quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

#232 É urgente meditar!



Nada como começar.

No princípio nem que seja com este rudimentar quadro pequenino e de sem grande organização, respeitando apenas algumas regras básicas aqui enunciadas.

Quanto à técnica, por exemplo usando o maior instrumento de todos que é a nossa própria respiração. Observando o ar que entra e o ar que sai.

Depois com o tempo, cada um percebe o papel da meditação na sua vida.

Pelo meu lado, o conselho é o de que: encontres uma boa técnica, um bom professor e a aprendas com dedicação e seriedade. De seguida é só manter a regularidade e os resultados virão! GARANTIDAMENTE!

Há muitas e boas técnicas. Experimentei várias ao longo da vida e ensinei algumas, mas para quem pretende ir a fundo: o recolhimento é essencial.

A vida é cheia de distrações e por vezes importa, por isso mesmo, que em ambiente de retiro nos recolhamos e demos finalmente a oportunidade "ao sagrado que em nós mora".

TODOS somos capazes de lá chegar. TODOS mesmo!


O medo e a dúvida são só desculpas, meros produtos da mente que importa afastar o quanto antes!




Combate isso! Qualquer dia é excelente para começar.




Boas viagens.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

#231 Pessoa


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                (Enlacemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                Pagã triste e com flores no
regaço.

FERNANDO PESSOA

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

#230 Dezembro suave


Na foto o gongo, de um dos vários centros de retiro de meditação vipassana, que escuto invariavelmente todos os dias, em pelo menos um retiro anual de dez dias.

O voto de silêncio, entre outros que subscrevemos nesse período, é interrompido muitas das vezes, apenas e só: por ele.

Depois, regressamos à vida "normal" (seja lá o que isso for) e escutamo-lo interiormente, vezes sem conta.

Não escrevia neste meu blogue desde 27 de Dezembro de 2016. Nas últimas letras, à época, inscrevi o meu pensamento intitulado "FIM".

Mas claro que não acabou e cerca de dois anos depois, cá volto hoje. Na realidade há sempre vários inícios. Vários recomeços. Várias mortes e vários renascimentos.

Este "loop contínuo" em que nos encontramos e cujos despertos tentam insistentemente romper em múltiplas situações do quotidiano, cansa. Fustiga-nos e gasta-nos as forças.

Mas também é ele: impermanente. Como tudo, TUDO mesmo, nesta vida.

O mês de Dezembro costumava ser bonito enquanto era criança. Era o mês das prendas, das ruas enfeitadas, de muitas pessoas a sorrirem. Por vezes era pontuado por uma tristeza aqui e ali. Falecia alguém próximo, ou estava doente. Mas no essencial era sempre invadido, ainda assim, por uma estranha alegria. Claro que os anos passaram.

Um dia abri os olhos. 


Vi os pobres nas ruas. A tristeza de algumas pessoas. O consumismo desmesurado. A hipocrisia vezes sem conta.  O Natal começou aí a ser diferente.  E diferente foi caindo, até ao dia 11 de Dezembro de 2007 em que o meu Pai morreu. 

E pensei que o Natal morria de vez.

Mas, das fraquezas fiz força. E procurei motivos para me reerguer, nomeadamente o nobre motivo de reerguer os outros, comigo. De resgatar do chão os que sofrem e mostrar-lhes, através do exemplo, que é possível sorrir mesmo depois de caírem lágrimas sem conta.

E assim o tenho feito, com as naturais dificuldades da vida. Porque nem sempre tudo corre como esperamos. Como imaginamos, como sonhamos! No jogo das expectativas, saem todos frustrados. Quem recebe e quem dá.

Mas pelo meio também acontecem coisas boas. E sai tudo melhor do que esperávamos! E é também esse o mistério da vida. A surpresa, o desafio, a ausência de regras, mesmo quando tudo parece previsível.

Este Dezembro tem sido triste em muitas coisas. 

Partidas inesperadas, dores antigas que regressam, solidões interiores imensas, constatações e epifanias que nos ensinam que "estar acordado não é um estado que se possa escolher". E invariavelmente sofremos, com ele.


Todavia, a vida continua a ter coisas boas. 


