domingo, 25 de maio de 2014

#88 Razões para não ir votar hoje


Pela primeira vez desde que fiz 18 anos, não exercerei o meu direito de voto. 

Vou abster-me de ir às urnas, sustentando-me na inutilidade desta União Europeia, cujo actual modelo faliu em tudo quanto se propôs.

Permanecem dramáticas assimetrias entre o norte e sul. Permanece uma trágica discrepância entre o que os povos pensam e o que é feito, quer pelos seus governos, quer pelos seus eleitos.

A Europa não é unida. Não há portanto: União Europeia.

Permanece uma tomada de assalto por parte do BCE que empresta a quem quer, como quer, com as taxas de juro que lhe apetece, consoante o credor.

A União Europeia não é portanto uma união, mas a tomada de assalto por parte de uns, a outros, escamoteada muitas das vezes em migalhas emprestadas a preço da escravatura eterna, ou em nome da autorização do saque nacional. 

O que não conseguiu ser imposto pela guerra de sangue, toma agora muitas vezes cor, através da guerra económica.

Nos últimos vinte anos, Portugal andou para trás. 

Qualquer que seja a questão nacional (cultura, educação, saúde, justiça, economia, finanças, credibilidade das instituições, o estado de depressão colectiva): Portugal está muito pior, pese embora a melhoria de muitas das suas infra-estruturas, que agora ficarão vazias, entregues ao abandono, num país que caminha para a desertificação, envelhecido e deprimido.

A noção que temos na sociedade contemporânea de "participação democrática", deriva da possibilidade de os cidadãos poderem influir efectivamente nas decisões que vão afectar as suas vidas.

Todos sabemos que a democracia não se esgota em eleições, ainda que seja precisamente nestas onde todo o cidadão, do mais rico ao mais pobre, utiliza o voto como um instrumento activo, na finalidade de agir sobre a realidade política.

Hoje não vou votar, porque sei que isso seria um acto inútil, ilusório e sem qualquer consequência de fundo. 

E ainda, porque a abstenção consciente, hoje em dia, é a melhor forma de expressar o repúdio por este sistema em que nos encontramos.

Relembro sem dúvida todos quantos lutaram para que eu hoje tenha o direito de voto. Respeito-os e os não esqueço, mas sei bem que o princípio subjacente ao voto é "o suposto poder do qual o mesmo estava investido". Tempos idos, esses.

Noutros actos eleitorais, reavaliarei. Mas confesso-me pouco crente, abrindo talvez uma excepção para as eleições dos protagonistas locais das nossas respectivas terras, que mais facilmente são levados ao escrutínio diário e que mais dificilmente podem fazer o contrário do que prometem. 

Mas a ver vamos.


13 comentários:

  1. Eu votei, e votarei sempre. Só assim posso defender a minha causa :)

    ResponderEliminar
  2. Fazes bem Marianinha. Cada um com o seu nível de consciência. Faz o que acreditas ser o mais correcto. Nada mais importa. Acredito que o sintas.

    Mas não tenhas dúvidas, de que com os dados que disponho: eu também.
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  3. Claro. Apoio os seus argumentos e a sua causa. E passarei sempre aqui para o ler :) Bom Domingo com boas energias*

    ResponderEliminar
  4. Mano:
    De pensamentos políticos diferentes (se calhar não tão diferentes) estou em total desacordo sobre este teu pensamento.
    Tomei a liberdade, por seres meu irmão, de usar o teu texto para expressar também a minha opinião porque se deve ir hoje votar. Em:
    http://xinho-omeublogue.blogspot.pt/2014/05/razoes-para-ir-votar-hoje-25052014.html.
    E ainda estás a tempo de ir votar. Beijos do teu mano Xinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) saúdo a tua visita. E já sabes que "os meus textos são os teus textos". Deles farás o que quiseres, és meu mano caraças!

      Irei ler-te com toda a atenção, pese embora a minha mágoa hoje ser difícil de debelar. Ainda assim, fica em aberto. Beijos do teu mano Mandinho

      Eliminar
  5. Subscrevo tudo.

    Sou mais uma que não irá votar - hoje - pela primeira vez desde que o voto foi instituído democraticamente.

    ResponderEliminar
  6. Também não fui votar! E também foi a primeira vez para mim que não exerci o meu direito de voto! Estou de acordo com tudo o que escreveste e não serei eu a contribuir para alimentar um modelo de União Europeia e também um sistema político totalmente descredibilizados! Forte Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gonçalo! Meu velho amigo. De facto, temos motivos para estar zangados. Um grande abraço.

      Eliminar
  7. Eu fui, votei em branco. Se a abstenção tivesse sido votos em branco, tenho a certeza absoluta que não só em Portugal como em toda a união europeia ontem tina ocorrido um verdadeiro terramoto.
    Então os cidadãos europeus foram às urnas em maça para não escolherem nada do que lhe está a ser proposto? Deram-se ao trabalho de ir e mostrar que nada do que lhes é proposto tem o acordo deles?
    70% de abstenção os que fossem eleitos jamais poderiam dizer que a maioria os escolheu pois a maioria foi ás urnas dizer que nada do que lhes apresentavam serve.
    Claro esta é a minha convicção pessoal, apenas isso, mas cada um mostra o seu desagrado na forma que julga ser a mais correcta.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo inteiramente contigo. Simplesmente desta vez, usei a minha liberdade desta forma. Beijinhos.

      Eliminar