
peças unidas, qual puzzle inteiro

Dançam as caras no baile de máscaras
e não sabem para onde ir
perdidas que estão

mas sempre a 

s o r r i r



#60 O grito



Pudesse eu dar um grito sem dor
preencher de vida este quadro em branco
encher de poemas e quadras de amor
lágrimas soltas que correm em pranto

Quem sabe outra história mais alegre
colorisse antes de tonalidades várias
oferecesse sorrisos a esse corpo imberbe
e largasse preconceitos, repressões primárias

Lá fora o dia está enublado
parece morto, triste e adormecido
até a linha do horizonte, alguém terá apagado
caio no chão, escancarado e entorpecido

Parou o tempo, não há volta a dar
terminaram o som, os odores e a imagem
fecharam o sol... está tão belo o luar
começou afinal a derradeira viagem.






NOTA: Para os menos atentos, qui ça pouco versados nas artes das letras, mas ainda assim certamente meus amigos(as) e daqueles bem queridos(as), relembro que "a escrita, a tudo permite". Personificações, interpretações várias dos nossos alteregos, decifração de estados de alma e afins. Estou vivo, bem vivo e cada vez gosto mais de viver. Possivelmente desconhecem a escrita que guardada tenho desde os 13 anos e que tem sido, a par da música: bastante terapêutica.

E já agora... o quadro acima exposto é "O grito", que é uma série de quatro pinturas do norueguês Edward Munch, representando precisamente um momento de angústia profunda e desespero existencial.

É das pinturas mais icónicas do movimento expressionista. A 2 de Maio de 2012, foi vendida por 119,9 milhões de dólares.

Naturalmente este meu pequeno poema é grátis. 

Por isso levem e se quiserem tomem este remédio, que ficam a ganhar...


quarta-feira, 23 de abril de 2014

#56 O começo de TUDO


Reconhecer que há uma estrada
e que podemos nela caminhar

Sentir a nossa alvorada
e reconhecer o sol raiar

Começar a dar os passos,
a princípio meio a medo
para depois construir laços
no caminho, ainda cego...

A paz, a harmonia e a beleza
o equilíbrio a caminho da certeza


Um só destino:



r e c u p e r a r   o   s o r r i s o   d e   m e n i n o 



sábado, 19 de abril de 2014

#52 Memórias, do velho caminho


Caminhos...

Memórias que nos revisitam, histórias temperadas de saudades do que ainda não se viveu. Imagens dos nossos sentires, espalhadas por locais de outrora, recheados de magia e fragâncias exóticas.

Estradas para verdadeiros paraísos objectivos, inebriantes, extasiantes, esfusiantes...

Percorrer como sempre... em busca do sabor da vertigem. Enfrentando o medo, perseguindo a linha do horizonte.

Mares de serenidade e paz. Céus cobertos de estrelas e cometas de todas as cores.


Raios de luz que irrompem por corações e iluminam, despertando consciências... resgatadas que são agora de novo, todas as essências.


Caminhos... pois.