O aroma do café da manhã, o céu estrelado numa noite de luar. O sorriso de uma criança. Um abraço sentido. Um animal que nos pede festas. Um raio de sol que surge de surpresa. E tantas, tantas coisas mais.

Há instantes, visitava-me num dos meus gabinetes uma amiga que adora o Natal. Enquanto a escutava, observava a sua emoção com toda esta época e como me tentava passar a alegria que sentia. 

E sorri.

Sorri, porque Dezembro é isto. Mas também o é Janeiro e todos os meses do ano. Gente que sorri e gente que chora. Alegrias e tristezas... Ilusões e desilusões. Calor tórrido nuns corações, frio gélido noutros. 

A arte da vida, está em conseguirmos celebrar o milagre que é estarmos vivos, resgatarmos a felicidade que mora em nós (muitas das vezes escondida em camadas de dor aparente) e depois disso: PARTILHÁ-LA.

Porque só assim a vida faz sentido.

Melhor que receber? Só mesmo:



D A R !





Signifiquemos o Natal: que o AMOR more nos vossos corações.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

#229 Fim


Os   

s o n h o s

que habitam agora 
apenas 

as 

m e m ó r i a s

as 


h i s t ó r i a s 

que guardam
um 



imaginário colorido

1
que já foi o dobro de si mesmo 



fundido 
transformado
acrescentado
aumentado
qui ça: feliz


n
 u
  m


tempos que 

desmaiam 

morrem 

caem





fim




domingo, 4 de dezembro de 2016

#228 Luz


Mesmo na noite escura
podes reinventar a L U Z

e abrir a porta
que te leva ao Altar dos Sentires

qual ilusão desfeita
ou

utopia celebrada
do quase tudo!

o u 
do quase nada


mistérios do reencontro
possíveis de r e v i s ã o

gramática, texto ou conteúdo

imersos em P A I X Ã O

basta abrires a porta e
entrar!

eventu al mente 

a n   d a r

s    a l t a r

m e r g u l h   a r




V   O   A   R
. . . 




sábado, 4 de junho de 2016

#227 Eu e a multidão


A vida é isto mesmo
umas vezes só 
outras vezes acompanhado

umas vezes rápido 
outras lento

com a cabeça cheia
ou em paz, lá ao fundo

um oceano de vida
de memórias

h i s t ó r i a s

expectativas
narrativas soltas
toques, cheiros e sabores

cores!

uma vida vivida
experienciada
testada ao limite

sofrida
prazeirosa, também 


e: 

TU


Sim, TU aí!


O B R I G A D O

segunda-feira, 16 de maio de 2016

#226 Se eu não mudar de número


Entre o preto e o branco
talvez um cinza 
alegre
multicolorido

ou as horas que passam
talvez memórias
desfocadas
que o vento me quis trazer

quem sabe sejam as histórias
que eu vi acontecer
viver


s e n t i r


dizem que o tempo tudo cura
ai se eu não mudar de número

as notícias virão embrulhadas em papel de rebuçado?
queria que viessem
doces
saborosas
sorridentes

para mastigar devagar
sem pressas


TU



sexta-feira, 6 de maio de 2016

#225 Os anos trazem-nos paz


Se há coisa que hoje sei que afinal me sabe bem: é a passagem dos anos.

Pensei que em determinada altura do meu crescimento, talvez sentisse alguma nostalgia pelo que fiz, pelo que gostei e que então se perdeu irremediavelmente no tempo.

Pensava eu, que talvez "gostasse de repetir algumas coisas" e que perante a óbvia impossibilidade, a tristeza se instalasse eternamente em mim.

Mas não! Afinal, quanto muito, perco-me por vezes a pensar que poderia talvez ter feito "isto ou aquilo". Mas mesmo esse lamento, dura pequenos instantes.

Porque me lembro sempre que: "Não há tempo a perder!"

E se há coisa que os anos me trazem, é um sorriso ainda maior. Um conhecimento das situações mais apurado, uma visão mais refinada, uma paleta de cores bem mais alargada!

Sei hoje que a vida não é a preto e branco. Que o que mais há, são afinal as zonas cinzentas.

Sei hoje que o "certo e o errado" mudam em muitos aspectos da vida, consoante a perspectiva em que nos encontramos.

Sei hoje que dizermos que "é para sempre" ou que "desta água não beberei", ainda que possa ser com a melhor das intenções e na certeza de ser o que sentimos no momento, pode afinal mais tarde mudar. E mudar mesmo drasticamente, porque tudo é impermanente.

Sei hoje que são mais importantes os olhares que se cruzam e os abraços e os beijos que se trocam, do que qualquer conquista material supérflua e que apenas produz uma falsa alegria momentânea.

Sei hoje que temos que cuidar bem do nosso corpo físico, porque ele se desgasta, envelhece e se desmorona. E que se pouco me importam quantos anos viverei, todavia me importa e muito, com que qualidade os desfrutarei...

Sei hoje que melhor do que receber é DAR! Que DAR genuinamente e sem esperar nada em troca (NADA, mesmo) é uma das maiores realizações da vida, que em si encerra a maior das recompensas que é: a sensação de paz e de fusão com o cosmos, que em nós doravante e também desta forma: se instala.

Sei hoje que meditar regularmente é das maiores revelações que podemos ter e que a espiritualidade se cultiva interiormente, alheia a qualquer religião, alheia a qualquer culto.

Sei hoje tantas coisas, que não trocava as coisas que agora sei, pelos tempos em que não sabia tantas... 

Acredito que são os melhores tempos da minha vida, estes que agora vivo. Mas lá está: não digo que os que viverei não poderão vir a ser ainda melhores, porque os não conheço...

E é exactamente esse mistério deslumbrante do desconhecimento do futuro, que chega a cada instante que passa e que: por mais dor que me traga ou por menos prazer que eventualmente tenha em mim, me faz enfim sentir: 

ABSOLUTAMENTE ENAMORADO PELO PRESENTE QUE ESTOU A VIVER! :D  




Celebremos a dádiva da vida TODOS OS DIAS e aprendamos, quer com a dor quer com o prazer. 

São tão somente duas faces da mesma moeda, que acolho com crescente gosto, à medida que vou limitando a minha ignorância e polindo a pedra bruta. Polindo, desbastando e rectificando com afinco, sem pausas.


Experimentem.




domingo, 1 de maio de 2016

#224 Dois meses


Não vai ser fácil.

Deixei o tempo passar e agora só tenho mais dois meses, segundo "O Plano". 

Para finalizar um projecto que idealizei ver a luz do dia lá mais para o final do ano.

E para outro, que no ano que vem gostava que visse a luz do dia, mas... para isso terá que levar um bom adiantamento precisamente: AGORA.

E enquanto isso, ainda todas as outras decisões pendentes... a carecer de tempo, dedicação... caramba... mas quem é que não passou já por isso? Planear, deixar o tempo escapar-se... e depois? Depois só com determinação, esforço adicional e naturalmente muito método e força de vontade.

Vai ser duro, mas vai acontecer. Ó se vai!

MULTITASKING.

Vou aplicar o método europeu: deixar andar à portuguesa no início, com desenrascanço pelo meio e depois a concentração, frieza e profissionalismo nórdico.




sexta-feira, 29 de abril de 2016

#223 Reflexão do dia


Nascemos, crescemos, morremos. Não necessariamente por esta ordem. Confus@? Pensar fora da caixa, desmontando arquétipos simples... pensar para lá do mero corpo físico. É que por vezes, "é preciso que algo morra em nós, para verdadeiramente (re)nascermos, no que é verdadeiramente importante".
Estes últimos dias, várias pessoas com as quais privava, conhecia, ou cujas famílias tenho imenso apreço, partiram dos seus corpos físicos, para não mais voltarem.
Assisti ainda a lutas interiores profundas, a questionamentos vários e intensos, de pessoas que me são próximas - confidente que sou e que sempre fui, tanta gente ao longo desta vida.
Em tudo há um fio condutor, uma mensagem subliminar que colhe força em mim: "estamos aqui primeiro que tudo para aprender, para crescer, para evoluir".
Estamos aqui para erradicar o sofrimento de nós mesmos, a todos os seus níveis e claramente para sermos felizes.
Ora essa felicidade só surge com o desprendimento. Mas por mais paradoxal que possa ser: é precisamente no reforço dos laços e na criação dos mesmos que ele surge.
No preciso momento em que desenvolvemos compaixão por todos os seres, onde nos incluímos naturalmente e em que entendemos que tudo está interligado (TUDO e TODOS, mesmo) entendemos que também tudo é impermanente.
Mas há boas notícias: o estado de Felicidade (o real) pode no entanto ser eterno, a partir do momento em que se instala por definitivo em nós. Esse estado é imune a partidas físicas, a amores desavindos, a quaisquer dores psíquicas.
É SÓ entendermos isso e tudo fica mais fácil. Ah... e exercitar o silêncio, claro. Visual, auditivo, mental... cultivar esse estado interior sempre pacificado e sereno.

Mãos à obra!

sexta-feira, 18 de março de 2016

#222 Mistério



A vida e as suas múltiplas formas e feitios.

Constantemente somos colocados à prova. 

Depressões que nos atravessam adentro, pelo passado que nos trazem; stress diário e constante pelo excesso do presente nas nossas vidas ou o também excesso mas de futuro, traduzido em ansiedades várias.

Na verdade, os corações também se gastam. Também oxidam.

Manter a pureza original e preservar a essência, num corpo e mente toda ela impermanente, é sem dúvida complexo.

O desafio da percepção dos vários contextos, da consolidação da verdade das nossas vidas e da desmistificação da evolução das posições, por contraposição à descoberta da outrora confortável mentira, é desafio constante.

Um corpo finito, que guarda uma espiritualidade que se eternizará.

Como fazer o equilíbrio entre o prazer do imediato, à imperiosa solidez que tudo o que se pretende duradouro, necessita?

Como separar o trigo do joio, como cessar os vários carrosséis da vida e aceitar a sensação de dejá-vu que se materializa ad eternum?

O doce: afinal é fel. O fel, às vezes sabe a mel. Contraditório?

Eis o paradoxo da vida exposto nas suas dimensões várias, onde só se desilude quem se ilude.

Nem sempre a caça, nem sempre o caçador. Nem sempre a lágrima, nem sempre o sorriso.

Afinal, nem tudo o que sempre foi, sempre o seja!

O que não quer dizer que o que nunca foi, algum dia o não venha a ser...

É assim a vida. 

Lutar ou aceitar, é questão diária! É dúvida filosófica premente, incómodo sistemático, em movimento ou estático: verdadeira equação matemática por resolver.

Isto de viver várias vidas, observar vários mestres, regressar em tempos e tempos imemoriais: cansa.

E a novidade? Quando vem? O que mais se quer é: A novidade! 

Mas Ela não vem, gasta que está a história vivida, contada e recontada em tempos diversos, com fenómenos dispersos, num cosmos que de grande se faz pequeno, pela repetição que surge em formato jardim-escola.

- Sim, Senhor Professor. A repetição? Vou já.


domingo, 13 de março de 2016

#221 Pózinhos mágicos


Pára e reinventa-te.
Medita. Observa-te.
Respira fundo, mergulha no teu interior sem medo da densidade que nele encontras.

Relaxa, que o tempo tudo leva o que não é para ti. Da mesma forma te trará o que for melhor.

Alguém perde? Não és tu. Bom... todos perdem e não perde ninguém, que tudo se transforma.

Sim! Dói! Claro que sim.
Mas não foste tu que escolheste. Ou também foste. Ou não! Mas isso agora pouco interessa.

Respeita e sai de cena! Sim, eu sei que saber o final do filme antes  dele acontecer, pode ser chato. Mas é mesmo assim, que também sempre  aprendes alguma coisa com isso.

Aliás, também sabes os outros finais do filme e não deixas de os viver por isso. Saboreia, sorri e vive sem olhar para trás. É mais uma experiência acumulada. Já sabes também a consequência disso... Só se desilude quem se ilude! Ai tu que nunca mais aprendes...

Ok. Compreendido, vou tentar outra vez. Mas é um loop contínuo... e  é um pouco secante, como sabes... ok, ok. Já percebi! 

Pó mágico activado em:

...3...




...2...






...1...



PLIM!  


quinta-feira, 10 de março de 2016

#220 Sobre a morte, na vida de todos os dias


O sangue corre-nos pelas veias. 

Quente... 

Todos os dias. Mesmo todos?...

Rejubilamos, sorrimos, sofremos, questionamos.

De onde viemos, para onde vamos? Onde estamos, até!

Aos poucos, a gélida inconstância se apodera do nosso ser e numa lágrima nos perdemos mais tempo do que o aceitável. Num sorriso de outrora, encontramos o vazio. No ruído das gargalhadas, descobrimos agora o imediato silêncio.

A fugacidade e a efemeridade da vida, encontram no colo da eternidade (ainda que também ele uma bizarria de quem, como eu, não aceita que o corpo físico seja tudo o que ora existe) uma solução para a indesculpável finitude de quem um dia desaparece, mas jamais  dos corações que um dia tocou.

A morte apresenta-se-nos, na vida de todos os dias. Toca-nos ao de leve, suavemente! Petrifica-nos, electrifica-nos e lembra-nos.

De ocidente para oriente. Um dia isto acaba!

Mas hoje? 


Hoje, não.









P.S. - in memoriam de O.S. e de tantos mais, que agora repousam o sono dos justos, aos quais um dia nos juntaremos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

#219 O fim da realidade


Na imagem que deu que falar, Mark Zuckerberg - criador do facebook, passeia por uma conferência onde toda a gente está ligada virtualmente a outra realidade, entrando assim despreocupadamente sem dar nas vistas. Interessante a visão de um dos arautos do mundo virtual, como "o único acordado, numa plateia de adormecidos".

Actualmente vivemos mais tempo no Real ou no Virtual?

Quanto tempo perdemos em comunicações, pela internet fora, de olhos colocados no telemóvel, na televisão, vivendo notícias, alimentando-nos de cenários?

Quantas vezes olhamos afinal para o sol, para o céu e para as estrelas? Quantas vezes passeamos apenas no jardim, oferecemos carinho a um animal que connosco se cruza, sorrimos apenas ao estranho que nos olha? Quantas vezes respiramos apenas, sorrimos e celebramos a vida?

Todos quantos permanecerem acordados, ou despertarem da intoxicação desinformativa, terão um dia o prémio pretendido: a constatação da realidade e qui ça aos poucos, mesmo da hiperrealidade. Esta última: de muito mais difícil acesso, apenas disponível em doses curtas para não matar.

A dificuldade quotidiana que nos espera, é a de fugirmos às armadilhas que nos são colocadas minuto a minuto. Instante a instante.

Um jornal. A manchete de uma revista. Um anúncio publicitário. Uma falsa notícia. Uma opinião alicerçada em coros de opiniões compradas. Títulos falsos, de universidades falsas, que legitimam sabedoria também ela inquinada. Ou medos que nos injectam. Rumores. Intrigas. Malhas de interesses. Ou ainda fotografias ou filmes, que isso dos olhos... também eles são afinal facilmente enganados. Talvez a lei. Talvez a noção do certo e do errado. Do bem e do mal. Talvez a noção de país e de fronteiras. Talvez a cor da pele. Talvez a escolha da opção sexual de cada um. Talvez a religião. Talvez o peso do dinheiro na nossa felicidade. Talvez a fatalidade de pagarmos por bens que são gratuitos. Talvez o partido. Talvez a direita por oposição à esquerda. E a esquerda por oposição à direita. Talvez as sondagens ou as estatísticas ou as tendências ou a moda ou o rumo ou o "tem que ser" ou "é inevitável". Talvez os velhos contra os novos. Os ricos contra os pobres ou os do sul contra os do norte. Talvez o futebol. Talvez a paixão volátil por oposição ao amor. Talvez a confortável mentira, por oposição à dor que ensina. 

Compreendo todos quantos preferem viver no virtual. Até eu me canso deste "real", tão povoado de ilusões.

Ainda assim, aqui fica para meditar mais um texto reflexivo, ainda que também ele pecando por habitar este mundo virtual, mas com a desculpável bondade de pretender despertar consciências. 

Está triste ou angustiado? Deprimido, entediado ou fatigado? Escolha a sua ilusão e divirta-se!


(eu acho que vou ver o mar um pouco, antes de continuar o meu dia)